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20/12/2008

ESPERANÇA

Era uma vez... uma represa hidrelétrica estava para ser construída em um grande vale.
O povo de uma bonita, mas pequena cidade, que ficava neste vale,
deveria se preparar para sair dessa região porque a cidade seria submersa quando a represa fosse terminada.
Durante o tempo entre a decisão de se construir essa represa e o inicio dos trabalhos,
os prédios da cidade, que em outra época eram mantidos limpos e bem cuidados,
assumiram uma aparência pobre e de abandono.
Aquela bela e pequenina cidade perdeu seu brilho,
e mesmo antes de ser deixada pelos seus habitantes já se havia tornado um símbolo de decadência.
Por que isso aconteceu? A resposta é simples.
Um cidadão, habitante daquele lugar disse:
"Onde não há fé no futuro, não há trabalho no presente”
É a esperança que nos mantém vivos, animados.
É ela que alimenta nossos sonhos e buscas.
É justamente porque amamos a vida que, com freqüência, dizemos que a esperança é a ultima que morre.
Queremos sonhar, queremos ver nossos filhos educados e felizes, ver nosso mundo melhor.
Vivemos porque temos esperança.
Porém, às vezes sentimos que remamos contra a maré
e tememos perder o ânimo para lutar e vencer tantas adversidades.
Se você acha que suas esperanças são em vão, que os resultados não têm correspondido
às suas expectativas, a boa noticia é que podemos voltar a sonhar.

19/12/2008

MÚSICAS NA ESCOLA

Que coisa...Ao inves de se desenvolver todo tipo de arte, porque só música...
Bem que seja música então...no meu tempo...infelizmente aula de música era sinônimo de chatice...A professora fica fazendo ditado sobre folclore e música mesmo...


Em três anos, todas as escolas brasileiras terão de incluir, no currículo da educação básica, o ensino de música.
A determinação consta na Lei 11.769, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

» Música passa a ser conteúdo obrigatório nas escolas

O período de três anos servirá para que os sistemas de ensino se adaptem às exigências estabelecidas.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Educação Musical (Abem), Sérgio Luiz de Figueiredo, a música contribui para o desenvolvimento da auto-estima das crianças e traz benefícios cognitivos.

O presidente da associação afirma que as exigências para implantação da nova disciplina ainda não estão bem definidas, mas acredita que também cabe à sociedade discutir e aperfeiçoar as medidas que deverão ser empregadas.

Figueiredo esteve em Brasília para participar do 1º Simpósio sobre o Ensino e a Aprendizagem da Música Popular, realizado na Universidade de Brasília (UnB). Segundo ele, os benefícios da música podem ser analisados de diferentes ângulos.

"De uma forma geral, a música faz parte das manifestações culturais. Contribui para a formação humanística, para que as pessoas participem da interação social e compreendam as manifestações sociais. Também há os benefícios cognitivos, melhorando o desempenho em outras áreas do conhecimento, além de todos os benefícios sociais."

"A música tem entrado como componente muito forte no resgate do cidadão e no desenvolvimento da auto-estima por instituições que trabalham com crianças carentes e pessoas em situação de risco", disse.

José do Pífano aprendeu a tocar o instrumento que hoje faz parte de seu nome, uma espécie de flauta rústica feita de bambu, sem auxílio de professores, quando ainda era criança, em São José do Egito, no Estado de Pernambuco. Hoje, ele ensina sua arte aos alunos do curso de música da Universidade de Brasília (UnB) e considera importante o ensino nas escolas.

"Com uns 10 anos de idade eu mesmo fiz um pífano pequenininho de talo de jerimum, que aqui chama abóbora, e fui desenvolvendo. Nunca fiz aula, mas gostaria de ter tido, porque isso é muito bonito. Música é alegria, é vida, e acaba sendo cultura para os alunos que se sentem incentivados a aprender", defendeu.

Figueiredo afirmou que, a partir de agora, iniciam-se as discussões de como inserir a música no ensino básico de uma forma efetiva e considerando as diversidades de cada região. Segundo ele, é preciso investir na formação de professores.

Segundo o presidente da Abem, não há dados precisos sobre a quantidade de profissionais com licenciatura em música. Ele acredita que existam cerca de 50 cursos de graduação espalhados pelo Brasil e apenas dois cursos de ensino à distância na área: um da UnB e outro da Universidade Federal do Rio Grande Sul (UFRGS).

A expansão de cursos de licenciatura em música pode contribuir para aumentar o número de profissionais e colaborar na aplicação da nova lei, argumentou Figueiredo.

18/12/2008

DAR A VIDA

Era uma vez...
Um famoso violinista, daqueles de arrebatar o público com seu talento,
foi se apresentar pelo interior.
Em uma de suas apresentações no teatro de uma pequena cidade,
ele fez o que sabia fazer.
Tocou o seu instrumento de forma impecável,
fazendo justiça ao seu talento e inspiração.
No final do concerto, uma senhora aproximou-se e após pedir seu autografo,
afirmou maravilhada:
- Ainda estou sob o impacto de sua apresentação.
Eu amo a música e daria a minha vida para tocar como o senhor.
O concertista calmamente agradeceu e lhe disse:
A senhora daria a sua vida para tocar como eu, não é?
Pois eu dei a minha.

Ninguém pode obter resultados apenas com sonhos e desejos.
Temos que dar a vida por alguma causa se quisermos ver os resultados.
Temos renuncias a fazer.
É impossível manter nossa vida da forma como está
e nos tornar concertistas apenas por desejar dar a vida para ser um.
A cada instante temos que tomar decisões, e cada decisão terá conseqüências;
sobre o rumo que nossas vidas assume.
Implicará em renuncias.

17/12/2008

DEFICIÊNCIAS

É aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de
outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco"

É quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego"

É aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
E só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo"

É aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo"

É aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico"

É quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético"

É quem não consegue ser doce.

"Anão"

É quem não sabe deixar o amor crescer.

E, finalmente, a pior das deficiências

É ser miserável, pois "Miseráveis"

são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."

(Mário Quintana)

15/12/2008

OS DOZE PRATOS


Um príncipe chinês, orgulhava-se de sua coleção de porcelana, de tão rara quão antiga procedência, constituída por doze pratos assinalados por grande beleza artística e decorativa.

Certo dia, o seu zelador, em momento infeliz, deixou que se quebrasse uma das peças. Tomando conhecimento do desastre e possuído pela fúria, o príncipe condenou à morte o dedicado servidor, que fora vítima de uma circunstância fortuita.

A notícia tomou conta do Império, e, ás vésperas da execução do desafortunado servidor, apresentou-se um sábio bastante idoso, que se comprometeu a devolver a ordem à coleção, se o servo fosse perdoado.

Emocionado, o príncipe reuniu sua corte e aceitou a oferenda do venerando ancião. Este solicitou que fossem colocados todos os pratos restantes sobre uma toalha de linho, bordada cuidadosamente, e os pedaços da preciosa porcelana fossem espalhados em volta do móvel.

Atendido na sua solicitação, o sábio acercou-se da mesa e, num gesto inesperado, puxou a toalha com as porcelanas preciosas, atirando-as bruscamente sobre o piso de mármore e arrebentando-as todas.

Ante o estupor que tomou conta do soberano e de sua corte, muito sereno, ele disse:

-- Aí estão, senhor, todos iguais conforme prometi. Agora podeis mandar matar-me. Desde que essas porcelanas valem mais do que as vidas, e considerando-se que sou idoso e já vivi além do que deveria, sacrifico-me em benefício dos que irão morrer no futuro, quando cada uma dessas peças for quebrada. Assim, com a minha existência, pretendo salvar doze vidas, já que elas, diante desses objetos nada valem.

Passado o choque, o príncipe, comovido, libertou o velho e o servo, compreendendo que nada há mais precioso do que a vida em si mesma.

(Joanna de Angelis)

O IPÊ E A ESCOLA

RUBEM ALVES

O Manoel Moraes é meu amigo. Engenheiro por diploma, é amante da natureza por vocação. Grande devorador de livros, está sempre à procura de “conspiradores“, isto é, pessoas que respiram o mesmo ar que ele.
Faz uns dias ele me trouxe um artigo xerografado. Autor: Bruno Bettelheim. Bettelheim era um homem amorável e inteligente.
Amava as crianças.
Passou a vida pensando no que fazer para tornar as crianças mais felizes.
O artigo tem o título Os livros essenciais da nossa vida.
Falou sobre os livros que tiveram um significado especial para ele.
Fiquei feliz ao ver que ele citou Martin Buber.
Feliz por saber que nós dois bebemos da mesma fonte. Buber também amava as crianças. Conta-se que, numa festa em que ele estava sendo homenageado, viu-se cercado por professores e filósofos que tentavam impressioná-lo, falando coisas profundas e complicadas.
É sempre assim: todo mundo quer impressionar bem. Buber, cansado daquilo tudo, delicadamente interrompeu a conversa com um comentário: “Cada vez eu me sinto mais distante dos adultos e mais próximo das crianças...“

Eu me lembro perfeitamente bem da primeira vez que li Buber.
Era de tarde, deitado numa rede, lá em Minas...
À medida em que eu lia a alegria ia tomando conta de mim. Ficava alegre porque as palavras de Buber traziam luz ao meu mundo interior.
Naquilo que ele dizia, eu me reconhecia.

O seu livro mais importante é Eu-Tu.
Não seria aceito como tese em nossas universidades.
Não tem notas de rodapé. Não cita fontes.
Não enuncia teorias. Não explica o método.
Curto demais para uma tese.
Mas, como sabia Nietzsche, “pensamentos que chegam em pés de pombas guiam o mundo...“

Lendo “Eu-Tu“ os meus olhos se abriram. Compreendi aquilo que eu vivia sem compreender. Eu quero contar a vocês o que eu vi.

Aqui o meu pensamento ficou paralisado.
Não sabia como contar a vocês o que vi.
Resolvi dar uma caminhada.
E lá ia eu, absorto em meus pensamentos, quando, de repente, bem à minha frente, uma explosão de cores: a terra ejaculando flores - flores que estavam escondidas dentro dela! Um ipê rosa florido!
Já pensaram nisso?
Que as flores são os pensamentos da terra?
A terra pensa flores! Dentro dela, as flores ficam guardadas, dormindo, mergulhadas na escuridão.
Mas, pela magia de uma árvore, os pensamentos da terra se oferecem aos nossos olhos sob a forma de flores!
Dentro da terra estão todas as flores do mundo, à espera de árvores... A terra sonha ipês! As árvores são os psicanalistas da terra!

Aí descobri um jeito de explicar Martin Buber...
Aquilo que aconteceu, aconteceu comigo.
Só comigo. Tive vontade de abraçar aquela árvore, de comer as suas flores.
Fiquei agradecido por ser a natureza coisa tão maravilhosa, sagrada!
Mas sei que muitas pessoas já haviam passado, estavam passando e irão passar por aquele ipê sem se assombrar.
Para elas aquele ipê é apenas um objeto a mais, ao lado de postes, casas e carros. Já contei de uma mulher que odiava um manso e maravilhoso ipê amarelo que havia à frente de sua casa.
Ela odiava o ipê porque suas flores sujavam o chão!
Chão de ouro, coberto de flores amarelas, flores que deveriam ficar lá! Seria necessário tirar os sapatos dos pés para andar sobre elas! Mas aquela mulher não via com os olhos. Via com a vassoura.
E uma vassoura dá sempre a mesma ordem: varrer, varrer! Tudo o que pode ser varrido é lixo! E ela, para se livrar do trabalho, envenenou o manso ipê.
O ipê morreu. Não mais suja a calçada da mulher.

Agora explico Buber. Para Buber as coisas, as árvores, os bichos, as pessoas, não são coisas, árvores, bichos e pessoas, nelas mesmas.
Elas são a partir da relação que estabelecemos com elas. Para a mulher da vassoura o ipê amarelo era um objeto inerte, sem mistério.
Ela podia fazer com ele o que quisesse.
Mas para mim os ipês são um assombro, beleza, alegria, revelação do mistério do universo.

Há um tipo de relação que transforma tudo em objetos mortos.
Uma mulher se transforma em objeto para o homem que faz uso dela para ter prazer. Um homem se transforma em objeto para a mulher que o usa para obter status ou segurança.
Uma criança se transforma em objeto quando seus pais a manipulam para realizar os seus sonhos. Para um professor que só pensa no cumprimento do programa todos os seus alunos são objetos.
Para quem está atrás de milagres Deus é um objeto que faz milagres. O eleitor é um objeto que o político usa para ganhar poder.
Um doente, para o médico, pode ser apenas um “portador de uma doença“. (Ah! Os professores e alunos, à volta de um doente sobre quem nada sabem, nem mesmo o nome, numa enfermaria de hospital!
Ali não está um ser humano! Ali está um “caso“ interessante...). Buber deu a esse tipo de relação o nome de “eu-isso“.
Tocadas pela relação eu-isso, todas as coisas, pessoas, animais, árvores, Deus, se transformam em coisas que uso para atingir os meus propósitos.
Eu sou o centro do mundo. Tudo o que me cerca são utensílios que uso para os meus propósitos.

Quando, ao contrário, meus olhos estão abertos para o assombro e o mistério das coisas que me rodeiam, eu refreio minha mão.
Não posso usá-los como se fossem ferramentas para os meus propósitos. São meus companheiros – não importa se um ipê florido, um cãozinho, um poema, uma criança que quer me vender um drops no semáforo...
Buber deu o nome de “eu-tu“ a essa relação.

Já falei que as nossas escolas são planejadas à semelhança das linhas de montagem: as crianças são “objetos“ a serem “formados“ segundo normas que lhe são exteriores. Ao final, formadas, são objetos portadores de saberes, centenas, milhares, todos iguais.
Pertencem ao mundo do eu-isso.
Na relação eu-tu cada criança é única – por ser uma companheira na minha vida, companheira que nunca se repetirá, nunca haverá uma igual.

No mundo do eu-isso se usa o poder porque o que desejo é manipular o objeto.
No mundo do eu-tu o poder nunca é usado porque o que desejo é acolher, dentro de mim, o objeto à minha frente.

Escrevi tudo isso porque tenho estado pensando na magia da Escola da Ponte. Qual o seu segredo? Sua magia se encontrará, por acaso, nos seus princípios pedagógicos? Não.
Definitivamente não.
Princípios, quaisquer que sejam, são normas gerais.
Por isso eles pertencem ao mundo do eu-isso.
Se tentássemos reduplicar a Escola da Ponte usando os mesmos princípios pedagógicos como receitas, apenas conseguíssemos construir uma linha de montagem mais gentil e, talvez, mais eficiente.
Me parece que o segredo da Escola da Ponte se encontra em outro lugar. Ele se encontra no mesmo lugar do ipê florido: o absoluto abandono do uso do poder e da manipulação.
Imaginem uma escola onde não há um diretor. Todos os professores são diretores.
Pela simples razão de não haver quem tome as decisões finais; onde “diretores“ não ousam e nem querem usar do poder para fazer valer suas idéias.
Onde as decisões são todas compartilhadas.
Onde os professores não valem mais que as crianças.
Onde os professores não dão ordens e as crianças obedecem.
Sabedoria, disse Roland Barthes, é “nada de poder, uma pitada de saber e o máximo possível de sabor...“

Qual a receita?
Não há receitas.
Não há receitas para fazer o ipê florir.
Não sei como o ipê floresce e nem por que alguns têm flores rosa, outros flores amarelas e outros flores brancas.
Certo estava Angelus Silésius: “A rosa não tem por quês; ela floresce porque floresce.“
Assim é Escola da Ponte.

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