O lar, na essência, é academia da alma.
Dentro dele, todos os sentimentos funcionam por matérias educativas.
A responsabilidade governa.
A afeição inspira.
O dever obriga.
O trabalho soluciona.
A necessidade propõe.
A cooperação resolve.
O desafio provoca.
A bondade auxilia.
A ingratidão espanca.
O perdão balsamiza.
A doença corrige.
O cuidado preserva.
O egoísmo aprisiona.
A renúncia liberta.
A ilusão ensombra.
A dor ilumina.
A exigência destrói.
A humildade refunde.
A luta renova.
A experiência edifica.
Todas as disciplinas referentes ao aprimoramento do cérebro são facilmente encontradas nas universidades da Terra, mas a família é a escola do coração, erguendo seres amados à condição de professores do espírito.
E somente nela conseguimos compreender que as diversas posições afetivas, que adotamos na esfera convencional, são apenas caminho para a verdadeira fraternidade que nos irmana a todos, no amor puro, em sagrada união, diante de Deus.
EMANNUEL
TODO MATERIAL POSTADO EM MEU BLOG É DE CONTEÚDO PESQUISADO NA INTERNET OU DE AMIGOS QUE ME ENVIAM, AO QUAL SOU SEMPRE AGRADECIDO.
POUCAS VEZES CRIEI ALGO PARA COLOCAR NO BLOG.
O MEU SENTIMENTO É O DE UM GARIMPEIRO, QUE BUSCA DIAMANTES, E QUANDO ENCONTRA NÃO CONSEGUE GUARDAR PARA SI.
13/09/2008
11/09/2008
O ALUNO IDEAL
Era uma vez, os animais do bosque decidiram fazer algo para enfrentar os problemas do mundo novo e organizaram uma escola.
Adotaram um currículo de atividades que consistia em correr, trepar, nadar e voar e, para que fora mais fácil ensiná-lo, todos os animais se matricularam em todas as disciplinas.
O pato era um aluno destacado na disciplina de natação.
De fato, era melhor que o seu professor.
Obteve um suficiente em vôo, mas em corrida não passou do insuficiente.
Como era de aprendizagem lenta em corrida, teve que ficar na escola depois do fim das aulas e que abandonar a natação para poder praticar a corrida.
Estes exercícios continuaram até que os seus pés membranosos se desgastaram, e então passou a ser apenas um aluno médio em natação.
Mas a mediania era aceitável na escola, de modo que ninguém se preocupou com o sucedido exceto, como é natural, o pato.
A lebre começou o ano letivo como a aluna mais distinta em corrida mas sofreu um colapso nervoso por excesso de trabalho em natação.
O esquilo destacou-se na disciplina de trepar, até que manifestou um síndrome de frustração nas aulas de vôo, em que o seu professor lhe dizia que começasse desde o chão, em vez de o fazer de cima de uma árvore.
Por último, ficou doente com cãibras por excesso de esforço, e então, classificaram-no com 12 em trepar e com 8 em corrida.
A águia era uma aluna problemática e teve más notas em comportamento.
Na disciplina de trepar, superava todos os restantes alunos no exercício de subir até a copa da árvore, mas insistia em fazê-lo à sua maneira.
Ao terminar o ano, uma enguia anormal, que podia nadar de forma excelente e também correr, trepar e voar um pouco, obteve a melhor média e a medalha para o melhor aluno...
Esta fábula ajuda-nos a refletir sobre a diversidade de alunos e de alunas numa escola que tem na homogeneização o seu caminho e a sua meta.
A "criança tipo" é um rapaz de raça branca que fala a língua hegemônica, saudável, sem deficiências... numa palavra, normal.
É para ele que se dirige o discurso e é ele quem é proposto como modelo para todos (e, curiosamente, para todas).
Sempre se viveu a diferença como uma marca, não como um valor.
Procurou-se a homogeneidade como uma meta e, ao mesmo tempo, como um caminho.
Os mesmos conteúdos para todos, as mesmas explicações para todos, as mesmas avaliações para todos, as mesmas normas para todos.
Curiosamente, argumentava-se com a justiça como fundamento dessa uniformidade.
Sem dar-se conta de que não há maior injustiça do que exigir o mesmo a indivíduos tão diferentes.
Não é justo exigir que percorram o mesmo trajeto, em tempos exatos, um coxo e uma pessoa em perfeito uso das duas pernas.
A injustiça é ainda maior quando as diferenças são cultivadas, procuradas e impostas.
Voltando ao exemplo da corrida: seria razoável exigir um percurso igual a quem pode correr sem obstáculos e a alguém a quem se atou a um pé uma enorme bola de ferro?
A diferença é consubstancial ao ser humano.
Somos únicos, irrepetíveis, em constante evolução.
Se um centímetro quadrado de pele (as impressões digitais) nos torna diferentes de milhares de milhões de indivíduos, o que fará a pele inteira?
E o que se passará com o nosso interior, cheio de emoções, dúvidas, credos, valores, conflitos...?
Disse uma vez que há dois tipos de crianças: os inclassificáveis e os de difícil classificação.
Como é possível que tratemos todos por igual?
Diferenciam-nos as atitudes, as capacidades, as emoções, a cultura, a religião, a raça, o sexo (e o gênero), o dinheiro...
Nem todas as diferenças são do mesmo tipo e nem com todas elas se deve proceder da mesma forma.
Miguel Santos Guerra, ob. citada
Adotaram um currículo de atividades que consistia em correr, trepar, nadar e voar e, para que fora mais fácil ensiná-lo, todos os animais se matricularam em todas as disciplinas.
O pato era um aluno destacado na disciplina de natação.
De fato, era melhor que o seu professor.
Obteve um suficiente em vôo, mas em corrida não passou do insuficiente.
Como era de aprendizagem lenta em corrida, teve que ficar na escola depois do fim das aulas e que abandonar a natação para poder praticar a corrida.
Estes exercícios continuaram até que os seus pés membranosos se desgastaram, e então passou a ser apenas um aluno médio em natação.
Mas a mediania era aceitável na escola, de modo que ninguém se preocupou com o sucedido exceto, como é natural, o pato.
A lebre começou o ano letivo como a aluna mais distinta em corrida mas sofreu um colapso nervoso por excesso de trabalho em natação.
O esquilo destacou-se na disciplina de trepar, até que manifestou um síndrome de frustração nas aulas de vôo, em que o seu professor lhe dizia que começasse desde o chão, em vez de o fazer de cima de uma árvore.
Por último, ficou doente com cãibras por excesso de esforço, e então, classificaram-no com 12 em trepar e com 8 em corrida.
A águia era uma aluna problemática e teve más notas em comportamento.
Na disciplina de trepar, superava todos os restantes alunos no exercício de subir até a copa da árvore, mas insistia em fazê-lo à sua maneira.
Ao terminar o ano, uma enguia anormal, que podia nadar de forma excelente e também correr, trepar e voar um pouco, obteve a melhor média e a medalha para o melhor aluno...
Esta fábula ajuda-nos a refletir sobre a diversidade de alunos e de alunas numa escola que tem na homogeneização o seu caminho e a sua meta.
A "criança tipo" é um rapaz de raça branca que fala a língua hegemônica, saudável, sem deficiências... numa palavra, normal.
É para ele que se dirige o discurso e é ele quem é proposto como modelo para todos (e, curiosamente, para todas).
Sempre se viveu a diferença como uma marca, não como um valor.
Procurou-se a homogeneidade como uma meta e, ao mesmo tempo, como um caminho.
Os mesmos conteúdos para todos, as mesmas explicações para todos, as mesmas avaliações para todos, as mesmas normas para todos.
Curiosamente, argumentava-se com a justiça como fundamento dessa uniformidade.
Sem dar-se conta de que não há maior injustiça do que exigir o mesmo a indivíduos tão diferentes.
Não é justo exigir que percorram o mesmo trajeto, em tempos exatos, um coxo e uma pessoa em perfeito uso das duas pernas.
A injustiça é ainda maior quando as diferenças são cultivadas, procuradas e impostas.
Voltando ao exemplo da corrida: seria razoável exigir um percurso igual a quem pode correr sem obstáculos e a alguém a quem se atou a um pé uma enorme bola de ferro?
A diferença é consubstancial ao ser humano.
Somos únicos, irrepetíveis, em constante evolução.
Se um centímetro quadrado de pele (as impressões digitais) nos torna diferentes de milhares de milhões de indivíduos, o que fará a pele inteira?
E o que se passará com o nosso interior, cheio de emoções, dúvidas, credos, valores, conflitos...?
Disse uma vez que há dois tipos de crianças: os inclassificáveis e os de difícil classificação.
Como é possível que tratemos todos por igual?
Diferenciam-nos as atitudes, as capacidades, as emoções, a cultura, a religião, a raça, o sexo (e o gênero), o dinheiro...
Nem todas as diferenças são do mesmo tipo e nem com todas elas se deve proceder da mesma forma.
Miguel Santos Guerra, ob. citada
09/09/2008
ENSINAR E APRENDER
Num congresso internacional sobre a linguagem, um famoso linguística americano disse em plena conferência:
- Com recurso às novas teorias de ensino das línguas, ensinei o meu cão falar.
Pelo auditório ouviu-se um intenso burburinho.
E o conferencista insistiu:
- Sim, ensinei o meu cão a falar.
Tenho-o ali fora, posso mostrar-vos.
E fez um sinal para que lhe trouxessem o animal.
A agitação na sala cresceu quando viram o cachorro sobre a mesa de conferência. Dezenas de flashes dispararam e audiência esperava então pela demonstração da eficácia do ensino.
Passou um minuto, dois minutos … e o cão agitava-se inquieto mas não se ouvia qualquer fala.
Então a audiência lançou o olhar para o conferencista num ar de censura.
Então ele disse:
- Bem, eu ensinar, ensinei.
Ele é que não aprendeu.
Qualquer semelhança com a Educação não é mera coincidência.
- Com recurso às novas teorias de ensino das línguas, ensinei o meu cão falar.
Pelo auditório ouviu-se um intenso burburinho.
E o conferencista insistiu:
- Sim, ensinei o meu cão a falar.
Tenho-o ali fora, posso mostrar-vos.
E fez um sinal para que lhe trouxessem o animal.
A agitação na sala cresceu quando viram o cachorro sobre a mesa de conferência. Dezenas de flashes dispararam e audiência esperava então pela demonstração da eficácia do ensino.
Passou um minuto, dois minutos … e o cão agitava-se inquieto mas não se ouvia qualquer fala.
Então a audiência lançou o olhar para o conferencista num ar de censura.
Então ele disse:
- Bem, eu ensinar, ensinei.
Ele é que não aprendeu.
Qualquer semelhança com a Educação não é mera coincidência.
08/09/2008
NÃO SE FORÇA UMA FLOR A DAR PERFUME
O Mestre exigia, com muita seriedade, firme opção dos seus discípulos, clareza de objetivo em todo aquele que desejasse entrara na sua escola.
Mas sempre repreendia os seus alunos quando eles transformavam a busca espiritual num cansativo, desgastante esforço.
Propunha-lhes então uma seriedade alegre ou uma alegria séria, algo assim como a atitude de um desportista no seu desporto ou de um ator no seu drama ou comédia.
Exigia, sobretudo, paciência em dose altíssima.
“Não se força uma flor a dar perfume”, costumava dizer, ou então:
“Quem força o sabor de um fruto torna-o amargo”.
(Anthony de Mello, Sabedoria de um minuto, Loyola)
Mas sempre repreendia os seus alunos quando eles transformavam a busca espiritual num cansativo, desgastante esforço.
Propunha-lhes então uma seriedade alegre ou uma alegria séria, algo assim como a atitude de um desportista no seu desporto ou de um ator no seu drama ou comédia.
Exigia, sobretudo, paciência em dose altíssima.
“Não se força uma flor a dar perfume”, costumava dizer, ou então:
“Quem força o sabor de um fruto torna-o amargo”.
(Anthony de Mello, Sabedoria de um minuto, Loyola)
07/09/2008
NÃO ESQUEÇA AS PERGUNTAS FUNDAMENTAIS
Vou contar para vocês uma estória. Não importa se verdadeira ou imaginada. Por vezes, para ver a verdade, é preciso sair do mundo da realidade e entrar no mundo da fantasia...
Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência com macacos. Colocaram cinco macacos dentro de uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas.
Os macacos gostam de bananas. Viram a mesa. Perceberam que, subindo na mesa, alcançariam as bananas. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nele. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto.
Passados alguns minutos, voltou o desejo de comer bananas. Outro macaco resolveu comer bananas. Mas, ao subir na mesa, outro banho de água fria. Depois de o banho se repetir por quatro vezes, os macacos concluíram que havia uma relação causal entre subir na mesa e o banho de água fria. Como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que o macaco que tentasse subir na mesa levaria uma surra. Quando um macaco subia na mesa, antes do banho de água fria, os outros lhe aplicavam a surra merecida.
Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco que nada sabia dos banhos de água fria. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas, antes que o fizesse, os outros quatro lhe aplicaram a surra prescrita. Sem nada entender e passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e subiu na mesa. Nova surra. Depois da quarta surra, ele concluiu: nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha. Adotou, então, a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz: se você não pode derrotá-los, junte-se a eles.
Os psicólogos retiraram então um outro macaco e o substituíram por outro. A mesma coisa aconteceu. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e função da surra, lhe aplicaram a sova de praxe. Este último macaco também aprendeu que, naquela jaula, quem subia na mesa apanhava.
E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, eles continuavam a surrar os macacos que subiam na mesa.
Se perguntássemos aos macacos a razão das surras, eles responderiam: é assim porque é assim. Nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha... Haviam se esquecido completamente das bananas e nada sabiam sobre os banhos. Só pensavam na mesa proibida.
Vamos brincar de "fazer de conta". Imaginemos que as escolas sejam as jaulas e que nós estejamos dentro delas... Por favor, não se ofenda, é só faz-de-conta, fantasia, para ajudar o pensamento. Nosso desejo original é comer bananas. Mas já nos esquecemos delas. Há, nas escolas, uma infinidade de coisas e procedimentos cristalizados pela rotina, pela burocracia, pelas repetições, pelos melhoramentos. À semelhança dos macacos, aprendemos que é assim que são as escolas. E nem fazemos perguntas sobre o sentido daquelas coisas e procedimentos para a educação das crianças. Vou dar alguns exemplos.
Primeiro, a arquitetura das escolas. Todas as escolas têm corredores e salas de aula. As salas servem para separar as crianças em grupos, segregando-as umas das outras. Por que é assim? Tem de ser assim? Haverá uma outra forma de organizar o espaço, que permita interação e cooperação entre crianças de idades diferentes, tal como acontece na vida? A escola não deveria imitar a vida?
Programas. Um programa é uma organização de saberes numa determinada sequência. Quem determinou que esses são os saberes e que eles devem ser aprendidos na ordem prescrita? Que uso fazem as crianças desses saberes na sua vida de cada dia? As crianças escolheriam esses saberes? Os programas servem igualmente para crianças que vivem nas praias de Alagoas, nas favelas das cidades, nas montanhas de Minas, nas florestas da Amazônia, nas cidadezinhas do interior?
Os programas são dados em unidades de tempo chamadas "aulas". As aulas têm horários definidos. Ao final, toca-se uma campainha. A criança tem de parar de pensar o que estava pensando e passar a pensar o que o programa diz que deve ser pensado naquele tempo. O pensamento obedece às ordens das campainhas? Por que é necessário que todas as crianças pensem as mesmas coisas, na mesma hora, no mesmo ritmo? As crianças são todas iguais? O objetivo da escola é fazer com que as crianças sejam todas iguais?
A questão é fazer as perguntas fundamentais: por que é assim? Para que serve isso? Poderia ser de outra forma? Temo que, como os macacos, concentrados no cuidado com a mesa, acabemos por nos esquecer das bananas...
RUBEM ALVES
Um grupo de psicólogos se dispôs a fazer uma experiência com macacos. Colocaram cinco macacos dentro de uma jaula. No meio da jaula, uma mesa. Acima da mesa, pendendo do teto, um cacho de bananas.
Os macacos gostam de bananas. Viram a mesa. Perceberam que, subindo na mesa, alcançariam as bananas. Um dos macacos subiu na mesa para apanhar uma banana. Mas os psicólogos estavam preparados para tal eventualidade: com uma mangueira deram um banho de água fria nele. O macaco que estava sobre a mesa, ensopado, desistiu provisoriamente do seu projeto.
Passados alguns minutos, voltou o desejo de comer bananas. Outro macaco resolveu comer bananas. Mas, ao subir na mesa, outro banho de água fria. Depois de o banho se repetir por quatro vezes, os macacos concluíram que havia uma relação causal entre subir na mesa e o banho de água fria. Como o medo da água fria era maior que o desejo de comer bananas, resolveram que o macaco que tentasse subir na mesa levaria uma surra. Quando um macaco subia na mesa, antes do banho de água fria, os outros lhe aplicavam a surra merecida.
Aí os psicólogos retiraram da jaula um macaco e colocaram no seu lugar um outro macaco que nada sabia dos banhos de água fria. Ele se comportou como qualquer macaco. Foi subir na mesa para comer as bananas. Mas, antes que o fizesse, os outros quatro lhe aplicaram a surra prescrita. Sem nada entender e passada a dor da surra, voltou a querer comer a banana e subiu na mesa. Nova surra. Depois da quarta surra, ele concluiu: nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha. Adotou, então, a sabedoria cristalizada pelos políticos humanos que diz: se você não pode derrotá-los, junte-se a eles.
Os psicólogos retiraram então um outro macaco e o substituíram por outro. A mesma coisa aconteceu. Os três macacos originais mais o último macaco, que nada sabia da origem e função da surra, lhe aplicaram a sova de praxe. Este último macaco também aprendeu que, naquela jaula, quem subia na mesa apanhava.
E assim continuaram os psicólogos a substituir os macacos originais por macacos novos, até que na jaula só ficaram macacos que nada sabiam sobre o banho de água fria. Mas, a despeito disso, eles continuavam a surrar os macacos que subiam na mesa.
Se perguntássemos aos macacos a razão das surras, eles responderiam: é assim porque é assim. Nessa jaula, macaco que sobe na mesa apanha... Haviam se esquecido completamente das bananas e nada sabiam sobre os banhos. Só pensavam na mesa proibida.
Vamos brincar de "fazer de conta". Imaginemos que as escolas sejam as jaulas e que nós estejamos dentro delas... Por favor, não se ofenda, é só faz-de-conta, fantasia, para ajudar o pensamento. Nosso desejo original é comer bananas. Mas já nos esquecemos delas. Há, nas escolas, uma infinidade de coisas e procedimentos cristalizados pela rotina, pela burocracia, pelas repetições, pelos melhoramentos. À semelhança dos macacos, aprendemos que é assim que são as escolas. E nem fazemos perguntas sobre o sentido daquelas coisas e procedimentos para a educação das crianças. Vou dar alguns exemplos.
Primeiro, a arquitetura das escolas. Todas as escolas têm corredores e salas de aula. As salas servem para separar as crianças em grupos, segregando-as umas das outras. Por que é assim? Tem de ser assim? Haverá uma outra forma de organizar o espaço, que permita interação e cooperação entre crianças de idades diferentes, tal como acontece na vida? A escola não deveria imitar a vida?
Programas. Um programa é uma organização de saberes numa determinada sequência. Quem determinou que esses são os saberes e que eles devem ser aprendidos na ordem prescrita? Que uso fazem as crianças desses saberes na sua vida de cada dia? As crianças escolheriam esses saberes? Os programas servem igualmente para crianças que vivem nas praias de Alagoas, nas favelas das cidades, nas montanhas de Minas, nas florestas da Amazônia, nas cidadezinhas do interior?
Os programas são dados em unidades de tempo chamadas "aulas". As aulas têm horários definidos. Ao final, toca-se uma campainha. A criança tem de parar de pensar o que estava pensando e passar a pensar o que o programa diz que deve ser pensado naquele tempo. O pensamento obedece às ordens das campainhas? Por que é necessário que todas as crianças pensem as mesmas coisas, na mesma hora, no mesmo ritmo? As crianças são todas iguais? O objetivo da escola é fazer com que as crianças sejam todas iguais?
A questão é fazer as perguntas fundamentais: por que é assim? Para que serve isso? Poderia ser de outra forma? Temo que, como os macacos, concentrados no cuidado com a mesa, acabemos por nos esquecer das bananas...
RUBEM ALVES
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