TODO MATERIAL POSTADO EM MEU BLOG É DE CONTEÚDO PESQUISADO NA INTERNET OU DE AMIGOS QUE ME ENVIAM, AO QUAL SOU SEMPRE AGRADECIDO.
POUCAS VEZES CRIEI ALGO PARA COLOCAR NO BLOG.
O MEU SENTIMENTO É O DE UM GARIMPEIRO, QUE BUSCA DIAMANTES, E QUANDO ENCONTRA NÃO CONSEGUE GUARDAR PARA SI.

08/11/2008

FRASES DA EDUCAÇÃO 081108


"Uma criança que não brinca



não é uma criança,



mas o homem que não brinca



perdeu para sempre a criança



que vivia nele





e que lhe fará muita falta."
Franz Kafika, escritor tcheco, (1884-1924)

07/11/2008

OS OUTROS

Quando é o desejo de uma escola renovar e alicerçar o seu projeto pedagógico, eis que se depara com "os outros"...Qualquer semelhança das escolas portuguesas com as brasileiras não são meras coincidências.


Questionaram-me: Por que expões a Ponte deste modo?
Porque considero necessário partilhar com outros professores as grandezas e as misérias da nossa profissão, o que, no dizer de Miguel Guerra, é "um modo de reavivar o compromisso com as pessoas e com a ação educativa, que consiste em ajudá-las a ser mais felizes".
O conhecimento das experiências vividas na Ponte poderá ajudar os professores a ultrapassarem decepções.

Como diria Lorraine Moureau, um terço dos professores é muito bom, um terço pode ficar bom, um terço deve mudar de profissão.
Chamemos aos primeiros aquilo que são: professores.
Designemos os segundos por quase-professores.
Os outros serão... "os outros".

Um professor contou-me o sucedido numa reunião de conselho pedagógico, quando propôs que se alargasse a toda a escola um projeto que dera ótimos resultados no seu departamento.
O terço dos professores apoiou.
O terço dos quase-professores quedou-se num silêncio expectante.
Os "outros" pronunciaram-se: Ó colega, isso até pode resultar.
Mas, se der bons resultados, poderá ter de se estender ao resto da escola.
E nós sabemos que isso dá trabalho.
Vamos ter muita gente contra nós.
Na votação, os quase-professores aliaram-se aos "outros", e o projeto foi inviabilizado.

Apesar de a Ponte ter conquistado o direito de escolher os seus professores, alguns "outros" conseguiram introduzir-se na escola.
Instalaram-se, enquistaram-se, degradaram o sistema de relações, fomentaram o aparecimento de guetos, espalharam insinuações com que conseguiram deteriorar laços afectivos.
Assumiram atitudes contrárias ao exercício da autonomia, da solidariedade e da responsabilidade, fragilizando esses esteios da cultura da escola.
Tiveram tempo para explorar a insegurança dos quase-professores e de os manipular. Criaram o cenário ideal para destruir a imagem dos professores mais conscientes e leais ao projeto.
As reuniões foram colonizadas por assuntos de natureza administrativa, esvaziando-se de pedagogia.
Quando se sentiram em maioria, os "outros" (por vezes, apoiados pelos quase-professores) chegaram mesmo a pôr em causa princípios do projecto a que (livremente!) tinham aderido, no que contaram com o beneplácito de pedagogos de gabinete e a conivência de titulares de cargos políticos.

A Ponte avisa os que são professores, como, há séculos, Pestalozzi avisava: "Não sonhes com uma obra acabada. Momentos de extrema elevação se alternam com horas de desordem, de desgostos e de preocupações
".
Ao longo de dezenas de anos, conheci professores que acreditaram nas boas intenções dos poderes e na solidariedade dos seus pares de profissão.
Vi esses professores fazerem maravilhas com os seus alunos, acreditando ser possível melhorar as escolas.
Assisti às suas tentativas de sensibilização dos quase-professores.
Vi os seus projetos serem destruídos pelo cinismo e a maldade dos "outros".
Vi as suas vidas serem destruídas.

Nos debates públicos, predomina a tendência "politicamente correta" de ocultar a existência do que Lorraine Moureau designou pelo terço de professores que deve mudar de profissão.
Pero que los hay, los hay...
E serão, talvez, os maiores responsáveis pela degradação do estatuto da nobre profissão de professor e pela obsolescência da Escola.

Revista Educação (nº 117, janeiro de 2007)

Especialista em Música e em Leitura e Escrita, José Pacheco, de 52 anos, coordena desde 1976 a Escola da Ponte, instituição pública que se notabilizou pelo projeto educativo inovador, baseado na autonomia dos estudantes.
O educador português, que se diz "um louco com noções de prática", é mestre em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto.

06/11/2008

FRASES DA EDUCAÇÃO 051108

Ousa dizer a verdade:
nunca vale a pena mentir.
Um erro que precise de uma mentira,
acaba por precisar de duas.
George Herbert

APRENDER PARA QUÊ?

PALOMA COTES

Rubem Alves é um crítico do sistema de ensino brasileiro.
Mas suas opiniões não carregam rancor contra quem quer que seja.
Para o educador e professor emérito da Unicamp, o problema da escola é que ela não leva em consideração o desejo de aprender das crianças e está respondendo às perguntas que somente os adultos acham importantes. ''Crianças fazem perguntas incríveis'', avisa.
Para Alves, questionamentos como ''quem inventou as palavras?'', ou ''gato podia se chamar cavalo e cavalo se chamar gato?'', são a prova viva do interesse que todo garoto tem por conhecer o mundo.
Mas essa curiosidade investigativa, que leva o aluno a estudar, está longe dos programas escolares. ''Existe uma expressão terrível na escola: grade curricular. Deve ter sido cunhada por um carcereiro'', diz.
Polêmico, propõe a extinção do vestibular e sugere que o processo seletivo para as universidades aconteça através de um sorteio.
Prestes a lançar mais um livro (Presente, Frases, Idéias e Sensações..., Editora Papirus), espera com a nova publicação levar ao público seus pensamentos sobre o amor e a vida. ''Nem que a obra seja lida na privada'', provoca. Educador diz que a escola não leva em consideração o desejo de aprender e está longe de responder às perguntas das crianças






ÉPOCA - O senhor afirma que a maioria das escolas é chata? Por quê?
Rubem Alves - Não é de hoje que a escola é chata.




Ela sempre foi assim e isso acontece porque as coisas são impostas às crianças.




A prova de que uma criança gosta de ir à escola é se, na hora do recreio, ela está conversando com os amigos sobre as coisas que a professora ensinou.




E não se vê isso. Então fica evidente que elas gostam da escola por causa da sociabilidade, dos amiguinhos, por causa do recreio.




Mas elas não estão interessadas naquilo que se ensina na escola.




Você acha que um adolescente, vivendo na periferia, pode ter interesse em dígrafos (grupo de duas letras usadas para representar um único fonema)?




Não tem interesse nenhum.




Existe outra expressão terrível: grade curricular.




Já brinquei que deve ter sido cunhada por um carcereiro. A criança está vivenciando problemas que não têm nada a ver com os assuntos das aulas.




Mas os professores apenas se justificam, dizendo que o programa afirma que é aquilo que se deve ensinar e acabou.




Eu diria que na escola tradicional não se leva em consideração o desejo de aprender da criança. Elas expressam isso através dos questionamentos que fazem.






''Às vezes vejo os professores como esses guias turísticos
que vão todo dia ao mesmo monumento,
levando um grupo diferente
e repetindo as mesmas palavras''



ÉPOCA - Quais questionamentos?
Alves - Se você reparar, as crianças fazem perguntas incríveis para conhecer melhor o mundo. Uma delas é: ''Quem inventou as palavras?''. Há outras boas: ''Gato podia chamar cavalo e cavalo chamar gato?




Por que canteiro chama canteiro?




Devia chamar planteiro, que é onde ficam as plantas!




Por que a chuva cai aos pinguinhos e não toda de uma vez? Se na Arca de Noé havia leões, por que eles não comeram os cabritos?''




E por aí vai.




Elas estão fazendo perguntas interessantes, mas as respostas não se encontram nos programas.


ÉPOCA - Por que o modelo de educação existe há tanto tempo?
Alves - Porque existe certa presunção da nossa parte, da parte dos adultos, de que as crianças não sabem nada, de que elas são vazias.
E de que nós é que temos o saber.
Também achamos que só nós podemos determinar o que elas têm de aprender.
Isso é o que Paulo Freire denominou de educação bancária.
Você vai sempre fazendo depósitos na criança. Houve um diretor de um abrigo para crianças e adolescentes em Varsóvia chamado Janusz Korczak.
No abrigo dele, eram os alunos que exerciam a disciplina.
E Korczak costumava dizer: ''Vocês, professores, me dizem que é muito difícil ensinar às crianças.
Estou de acordo.
E vocês dizem também que é muito difícil descer às crianças.
Estou em desacordo.
O que é muito difícil é subir ao nível de sensibilidade e de curiosidade das crianças, ficar na ponta dos pés, falar brandamente para não machucá-las''.
É por isso que a escola não muda.
Porque as pessoas não estão preparadas para subir ao nível das crianças.


ÉPOCA - Há salvação para esse modelo de ensino?
Alves - Eu passei por esse modelo de escola.
Outros amigos meus passaram e acho que não ficamos tão atrapalhados assim (risos). Aliás, tenho memórias muito interessantes.
A escola tinha muitas coisas boas e, a despeito de tudo, a gente aprende. Mas é uma perda de tempo muito grande.
As escolas estão cheias de pessoas maravilhosas, mas é tanta gente que sofre, é reprovada e repete de ano que não acredito mais nesse modelo.
É preciso esquecer as maneiras tradicionais de fazer escola.
Estamos tão acostumados com a idéia de que a escola tem corredor, sala, campainha, que podemos até pensar em melhorar isso, mas não pensamos que a estrutura pode ser diferente.


ÉPOCA - Então, por que as escolas não mudam?
Alves - Por uma porção de fatores.
Um deles é a inércia.
As pessoas se acostumam a fazer sempre a mesma coisa porque aí elas não têm trabalho.
Se você tiver uma escola mais solta, nunca sabe direito o que vai acontecer, você não pode preparar a lição porque sempre o aluno pode fazer uma pergunta que você não sabe.
Na escola tradicional, o professor é aquele que sabe a matéria e vai para a sala de aula acreditando nisso.
Mas hoje as matérias estão todas na internet.
Hoje, a função do professor é ensinar o aluno a pensar e a descobrir onde ele pode encontrar a resposta para as perguntas que ele tem.
Essa é uma função nova e completamente diferente do professor.
Os que estão acostumados a preparar a aula até costumam usar as fichas do ano retrasado.
Dificilmente vão mudar.


ÉPOCA - Como convencer um professor a se atualizar?
Alves - Acho que muitos desses profissionais estão acordando para isso simplesmente porque não estão mais agüentando o tédio.
Tenho dó dos professores.
Às vezes os vejo como esses guias turísticos que vão todo dia ao mesmo monumento, levando um grupo diferente e repetindo as mesmas coisas.
Isso é muito chato.
Nenhuma pessoa merece viver uma vida desse jeito.


ÉPOCA - O senhor afirma, como educador, que a escola precisa dar aos alunos ferramentas para entender o mundo. O que isso quer dizer na prática?
Alves - Simplificando a minha teoria, digo que o corpo carrega duas caixas: uma de ferramentas e a outra de brinquedos.
O que são ferramentas?
São todos os objetos usados para fazer alguma coisa.
Então, ferramentas não são fins em si mesmos.
E elas são importantes porque nos dão poder.
Um alicate é muito mais poderoso que meu dedo.
E a primeira coisa que a escola tem de perguntar é: isso que eu estou ensinando é ferramenta para quê?
Segundo: o aluno quer fazer isso? Porque não adianta você dar uma ferramenta para a pessoa, um martelo e um prego, se ela quer ser pintora.
A ferramenta só tem sentido se tiver uma demanda, se eu estou querendo fazer alguma coisa.
Se eu estiver interessado em plantar um jardim, vou aprender sobre as plantas, esterco e fertilizantes.
O professor tem de perguntar a si mesmo isso.
Se não for ferramenta, ela não vai ser guardada.




ÉPOCA - Por que não é guardada?
Alves - Se todos os reitores das nossas universidades prestassem vestibular, seriam reprovados.
Porque eles esqueceram.
E fizeram isso porque são burros?
Não. Eles fizeram isso porque são inteligentes.
Porque a memória não carrega coisas que não têm função.
Também seriam reprovados os professores universitários e os dos cursinhos só passariam na própria disciplina.
Eu seria reprovado.
Tudo foi perdido.
Já a caixa dos brinquedos está cheia de objetos que não servem para nada.
Não há formas de usá-los como ferramentas.
Lá estão a poesia de Fernando Pessoa, as sonatas de Mozart, as telas de Monet, pores-de-sol, beijos, perfumes, coisas que apenas nos dão felicidade.
Assim se resume a educação.


ÉPOCA - Mas os alunos precisam ter conhecimentos básicos em áreas como Matemática, Biologia ou Química, não?
Alves - Para quê?
Para passar no vestibular?
Para esquecer tudo?
Quem disse que tem de aprender isso?
Por que eu tenho de aprender logaritmo neperiano?
Não conheço ninguém que tenha usado isso.
Se por acaso eu for precisar um dia na minha vida, estudo e aprendo.
Não preciso me preocupar com isso na escola.
E as pessoas não se dão conta de que todo esse conteudismo é perdido.
Não sobra nada.
Uma amiga minha, professora de Neuroanatomia na Unicamp, dizia que os piores alunos que ela tinha eram esses que apareciam em outdoors de primeiro lugar.
Porque quando ela explica anatomia, um assunto cheio de complexidades, sempre tinha um que levantava a mão e perguntava: ''Professora, qual é a resposta certa?''. Ou seja, ele não entendia que esse negócio de ter sempre uma alternativa certa não existe.
No caso do médico, com um doente terminal, o que ele faz: dá morfina ou continua com a quimioterapia?
Não há resposta certa.
É preciso aprender isso.
E essas coisas não são ensinadas.


ÉPOCA - O senhor chegou a pregar o fim do vestibular. Por quê?
Alves - Já preguei, e quando falo nisso as pessoas acham que estou brincando.
Quando eu era pró-reitor de graduação da Unicamp, queria um vestibular que avaliasse a capacidade de pensar dos alunos, e não a memória.
Um professor me disse: a solução mais fácil é o sorteio.
Dei uma gargalhada.
Mas comecei a pensar e vi que é isso mesmo.
A primeira coisa do vestibular que me morde não é decidir quem entra ou não na universidade, mas a sombra sinistra que ele lança sobre tudo o que vem antes.
As escolas são orientadas para o vestibular, e os pais logo de saída querem as escolas fortes para os filhos passarem no vestibular.
A primeira conseqüência de ter o sorteio é que as escolas seriam livres para ensinar.
Elas não precisariam preparar os alunos para o vestibular.
Então, as pessoas poderiam ouvir música, ler e fazer o que quisessem.
Seria a libertação das escolas para realmente ensinar.
Em segundo lugar, acabariam os cursinhos.
Se tiver sorteio, ninguém pode reclamar.
Sorteio é sorteio.
Acabaria o sofrimento psicológico dos alunos, que têm a auto-imagem destruída. Também acabaria o conflito entre pais e filhos.


ÉPOCA - Mas um vestibular por sorteio poderia ter muita injustiça?
Alves - Várias pessoas me dizem isso.
Claro que poderia, mas não do tamanho da injustiça que existe no atual sistema de vestibular, que nada mais é que uma grande perda de tempo, de dinheiro, de inteligência e de conhecimento.
Também me perguntam se qualquer aluno, sem o menor preparo, poderia entrar na universidade.
Respondo que não.
Haveria no final do ensino médio um exame no país inteiro para verificar se os alunos atingiram um ponto mínimo exigido.
E não seria classificatório.
Quem passasse poderia participar do sorteio.
Quem fosse reprovado poderia refazer a prova depois.


ÉPOCA - É polêmico...
Alves - Não acho, não. Acho que é uma solução óbvia.
É mais inteligente que o modelo que existe atualmente.
E menos danosa.


ÉPOCA - Como educador, o senhor não se dedica apenas a escrever livros voltados para o tema. Também tem publicações em formato de contos, prosa e versos. Por quê?
Alves - Eu não tenho livros de teoria.
Escrevo contos e faço isso brincando.
Então, sinto prazer mesmo quando estou falando sobre coisas teóricas.
Mas sempre abordo o tema da educação por meio de metáforas.
Inclusive sob a forma de poesia.
Por isso muita gente não me leva a sério.
Dizem que o Rubem Alves não é cientista.
Não sou mesmo.
E nem quero ser.
Cientistas, já temos em excesso.


ÉPOCA - E este último livro nasceu como?
Alves - Escrevo muita coisa e, no meio dessas, de algumas eu gosto mais.
É como se fossem snap shots, instantâneos da alma.
Neste livro, há uma série deles.
Você pode abrir em qualquer lugar.
Não tem argumento, não quer provar nada, não há nenhuma tese.
Uma vez escrevi uma crônica sobre a função cultural das privadas.
Essa palavra é considerada feia.
Quando se fala numa festa, o dono da casa retruca ''o banheiro'', ''o toalete'' e, quando você chega lá, é privada.
Esse nome é tão bonito, tem a ver com privacidade, com estar sozinho, onde ninguém te interrompe.
Lá é lugar escolhido por muitas pessoas para ler jornal.
Um lugar de erudição, de conhecimento.
Então, sugeri aos artesãos que fizessem umas miniestantes para instalar na frente do ''trono''. Nelas poderia ser colocada uma série de livros. Mas livros que tenham textos curtinhos.
Aí a pessoa pode aproveitar para pensar, refletir.
Acho que esse meu novo livro daria muito bem para esses momentos

04/11/2008

ORIENTADOR EDUCATIVO

Aqui contém o perfil de um educador de uma escola, a Escola da Ponte.
Achei muito profundo a proposta de um Educador ideal.

PERFIL DO ORIENTADOR EDUCATIVO - Muito além de apenas ser um professor.

a) Cumpre com pontualidade as suas tarefas, não fazendo esperar os outros.

b) É assíduo e, se obrigado a faltar, procura alertar previamente a Escola para a sua ausência.

c) Revela motivação e disponibilidade para trabalhar na Escola.

d) Contribui, ativa e construtivamente, para a resolução de conflitos.

e) Contribui ativa e construtivamente para a tomada de decisões

f) Toma iniciativas adequadas às situações.

g) Alia, no desempenho das suas tarefas, a criatividade à complexidade, originalidade e coerência.

h) Apresenta propostas, busca consensos, critica construtivamente.

i) Produz ou propõe inovações.

j) Procura harmonizar os interesses da Escola e do Projeto com os seus interesses individuais.

k) Age de uma forma autónoma, responsável e solidária.

l) Procura fundar no Projeto os juízos e opiniões que emite.

m) Domina os princípios e utiliza corretamente a metodologia de Trabalho de Projeto.

n) Assume as suas falhas, evitando imputar aos outros ou ao coletivo as suas próprias incapacidades.

o) Procura dar o exemplo de uma correta e ponderada utilização dos recursos disponíveis.



2- RELATIVAMENTE AOS COLEGAS

a) Está atento às necessidades dos colegas e presta-lhes ajuda, quando oportuno.

b) Pede ajuda aos colegas quando tem dúvidas sobre como agir.

c) Permite que os colegas o(a) ajudem quando precisa.

d) Mantém com os colegas uma relação atenciosa, crítica e fraterna.

e) Reconhece e aceita criticamente diferentes pontos de vista, procurando ter sempre o Projeto como referência inspiradora.

f) Procura articular a sua ação com os demais colegas.

g) Apoia ativamente os colegas na resolução de conflitos.

03/11/2008

"SEU" WALTER

A professora Márcia, responsável pelas aulas de Redação das quintas e sextas séries, tinha mesmo idéias geniais.
Os temas que escolhia permitiam profundos mergulhos na alma dos alunos e as redações, além de refletir o conhecimento de suas técnicas, a riqueza do vocabulário e a estrutura da língua, abriam espaço para que cada um passasse a limpo suas alegrias, frustrações, mágoas, ansiedades, inseguranças e, principalmente, fantasias.
E quantas fantasias...
Desta vez, entretanto, o tema indicado parecia nada ter de original.
Pedia aos alunos, apenas, que descrevessem suas opções para “A pessoa mais importante da minha escola”.
Com certa expectativa, até mesmo porque o tema passado em aula não abrigava a possibilidade recíproca de consultas, ficou aguardando quem poderia vencer o pleito.
Com singela vaidade, pensou em si mesma, mas, depressa, afastou a idéia.
Deveria ser o Márcio, professor de História, com seu jeitão amigo, seu sorriso simpático e a comovente ternura com que derretia os ansiosos corações das meninas.
Não seria, por acaso, o Sérgio?
Professor de Matemática que alternava do mau ao bom humor com freqüência, mas que amava os números muito mais que a si mesmo.
E se fosse a professora Mirian, diretora e dona da escola e que, muito estimada pelos pais, sabia fazer com sutil esperteza sua autopromoção?
Com sincera curiosidade, aguardou a resposta.
Viu no “jogo do contente” da sua vida essa busca, até mesmo como pretexto para tornar mais doce o fardo da correção.
As opiniões dos alunos, em sua segura maioria, surpreendeu-a porém.
A escolha de três em cada cinco alunos recaiu sobre a figura do “seu” Walter: responsável pelos diários de classe, giz, apagador, retroprojetores, telas, mapas, telões e um mundo mais; e ainda improvisado provedor de aventais, lanches esquecidos, caixinhas de giz abandonadas, cadernos perdidos, romances secretos.
Sem acumular as informações técnicas dos mestres que por ele passam agitados, sem o domínio das novidades que a criançada tem na ponta da língua, “Seu” Walter acumula a paciência da vida, a serenidade dos tempos, a sabedoria do sofrimento.
Felizes são todos quantos podem acumular o privilégio de percebê-lo.
Por alguns minutos ficou surpresa. “Seu” Walter?
Quem diria? Pequeno, lacônico, simples, quase nada na visão utópica dos que buscam heróis; pessoa importante de verdade na sensibilidade pura de crianças, que descobrem que pessoas imprescindíveis não são as que surgem em momentos mágicos, mas a figura constante, humilde, segura, serena, que garante a certeza de que o essencial não precisa de qualquer artificialismo para ser descoberto.
“Seu” Walter era apenas um tijolo da monumental construção que é o ensino; mas são tijolos pequenos as peças imprescindíveis que sustentam as catedrais do saber.


CELSO ANTUNES
Do Livro Marinheiros e Professores
Crônicas simples sobre escola, ensino, disciplina, inteligências emocionais,
criatividade, construtivismo, inteligências múltiplas, professores, alunos...
Editora Vozes

02/11/2008

MONTE CASTELO

Composição: Renato Russo (recortes da carta de Paulo aos Corintios e de Camões).

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja
Ou se envaidece...

O amor é o fogo
Que arde sem se ver
É ferida que dói
E não se sente
É um contentamento
Descontente
É dor que desatina sem doer...




Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria...

É um não querer
Mais que bem querer
É solitário andar
Por entre a gente
É um não contentar-se
De contente
É cuidar que se ganha
Em se perder...

É um estar-se preso
Por vontade
É servir a quem vence
O vencedor
É um ter com quem nos mata
A lealdade
Tão contrário a si
É o mesmo amor...

Estou acordado
E todos dormem, todos dormem
Todos dormem
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade...

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua do anjos
Sem amor, eu nada seria...

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