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02/05/2009

GRIPE SUINA É BOM SABER


Existem vários tipos de vírus de gripe suína?
A crise atual é causada por qual vírus?

Há quatro tipos principais de gripe suína: H1N1, H1N2, H3N1 e H3N2. Cada tipo é nomeado de acordo com a variante das proteínas externas que ele possui.


Um vírus pode ser mais letal que o outro? Por quê?

Sim. Isso vai depender de quão diferente o vírus é de outros anteriores, pois um vírus muito diferente não encontra imunidade prévia.
Também é importante o tipo de resposta imune que ele desencadeia.
Aparentemente, a linhagem que causou a gripe espanhola em 1918 produz uma resposta imune muito violenta nos infectados.

Interações entre o vírus e as células infectadas, que propiciem uma replicação maior, por exemplo, com certeza têm um papel importante, mas ainda não está claro como isso acontece.


Há como impedir que o vírus seja passado de pessoa para pessoa?

Os métodos mais eficazes são o tratamento dos doentes e evitar eventos que aglomerem multidões. Individualmente, lavar as mãos é uma das formas mais eficientes de se proteger. Não tenho claro se as máscaras respiratórias realmente protegem as pessoas de contrair o vírus ou impedem os infectados de contaminarem outras pessoas.


As vacinas contra a gripe suína são eficientes?

Para que a vacina atual seja eficiente contra o H1N1, é necessário que pedaços dele sejam utilizados na formulação. Mesmo que isso aconteça, vacinas contra a gripe costumam ser planejadas com meses de antecedência, pois demoram para ser produzidas em quantidade suficiente, e o vírus muta muito e pode "escapar" da vacina. Ainda não sabemos qual o tipo de mutação que o vírus pode sofrer, de modo que, mesmo se começarmos a produzir vacinas agora, elas podem ser apenas parcialmente eficazes.


Por que essa epidemia pode ser considerada perigosa?

Por uma série de motivos.
Trata-se de um vírus bem diferente do que circula entre humanos e, possivelmente, não temos anticorpos para ele.
O vírus da gripe aviária é muito letal, mas não consegue se espalhar de humanos para humanos, possivelmente porque é bem adaptado para o tipo receptor (proteínas que ele usa para se ligar), mais comum em aves.
Mas o vírus da gripe suína usa receptores de mamíferos, e já se mostrou eficiente na transmissão entre humanos, tanto que o WHO subiu o nível de alerta para 4.

Já foi levantado também que o vírus da gripe suína pode estar matando jovens, que possuem um sistema imune em bom estado, e isso é muito preocupante.
Essa é uma característica (até agora) única do vírus de 1918. Ainda não sabemos qual a letalidade do vírus, uma vez que não está nem claro qual o número real de infectados.


O que é pandemia e quais os riscos?

Pandemia é o nome que damos para uma epidemia generalizada, que atinge muitas pessoas.
É difícil de avaliar os riscos atualmente, não sabemos o número real de infectados. Por isso, o WHO classifica o risco de uma pandemia em estágios de alerta.
Independente de este vírus causar uma pandemia, outro fator importante é a letalidade que ele pode atingir, que, como disse, ainda não sabemos.


Referências: http://scienceblogs.com.br

FRASES DA EDUCAÇÃO 02/05/09

Será que uma das causas fundamentais da não-aprendizagem não estaria justamente no fato de considerarmos o aluno apenas do ponto de vista acadêmico e não o todo de sua pessoa?
Como se sentiria o filho cuja mãe só se preocupasse com sua roupa?
Estaria muito bem vestido, mas e suas outras necessidades (alimentação, segurança, afeto, sentido de vida)?
Analogamente, como será que se sentem os alunos, quando só nos preocupamos com o domínio dos saberes escolares?

JOSÉ PACHECO

01/05/2009

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA




François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um novo ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estive em um bairro cheio de conflitos.
Os mestres têm boas intenções e desejo para oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais - microcosmo da França contemporânea - esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo.
François quer surpreender os jovens ensinando o sentido da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos.

A nossa amiga de ideal Ivana Contrucci indicou esse filme muito bom sobre a Educação.


Vale a pena assistir.
Não costumo criar links para downloads de filmes, mas quem quiser baixá-lo se não encontrar nas locadoras pode ir nesse endereço.
Ou digite no Google o nome do filme que apareceram links para Downloads.










SEGUNDO O CINEMA UOL
Existe um fosso que separa o professor e os alunos que protagonizam o filme "Entre os Muros da Escola", vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. No microcosmo de uma sala de aula, a expressão "choque de civilizações" poderia ser usada para sintetizar a relação entre eles.


Há uma diferença cultural e social que gera incompreensão e atrito entre ambas as partes, em um retrato do que seria a França contemporânea. Os muros da escola não são os únicos que revelam uma divisão e uma impenetrabilidade entre dois lados. Há também outros muros invisíveis que estão sugeridos no filme.


De um lado desse muro está François Marin, um professor de francês vivido por François Bégaudeau, que também é o autor do livro homônimo no qual "Entre os Muros da Escola" é baseado. De outro, está um grupo de alunos entre 13 e 15 anos composto por negros africanos, asiáticos latino-americanos e franceses.

François pode ser visto como um educador, em um primeiro momento, mas também como uma espécie de colonizador. Seu sobrenome Marin, que pode ser traduzido ao português como marinheiro, sugere alguém que é desbravador dos mares e de novas terras. Seu esforço em fazer com que seus alunos incorporem o idioma francês pode ser interpretado como uma espécie de "processo civilizador" imposto a esses alunos de diferentes etnias.


Professor na vida real, François Bégaudeau atua em filme inspirado em seu livro
A linguagem é o grande campo de batalha onde é travado esse conflito cultural. O filme se sustenta basicamente apenas com longos diálogos, e muitos deles trazem o frescor do improviso. Sem um roteiro em mãos, os jovens puderam criar seus próprios diálogos, o que dá a sensação de que a realidade daqueles garotos invadia a ficção de "Entre Muros".

A invasão da realidade no filme também se dá através do nome dos personagens, que é a mesma dos jovens na vida real. Porém, duas exceções merecem menção. Khoumba, vivida por Rachel Régulier, é uma aluna chamada de insolente por se recusar a atender uma ordem do professor. Souleymane, interpretado por Franck Keïta, é o garoto problemático que se indispõe com o professor e seus colegas.

São os dois personagens "rebeldes" e principais questionadores da autoridade de François. Apresentá-los como personagens fictícios parece querer desvinculá-los do mundo real. É como se a visão deste filme francês fosse apenas capaz de ver o "verdadeiro" outro como o "bom selvagem", aquele personagem de outra etnia que se esforça a assimilar a cultura francesa. Talvez por isso, os professores lamentem a possibilidade de deportação do chinês Wei, um aluno dedicado no estudo do francês e bom moço, mas se reúnam para discutir a expulsão de Souleymane, um personagem que vemos falar um outro idioma.

O filme reforça uma visão colonizadora a partir do ponto de vista de alguém que se toma, mesmo que inconscientemente, como a "civilização". Assim, o outro se torna o retrato da rebeldia que deve ser conquistado através da assimilação da cultura da "civilização".

Para o público brasileiro, a imagem de alunos que questionam a autoridade do professor e até mesmo são agressivos possibilita outra discussão. Trata-se de um retrato que talvez não seja diferente do que vemos em escolas brasileiras, em que é comum o relato de desrespeito ao mestre. Mas a escola em si não parece ser o principal foco do filme. Tanto que o título original se refere apenas aos muros. A menção à escola no título é uma inclusão da distruibuidora do filme no Brasil.

COUSINET


Roger Cousinet nasceu na França em 1881 e morreu em 1973.
Cousinet formou-se na Escola Normal Superior, licenciando-se em Letras pela Sorbonne.
Pertencente ao grupo dos fundadores da Escola Nova, Cousinet compartilhava as idéias de Claparède, Ferrière e outros.

Em 1922, Cousinet criou a Revista Nouvelle Éducation que seria um instrumento privilegiado de difusão das idéias da Escola Nova.
Em 1945 ele publica seu mais conhecido trabalho: "Une méthode libre de travail en groupes".

Cousinet sempre procurou articular teoria e prática pedagógica seja como professor, inspetor formador ou pesquisador e era um adepto da psicologia experimental, como muitos de sua época.

O jogo é a base do Método Pedagógico Cousinet de trabalho em grupo.
Para ele o jogo, a brincadeira, eram atividades naturais da criança e portanto, a atividade educativa deveria ser fundamentada nessas atividades.
Cousinet considera a criança como ela é e não como o adulto que deverá vir a ser.

Cousinet valorizava a auto-confiança dos alunos.
Não havia resultados pré-determinados para avaliar o desempenho dos alunos, nem se media seu trabalho por notas.
Os resultados dos trabalhos das crianças eram aceitos, do jeito que pudessem ser realizados.
Se a realização não era a desejável, não se culpava a criança.
Havia uma crença nas possibilidades de cada um em relação ao seu próprio crescimento intelectual e moral.
As tarefas para os alunos não seguiam hierarquias ou ritos.
Cousinet acreditava que os aspectos desconcertantes desapareceriam por si próprios ao termo de uma evolução natural.

Na realidade Cousinet substituiu a pedagogia do ensino pela pedagogia da aprendizagem.
Criticava os métodos escolares de ensino vigentes e os saberes factuais, informativos que condenava.
Para ela o que importava eram os saberes operacionais.
Aprende-se a ler para conhecer o pensamento escrito, aprende-se a escrever para expressar o pensamento. Com o que se aprende pode-se fazer muita coisa.
Com o que se decora, muito pouco. O professor, desta forma, não deveria expor o saber aos alunos.
Trabalhava-se em grupo para realizar descobertas coletivamente.

Construir o saber é construir métodos de trabalho utilizando os instrumentos adequados (observação, experimentação, análise de documentos ...)
Só se aprende, portanto, o que se pesquisa e não o que nos informaram.
A lógica da aprendizagem, dentro desta perspectiva se transforma.
A ordem pré-estabelecida pelos professores cede lugar à ordem das preocupações que determinados temas suscitam nos alunos.

Cousinet não trabalhava com os centros de interesse da mesma forma que Dècroly.
Não havia um esquema de temas organizados que o professor devia seguir.
A liberdade de construção do saber é fundamental em sua teoria.
Não há horários fixos para disciplinas, separação entre elas, nem notas, nem classes, somente a liberdade de aprender.
O trabalho em grupo ocupa lugar de destaque na Pedagogia de Cousinet.
As crianças se organizam livremente, escolhem seu grupo, trabalham com seus pares e adquirem a capacidade de corrigir seus trabalhos.

Uma concepção de educação centrada no aluno, sujeito do seu próprio conhecimento, decidindo o que aprender e quando aprender, assimilando seu erro e corrigindo seus próprios trabalhos.

30/04/2009

RENOVAÇÂO SEMPRE

O DIA MAIS DIFÍCIL...
FOI ONTEM...
Edmilsom Cornia

EDUCAÇÃO E ARTE

EDUCAÇÃO E ARTE
Aprendi com meu povo o verdadeiro significado da palavra educação ao ver o pai ou a mãe da criança indígena conduzindo-a passo-a-passo no aprendizado cultural.

Pescar, caçar, fazer arco e flecha, limpar peixe, cozê-lo, buscar água, subir na árvore.
Em especial, minha compreensão aumentou quando, em grupo, deitávamos sob a luz das estrelas para contemplá-las procurando imaginar o universo imenso diante de nós, que nossos pajés tinham visitado em sonhos.
Educação para nós se dava no silêncio.
Nossos pais nos ensinavam a sonhar com aquilo que desejávamos.
Compreendi, então, que educar é fazer sonhar.
Aprendi a ser índio, pois aprendi a sonhar.
Ia para outras paragens.
Passeava nelas, aprendia com elas.
Percebi que, na sociedade indígena, educar é arrancar de dentro para fora, fazer brotar os sonhos e, às vezes, rir do mistério da vida.
Descobri, depois, que, na sociedade pós-moderna ocidental, educação significa a mesma coisa: tirar de dentro, jogar para fora.
Mas isso fica só na teoria.
Decepcionei-me ao ver que os professores faziam o contrário.
Punham de foram para dentro.
Os sonhos ficavam entalados dentro das crianças e jovens.
Não tinham tempo para sair.
Aprender, para o ocidental, é ficar inerte ouvindo um montão de bobagens desnecessárias.
As crianças não têm tempo para sonhar, por isso acham a escola uma grande chatice.
Não escolhi ser índio, esta é uma condição que me foi imposta pela divina mão que rege o universo, mas escolhi ser professor, ou melhor, confessor de meus sonhos.
Desejo narrá-los para inspirar outras pessoas a narrar os seus, a fim de que o aprendizado aconteça pela palavra e pelo silêncio.
É assim que “dou” aula: com esperança e com sonhos...

Daniel Munduruku é graduado em Filosofia,
tem licenciatura em História e Psicologia e é doutorando em Educação na Universidade de São Paulo.
É autor conhecido nacional e internacionalmente.
Vários de seus livros receberam prêmios no Brasil e no exterior.

28/04/2009

O QUE É EDUCAÇÃO

"A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria." Paulo Freire

"É no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade." Immanuel Kant

"A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida." John Dewey

"A educação do homem começa no momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se instrui." Jean Jacques Rousseau

"A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tam pouco a sociedade muda." Paulo Freire

"Educação gera conhecimento, conhecimento gera sabedoria,e, só um povo sábio pode mudar seu destino." Samuel Lima

JOSÉ PACHECO E A ESCOLA DA PONTE

Escola da Ponte: um exemplo prático de uma Nova Escola !


1 - Por que a Escola da Ponte existe tal qual ela é?

Não será por mero capricho. Foi sendo construída ao longo de quase trinta anos, sobre as ruínas de um modelo de escola tradicional, que somente engendrava (e ainda engendra.) insucesso, abandono, exclusão.

O que a distingue de muitas escolas é mais o fato de poucos vestígios da Escola dita tradicional nela poderem ser referenciados. Distingue-a a elevada qualidade das aprendizagens. Distingue-a, sobretudo a qualidade da relação entre as pessoas que nela habitam, e que pode ser partilhada por aqueles que a visitam. Existe para provar que uma escola pública para todos não é incompatível com a garantia da qualidade e da excelência acadêmica.

2 - Como se dá a organização do trabalho na Escola da Ponte? Qual o papel do aluno nesta organização?

Na atual situação da Ponte (de "crise de crescimento"), não poderei falar de uma "autonomia total" no trabalho dos alunos. E, mesmo em tempo dito normal, a autonomia é sempre algo que se reaprende todos os dias. Os alunos elaboram os seus planos, não há um plano igual a outro, mas para aí chegar, as crianças e jovens fazem um longo caminho de múltiplas aprendizagens.

Aprendem a ser autônomos, mas não a serem "umbiguistas". Aprendem que a sua liberdade começa onde começa a liberdade do outro. E sabem distinguir liberdade de libertinagem. As nossas crianças não são educadas apenas para a autonomia, mas através dela, nas margens de uma liberdade matizada pela exigência da responsabilidade. Buscamos uma escola de cidadãos indispensável ao entendimento e à prática da democracia. Procuramos, no mais ínfimo pormenor da relação educativa, formar o cidadão sensível e fraterno. Para exercer a solidariedade é necessário compreendê-la, vivê-la em todo e qualquer momento. Na Ponte, cada criança age como participante de um projeto de preparação para a cidadania no exercício da cidadania. O aluno sente-se participante e, também por essa razão, as aprendizagens que realiza são significativas e integradoras.

3 - Como acontece, na Escola da Ponte, a relação entre o desenvolvimento de competências e a necessidade de se cumprir o programa determinado pelo currículo objetivo, baseado no currículo nacional?

Para além de reproduzirem um modelo obsoleto e produzirem insucesso, muitas escolas descuram dimensões formativas essenciais, sob o pretexto de nem sequer "terem tempo para dar o programa oficial". Sem nos abstrairmos dos objetivos de instrução, é necessário conferir atenção à formação pessoal e social dos alunos. A excelência acadêmica, que todas as escolas deverão visar, terá de ser concomitante com o contemplar da dimensão da educação dos afetos, da emoção, a dimensão estética.

As aprendizagens vão a par. O domínio atitudinal não é independente do domínio cognitivo. Envolvidos numa estrutura que propicia uma aprendizagem ativa, os alunos da Ponte aprendem a ser pessoas e a verem os outros como pessoas, adquirem competências essenciais e apreendem todo o programa contido no currículo nacional. A descrição dos dispositivos que permitem esse duplo objetivo seria muito extensa. Melhor será fazer uma visita à escola e ouvir as explicações das crianças.

4 - Qual a função da tecnologia/computadores na escola?

As tecnologias de informação e comunicação são mais um (importante) dispositivo pedagógico. Nos computadores, os alunos produzem texto, elaboram gráficos, desenham projetos. Na Internet, procuram e selecionam (criticamente) informação que, depois, tratam, reelaboram e comunicam aos outros.

5 - Mudar o foco para o desenvolvimento de competências e habilidades implica, além da mudança de postura da escola, um trabalho pedagógico integrado em que se definam as responsabilidades de cada professor nessa tarefa. Como isso foi "resolvido" na Escola da Ponte? Que tipo de atividades formativas foram/são realizadas com o professor? Quais são as competências imprescindíveis que um professor deve possuir para realizar seu trabalho na Escola da Ponte?

No campo da formação (como em tudo.), estamos ainda a começar. Nos anos setenta, o círculo de estudo foi o alfobre da formação que viabilizou o exercício de uma praxeologia fundadora das primeiras mudanças. Nos anos oitenta, a necessidade de especialização sem riscos de disciplinarização fez rumar à Universidade. Mas a formação essencial é feita aprendendo com quem aprende. E há o ritual dos encontros semanais de professores e mensais com os pais dos nossos alunos.

Os professores são trabalhadores da educação ao serviço de um projeto que uma comunidade adota.

Partindo desta definição do conceito de professor, a sua cultura pessoal e profissional reformular-se-ia - e o seu estatuto social ficaria mais valorizado - se livremente aderisse ao "projeto do seu sonho" e responsavelmente assumisse o cumprimento dos objetivos desse projeto.

A competência básica dos professore que contratamos (o contrato de autonomia permite que, ao contrário do que acontece nas restantes escolas da rede pública, a Ponte possa escolher os seus professores) será o ser pessoa. Onde não existir uma pessoa, não será possível colocar um profissional professor.

Os professores da Ponte aprendem a potenciar a sua formação experiencial (quase sempre forjada no ensino dito tradicional) e a reelaborar a sua cultura pessoal e profissional. Aprendem a abandonar, sem inseguranças, o seu anterior refúgio de sala de aula, para passarem a partilhar espaços comuns, no exercício de uma solidariedade que substitui o tradicional umbiguismo docente.

6 - Como você definiria a gestão da Escola da Ponte?

É marcada pela simplicidade dos processos e pela eficácia. Cumpre-se o primado da pedagogia sobre o da administração. Pôs-se fim à burocracia.

7 - Como as famílias dos alunos reagem com a metodologia adotada na escola?

Os projetos são objetos frágeis, precários, sujeitos a contingências...
Houve um tempo de criação de sustentabilidade do projeto, de os pais aprenderem e de nós aprendermos com eles, o tempo de as crianças se adaptarem a novos modos de aprender e de nós adaptarmos a escola a todos e a cada um. Depois, houve ainda o tempo de fundamentar. Trinta anos depois, veio o tempo de consolidar e recomeçar.

Os pais são pessoas inteligentes e desejam o melhor para os seus filhos.

Quando lhes é explicado o porquê da mudança, compreendem e aceitam a mudança. Quando os pais crescem com o projeto, defendem-no. E, quando muitos pais já são ex-alunos da Ponte, tudo fica mais simples.

A Ponte é uma escola pública, mas a sua racionalidade e prática nada tem a ver com o modelo de escola pública instituído. Contrariamos a lei quando ela se opunha a que fizéssemos dos nossos alunos seres mais sábios, mais felizes e mais pessoas. Transgredimos fundamentando a transgressão. Foi suficiente.

8 - Para a Escola, o que significou o Contrato de Autonomia assinado com o Ministério da Educação no início deste ano?

O primeiro "contrato de autonomia" alguma vez firmado entre uma escola pública e o Estado significa o reconhecimento da qualidade do projeto "Fazer a Ponte", a "legalização" do projeto (quase tudo o que foi instituído na Ponte não tinha cobertura legal.), bem como novas responsabilidades.

E talvez inaugure uma nova era, motivando outras escolas para a assunção de uma efetiva autonomia.

9 - Na sua opinião, que significado a Escola da Ponte tem para seus alunos, seus professores e a comunidade?

Talvez o dar sentido às suas vidas, dando sentido à escola.

10 - E para você?

Para um professor aposentado como eu significa continuar lá, enquanto mo consentirem e eu me considerar útil.

Continuo dirigindo os meus passos para a Ponte, por solidariedade para com aqueles que dão continuidade ao projeto, e por considerar que tudo o que foi construído em quase trinta anos não foi mais que um andaime.

É da natureza de qualquer projeto estar sempre em fase instituinte. E , na Educação, está sempre quase tudo por fazer.

27/04/2009

CÓDIGO MORSE


A telegrafia foi inventada por Samuel Finley Breese Morse, nascido em 27 de abril de 1791, em Charlestown, Massachusetts, Estados Unidos.

Estudou no Yale College, onde se interessou por eletricidade.

Em 1832, durante uma viagem de navio, participou de uma conversa sobre o eletroímã, dispositivo ainda pouco conhecido.
Em 1835 construiu finalmente seu primeiro protótipo funcional de um telégrafo, pesquisando-o até 1837, quando finalmente passou a dedicar-se inteiramente ao seu invento.
Em meados de 1838 finalmente estava com um código de sinais realmente funcional chamado Código Morse.

Conseguindo em 1843 recursos financeiros para seu invento através do Congresso norte-americano, em 1844 foi terminada a primeira linha telegráfica ligando Baltimore a Washington, DC, quando se deu a primeira transmissão oficial cuja mensagem foi: "What hath God wrought!" (Que obra fez Deus!)

A telegrafia foi muito utilizada pelas corporações militares.
A partir da Segunda Guerra Mundial perdeu força com a utilização do Single Side Band, sendo completamente extinta das corporações com o invento do rádio pacote.

Samuel Morse faleceu em 2 de abril de 1872, em Nova York.

Ainda hoje o Código Morse é utilizado no mundo inteiro pelo radioamadorismo.

Apesar de Morse como se pode comprovar na realidade não ter criado grande parte do telégrafo nem sequer do código que usamos nos dias de hoje, não se deve tirar o mérito a este grande homem pois foi ele o principal interessado e dinamizador do telégrafo e do código Morse.



O Código Morse
o Código Morse atual foi inventado não por Samuel Morse mas por Franklin T. Pope, contudo o que é na realidade o Código Morse?
O Código Morse representa os caracteres através de “pontos e traços” correspondendo estes a impulsos elétricos e resultando daí sinais acústicos ou luminosos de um certa duração.


26/04/2009

RECUSROS TECNOLÓGICOS

Há uns dias recebi de um grupo ligado a educação, o que eu chamaria - a visão de um educador que sabe o que é educação.
Meu amigo Walter, um dos grandes motivos de me fazer amar a educação.
Fazendo faculdade de pedagogia, a todo o momento que leio algo me vem a mente a lembrança desse amigo, pois em todo tempo de convívio com ele, aprendi o que agora vejo na faculdade.
Com toda bagagem que adquiri com ele, fiz uma grande preparação de conhecimento para agora ingressar na pedagogia.

Vejam a sua visão com relação aos recursos técnicos que muitas escolas e pais acham de suma importância.

Amigos,
Concordo com todos os que afirmaram que, mesmo não tendo recursos avançados, ainda temos a criatividade, a boa vontade e o amor ao trabalho.

É interessante notar como grandes educadores trabalharam:

Sócrates não tinha escola, nem matrículas, salas de aulas, quadro-negro (ou verde ou branco), giz (ou pincel), nenhum recurso informatizado.
Tinha somente a si mesmo, sua mente e seu coração e sua tremenda capacidade de dialogar.
As idéias de Sócrates serviram de base para a Academia de Platão e o Liceu de Aristóteles, as duas maiores escolas da Grécia antiga.

Da mesma forma, Jesus, o pedagogo por excelência, tinha como recurso a natureza e a si mesmo.

Rousseau exaltou a natureza ao contrário dos métodos artificiais da época da Monarquia Absolutista da França...

Pestalozzi seguiu os mesmos passos, ampliando extraordinariamente a educação baseada em métodos naturais...

Froebel criou o Jardim da Infância, criando um ambiente em tudo semelhante à própria natureza.

Decrolye criou a famosa Escola da Ermida copiando a natureza, criando jardins, pomares, criação de animais, etc...

Freinet desceu da cátedra artificial e saiu da sala de aula, criando a aula passeio, em contato direto com a natureza...

Nenhum deles tinha DVD, vídeo, computadores, data show, etc...

Não estamos falando tudo isso para depreciar os modernos recursos que, se os tivermos, devemos utilizar, é claro...
Mas apenas afirmar, que, na falta deles, nós temos a NATUREZA, inúmeros recursos naturais, um conteúdo que desperta o interesse de imediato, se soubermos trabalhar com ele....
...

Às vezes, fico imaginando Jesus com a barra de sua manta molhada ao sair da barca de Pedro, poeira nos cabelos, suor escorrendo pela face nas longas caminhadas, o Mestre andando alegre com seus discípulos e amigos... Vivendo aquele momento e não apenas ensinando.

Walter

VÁRIOS CURSO SOBRE EDUCAÇÃO