O professor repete o mesmo currículo de seus antecessores e, assim, a escola continua parada no tempo com alunos indisciplinados e desmotivados, passando conhecimentos que em nada servem para a vida social, profissional e pessoal.
Que deve fazer o professor consciente e comprometido com seu trabalho? Investir em sua formação, continuá-la para não frustrar-se profissionalmente, para poder exigir respeito e, mesmo, melhorias salariais.
O dia cheio e estafante não reserva tempo para a leitura, o estudo, a preparação de aula. Os cursos propostos, geralmente aos sábados ou em horários impossíveis, não atraem o professor que, ao menos, nos fins de semana, quer ficar com a família e muitas vezes com os cadernos e provas para corrigir.
Entretanto, "o profissional do futuro (e o futuro já começou) terá como principal tarefa aprender. Sim, pois, para executar tarefas repetitivas existirão os computadores e os robôs. Ao homem competirá ser criativo, imaginativo e inovador" (Seabra, 1994:78).
Diante desse quadro, não é utopia desejar uma escola de ensino fundamental e médio com eqüidade, que ofereça bom ensino, que prepare para os desafios da modernidade?
O professor sai da universidade apenas com um diploma. Não está preparado para ensinar, não domina o conteúdo, não conhece metodologias eficazes, falta-lhe estímulo para enfrentar uma classe agitada, indisciplinada, apática e passiva.
A oferta de vagas, pelo menos na rede pública estadual de São Paulo, aumentou, e atende a quase toda a demanda. A muitas escolas está chegando a tecnologia: TV, vídeo, computador. A burocratização cede um pouco e confia à Diretoria Regional de Ensino autonomia para dirigir suas escolas. Estas recebem verbas e podem aplicá-las conforme suas necessidades.
Entretanto, apesar dessas melhorias, muitas dessas conquistas do professorado, a escola não avança, o nível de ensino continua precário, a desmotivação de professores e alunos atinge o grau máximo.
Não acreditamos que a solução esteja tão somente na justa remuneração do professor. Ela tem que envolver outros setores e de modo global e profundo. A escola está à margem da sociedade, não dispõe dos atrativos da mídia: esportes, brinquedos, diversões. O professor, sem base sólida cultural e específica, não tem descortino e firmeza para construir com o aluno o conhecimento. Ambos pararam no tempo.
Alonso desenha o perfil do novo profissional:
Torna-se um profissional efetivo, em contraposição ao tarefeiro ou funcionário burocrático; Esse profissional terá que ser visto como alguém que não está pronto, acabado, mas em constante formação; Um profissional independente com autonomia para decidir sobre o seu trabalho e suas necessidades; Alguém que está sempre em busca de novas respostas, novos encaminhamentos para seu trabalho e não simplesmente um cumpridor de tarefas e executor mecânico de ordens superiores e, finalmente, alguém que tem seus olhos para o futuro e não para o passado. (1994:6).
Como formar (ou reformar) o formador para a modernidade? Através de uma formação continuada, que, além de reforçar ou proporcionar os fundamentos e conhecimentos de sua disciplina, o mantenha constantemente a par dos progressos, inovações e exigências dos tempos modernos.
Esteves (1993:66) aponta algumas características da formação continuada:
Uma ruptura com o individualismo pedagógico, ou seja, em que o trabalho e a reflexão em equipe se tornam necessários; uma análise científica da prática, permitindo desenvolver, com uma formação de nível elevado, um estatuto profissional; um profissionalismo aberto, isto é, em que o acto de ensino é precedido de uma pesquisa de informações e de um diálogo entre os parceiros interessados.
De autoria de Dinéia Hypolitto, o texto versa sobre a importância da formação continuada e suas repercussões para os profissionais.
Resumo: Dentro do contexto educacional contemporâneo, a formação continuada é saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, por isso o profissional consciente deve saber que sua formação não termina na Universidade. Formar (ou reformar) o formador para a modernidade através de uma formação continuada proporcionará ao mesmo independência profissional com autonomia para decidir sobre o seu trabalho e suas necessidades.
A formação contínua (2) é (Nóvoa 1991, Freire 1991 e Mello 1994) saída possível para a melhoria da qualidade do ensino, dentro do contexto educacional contemporâneo. Nova o bastante para não dispor ainda de mais teorias nutrientes, provavelmente, ainda em gestação. É uma tentativa de resgatar a figura do mestre, tão carente do respeito devido a sua profissão, tão desgastada em nossos dias. "Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão da prática". (FREIRE, 1991: 58).
Para o autor, formação permanente é uma conquista da maturidade, da consciência do ser. Quando a reflexão permear a prática, docente e de vida, a formação continuada será exigência "sine qua non" para que o homem se mantenha vivo, energizado, atuante no seu espaço histórico, crescendo no saber e na responsabilidade.
A modernidade exige mudanças, adaptações, atualização e aperfeiçoamento. Quem não se atualiza fica para trás. A parceria, a globalização, a informática, toda a tecnologia moderna é um desafio a quem se formou há vinte ou trinta anos. A concepção moderna de educador exige "uma sólida formação científica, técnica e política, viabilizadora de uma prática pedagógica crítica e consciente da necessidade de mudanças na sociedade brasileira" (Brzezinski, 1992:83).
O profissional consciente sabe que sua formação não termina na Universidade. Esta lhe aponta caminhos, fornece conceitos e idéias, a matéria-prima de sua especialidade. O resto é por sua conta. Muitos professores, mesmo tendo sido assíduos, estudiosos e brilhantes, tiveram de aprender na prática, estudando, pesquisando, observando, errando muitas vezes, até chegarem ao profissional competente que hoje são.
A Universidade não é o que deveria ser: um centro de criação do conhecimento, de pesquisa e questionamento. O universitário continua passivo, esperando o "ponto" do professor, memorizando e repetindo na prova, que decide a sua aprovação. Vasconcellos (1995:19) confirma:
Formação deficitária; dificuldade em articular teoria e prática: a teoria de que dispõe, de modo geral, é abstrata, desvinculada da prática e, por sua vez a abordagem que faz da prática é superficial, imediatista não crítica.
A Universidade também não é nacional nem universal. Não se comunica com a sociedade, não conhece o mundo empresarial e do trabalho, não contribui nem aproveita contribuições de outros setores. Não é universal: desconhece ou não aproveita a evolução e mudanças do mundo da ciência e da tecnologia. Está isolada, repetindo um currículo defasado, inócuo, desinteressante e fechado.
O professor, nela formado, deve ter bastante inteligência, tempo e decisão para superar essas deficiências. Por si mesmo, deve procurar atualizar-se, embasar-se teoricamente, observar a prática e tirar lições melhorar seu desempenho.
Um professor destituído de pesquisa, incapaz de elaboração própria é figura ultrapassada, uma espécie de sobra que reproduz sobras. Uma instituição universitária que não sinaliza, desenha e provoca o futuro encalhou no passado (DEMO, 1994:27).
Um professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Califórnia um dia perguntou aos seus alunos. "Aqui é a história da família. O pai tem sífilis. A mãe tem tuberculose. Eles já tiveram quatro filhos. O primeiro filho é cego. O segundo filho morreu. O terceiro filho é surdo e o quarto filho tem tuberculose. A mãe está grávida. Os pais estão dispostos a ter um aborto se for recomendado. O que é que vocês recomendam?
" A maioria dos alunos optaram pelo aborto. "Parabéns," anunciou o professor. "Vocês acabaram de matar Ludwig van Beethoven."
"Nasceu gente, é inteligente." Essa máxima de Jean Piaget (1896-1980) resume bem quão absurdo é considerar um estudante incapaz de aprender. Diante de dificuldades de aprendizagem, o professor deve investigar o que impede a compreensão do conteúdo. Esse é um dos desafios de quem educa: descobrir maneiras diferentes de ensinar a mesma coisa, já que os estudantes têm ritmos e históricos variados. Também é papel do educador se questionar sobre a abordagem do conteúdo. Ela despertou curiosidade? O indivíduo encontrou utilidade no que foi apresentado? É com base nessas indagações (e nas respostas) que o professor deve pensar como expor o tema, que atividades propor e como avaliar. Ainda assim, todos têm o direito de perguntar o que não entenderam quantas vezes quiserem, sem medo de ser rotulados, ameaçados ou castigados. Os alunos precisam acreditar que o educador gosta de ensinar e, mais do que isso, saber que ele está cumprindo sua função. Nas séries iniciais, é comum (e normalíssimo) encontrar crianças com dificuldades de aprendizado. Classificar tais dificuldades como dislexia, por exemplo, não representa o melhor caminho. Também é fácil ver estudantes mais aptos para algumas disciplinas, mas nem por isso é correto classificá-los como incapazes em relação a outros. Todos podem desenvolver suas capacidades intelectuais e cognitivas. É a ação do professor que faz a diferença.
REVISTA NOVA ESCOLA Beatriz Vichessi com reportagem de Veridiana Mercatelli
Texto escrito por Dinéia Hypolitto, ressaltando a necessidade de contínua reflexão, por parte do professor, sobre suas práticas de ensino.
Pensar é começar a mudar. Todo ser, porque é imperfeito, é passível de mudança, progresso, aperfeiçoamento. E isso só é possível a partir de uma reflexão sobre si mesmo e suas ações. A avaliação da prática leva a descobrir falhas e possibilidades de melhoria. Quem não reflete sobre o que faz acomoda-se, repete erros e não se mostra profissional. No caso do professor, isso assume conotação mais grave. Ele lida com gente, crianças e jovens que podem ser afetados por uma conduta inadequada e conceitos errôneos. O professor prático reflexivo nunca se satisfaz com sua prática, jamais a julga perfeita, concluída, sem possibilidade de aprimoramento. Está sempre em contato com outros profissionais, lê, observa, analisa para atender sempre melhor ao aluno, sujeito e objeto de sua ação docente. Se isso sempre foi verdade e exigência, hoje, mais do que nunca, não atualizar-se é estagnar e retroceder.
A velocidade das mudanças, as exigências da tecnologia e do mercado de trabalho são tantas e tão rápidas que o profissional pode ser pego de surpresa em sua prática cotidiana. Notícias, fatos, mudanças podem chegar à sala de aula pela boca dos alunos, sem que o professor tome conhecimento. Quantas vezes, em alguns casos, o aluno supera o professor! Está melhor informado, conhece palavras e expressões modernas, sabe do último fato social ou político, não apresenta mais certos costumes e exigências.
O professor, fechado em si mesmo e confinado à sala de aula, às vezes, não percebe o mundo lá fora. Não tem tempo ou condições de acompanhar. Daí, quando fala ao aluno, este não entende, mostra-se alheio e desinteressado diante de uma linguagem esquisita e arcaica.
Para cobrir essa lacuna e distância entre aluno e professor, só mesmo a reflexão: o que faço, o que digo tem ressonância, significado, importância para o aluno? "Refletir sobre o próprio ensino exige espírito aberto, responsabilidade e sinceridade" (Zeichner, 1993:17) Quem não reflete em sua prática frustra-se aumenta sempre mais o distanciamento com o aluno. Embora não saiba expressá-lo, o aluno vive em um mundo todo seu, de sua idade e gosto: roupas, músicas, modas, linguajar, conceitos e práticas diferentes e até opostas às do mundo em que o professor vive e se formou. Senão houver encontro, conhecimento, discussão, o professor se verá falando às carteiras, sem ouvintes que se interessem ou entendam. "As práticas desenvolvidas sugerem que os formandos devem ser ouvidos. Ninguém conhece melhor os problemas e as soluções alternativas do que aqueles que os experimentam". (Esteves, 1993:21).
A reflexão leva a repensar o currículo, a metodologia, os objetivos: Quem é o aluno que está a minha frente, que quer, de que precisa, o que entende, qual a linguagem adequada para dialogar com ele.
Se o professor dá-se conta de que não está sendo entendido, cumpre-lhe investigar por que e proceder às mudanças necessárias. O aluno não vai mudar: é fruto de seu tempo, tem suas características e necessidades. O professor é que terá que entendê-lo para educá-lo eficazmente. " Cada um deve responsabilizar-se pelo seu próprio desenvolvimento profissional... A universidade pode, quando muito, preparar o professor para começar a ensinar." (ZEICHNER, 1993:17).
Uma das bases da educação é o diálogo e, no caso, saber ouvir. Ouvir o aluno, deixá-lo expressar o que sente, pensa, quer já é um grande passo para entendê-lo e orientar ou reorientar a ação pedagógica.
O saudosismo, o desejo da volta a um mundo em que não havia contestação, o professor tinha status e era o centro da sala de aula, ditando normas, pontos e conceitos, não se coadunam com o professor reflexivo, homem de seu tempo, de passo acertado com a evolução que continua. Vasconcellos (1995:67) nos explica que: "O espaço de reflexão crítica, coletiva e constante sobre a prática é essencial para um trabalho que se quer transformador".
Para se chegar a um aluno crítico, observador, questionador, exigente, que cobra qualidade, que precisa ser formado cidadão, só mesmo um professor, ele também, crítico de sua ação e sempre pronto a questionar-se para progredir. Vasconcellos (1995:56) descreve a postura do educador:
Conhecer, acolher criticamente, buscar o aprofundamento da proposta da escola; Procurar unidade de ação com colegas; Postura de investigação em relação à sua disciplina; Abertura; não querer ser o dono da verdade; Ser observador; Saber ouvir; Confiar nos companheiros; Disponibilidade para aprender; Desenvolver a postura interdisciplinar.
Infelizmente, o aluno apático e passivo é filho do professor. Este também, em muitos casos, tem se limitado a passar conteúdos, idéias, conceitos e normas, sem questioná-los nem vivenciá-los e, mesmo, sem entender o porquê de sua existência. Repete-os, passa para a frente porque assim os recebeu, estão no livro didático, não questiona sua atualidade e conveniência. Se foram úteis para uma época, não significa que não podem ser mudados. O professor sente "dificuldade em nadar contra a corrente (conflito de valores, visões de mundo)..., insegurança, receio de mudar, medo do novo" (Vasconcellos, 1995:19).
A avaliação da prática do professor deve envolver também o aluno. Através de questionários abertos e livres, sem medo de ouvir a verdade; por meio do diálogo com a classe, permitindo ao aluno expor suas dúvidas críticas e propostas; da observação da postura e reação dos alunos em classe e dos resultados das avaliações; da leitura e reflexão de bons autores que discutem metodologia, princípios e fins da educação; da conversa e discussão com os colegas, enfim, o professor prático reflexivo deve estar aberto a quaisquer sugestões e críticas que o ajudem a repensar-se como profissional a fim de reformular e melhorar a sua prática.
(1)Dinéia Hypolitto – Professora de Prática de Ensino e Coordenadora de Estágio da Universidade São Judas Tadeu (USJT) – SP. Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Currículo da PUC-SP. Supervisora aposentada da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
Referências Bibliográficas ESTEVES, Manuela & RODRIGUES, Angela. Análise das necessidades na formação de professores.Porto Editora, 1993.
VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Para onde vai o Professor? Resgate do Professor como Sujeito de Transformação. São Paulo: Libertad, 1995. (Coleção Subsídios Pedagógicos do Libertad; v. l).
_______. Construção do conhecimento em sala de aula. São Paulo: Libertad, 1995 (Cadernos Pedagógicos de Libertação).
ZEICHNER, Kenneth M. A Formação Reflexiva de Professores: Idéias e Práticas. Lisboa: EDUCA, 1993.
(1)Dinéia Hypolitto – Professora de Prática de Ensino e Coordenadora de Estágio da Universidade São Judas Tadeu (USJT) – SP.
Mestre em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação e Currículo da PUC-SP.
Supervisora aposentada da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
Não há solução fácil. Mas é essencial trabalhar - como conteúdos de ensino - as questões relacionadas à moral e ao convívio social e criar um ambiente de cooperação
DIDÁTICA INADEQUADA Não adianta exigir que os alunos cumpram as tarefas se a estratégia de ensino e o tema não dizem nada a eles REGRAS IMPOSTAS Quando a conversa é sempre proibida, você perde a chance de favorecer a troca de ideias
PROMOVA A COOPERAÇÃO O clima pautado na colaboração e no respeito é mais eficiente porque não expõe as crianças, como Calvin e Susi, ao medo das sanções
VALORIZE A AUTONOMIA Uma aparente indisciplina, como esta bela atuação de Calvin, pode, na verdade, ser uma maneira de o aluno dizer que quer fazer as coisas de um jeito diferente. PARA VER TODA A MATÉRIA LINK REVISTA NOVA ESCOLA
ASBC: Sigla de Aquecedor Solar de Baixo Custo, projeto gratuito de um aquecedor solar de água, de 200 a 1.000 litros, destinado a substituir parcialmente a energia elétrica consumida por 36.000.000 de famílias brasileiras usuárias do chuveiro elétrico, em casas e apartamentos.
Desenvolvidas na Universidade de São Paulo, as invenções do engenheiro eletrônico Augustin Woelz, de 62 anos, são tão simples que muitos de seus auxiliares são crianças, treinadas para disseminar tecnologia. "Uma criança é capaz de fabricar os aparelhos e ajudar os adultos a usá-los", orgulha-se.
Depois de anos de testes com materiais baratos, ele conseguiu criar sistemas de baixo custo de energia solar. "Em seis meses, com a economia de energia elétrica, todo o investimento estará pago." Devido a essas invenções, a USP decidiu dar-lhe um espaço no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas para que ele aprimorasse as descobertas e garantisse sua sustentabilidade econômica.
Apenas recentemente Augustin Woelz foi seduzido pela energia alternativa. Antes, depois de ter fracassado como vendedor, ensinou pessoas a construir ultraleves, antenas coletivas e computadores. "O que eu gosto mesmo é de ensinar a montar coisas."
Com esse prazer de experimentar e a habilidade de produzir e encaixar peças, dedicou-se, na década de 90, a criar aparelhos de energia solar. "Tudo o que existia era caro." Não era um negócio, mas um projeto comunitário, que exigia voluntários.
Na busca de ajudantes, entrou nas escolas para ensinar as crianças a disseminar a energia solar em favelas. "É um jeito que elas têm de aprender noções de química, física e biologia. Além disso, é claro, elas se sentem importantes fazendo isso." Como seu interesse não é financeiro, disponibilizou todo o manual num site. "Qualquer um pode fazer seu aparelho", aposta.
Quando a pessoa não consegue entender o manual, ele oferece cursos no Centro Incubador de Empresas Tecnológicas da USP. Seu objetivo é arregimentar crianças, adolescentes e líderes comunitários para instalar nas favelas e bairros periféricos de todo o país esses sistemas de energia solar. "É um jeito de economizar dinheiro e, ao mesmo tempo, preservar a natureza."
O Brasil merece uma educação melhor, mas quem irá educar os brasileiros?
Texto de Glorinha Aguiar
Depois de ler a pesquisa da revista Veja de 20/08/08, fiquei refletindo sobre a educação que os brasileiros merecem não é aquela educação acadêmica, decoreba:
1 – Que obriga o aluno a decorar o ponto, escrever na prova, mesmo que esqueça tudo logo depois; 2 – Que o aluno ouve, ouve, ouve e repete, repete, repete o que o professor fala, fala, fala como se ele não tivesse opinião própria; 3 – Que o aluno fica sentado em silêncio, escutando, escutando e escutando (ou dormindo), porque sabe que não pode interromper quando o professor fala, fala e fala para dar tempo de acabar o programa; 4 - Que humilha o aluno nas avaliações valorizando os enganos, fazendo cair a autoestima de 40 alunos em cada sala de aula, (milhões no Brasil); 5 - Que faz o aluno odiar a escola e os professores, esperando ansiosamente pelas férias; 6 – Que oprime tanto que o aluno não sabe citar momentos de alegria na sala de aula; 7 – Que é formada por duas classes: a dominante (que sabe tudo) e a dominada (que não sabe nada). Qual será o futuro desse pobre aluno sem iniciativa, sem espírito de luta, de liderança, acovardado diante dos problemas da vida? 8 – Que o aluno é considerado inimigo, por isso tem que se submeter a tudo e a todos, em silêncio, sem reclamar, sem se defender, aprendendo a abaixar a cabeça e dizer “sim” SEMPRE; 9 – Que o aluno não tem de saber quais as finalidades, os objetivos daquela aula para a vida deles. Quem tem de saber tudo é o professor. O aluno só tem que decorar ponto. 10- Que o aluno adora quando o professor fica doente, assim não terá que ouvir, ouvir e ouvir o professor falando, falando, falando, dando ordens e oprimindo; 11 – Que faz o aluno odiar a escola, criando apelidos horrorosos para os professores (e vice-versa). Talvez a educação criativa possa ajudar. Na Educação Criativa, o que acontece na sala de aula?
1 - O professor é aquele que dá a proposta de atividade criativa e a classe vira um formigueiro provocado pela motivação. Os alunos, em subgrupos, são colocados em situação-problema e buscam soluções criativas, dando ideias, ouvindo as sugestões dos colegas, concordando, discordando, acrescentando, pesquisando nos livros ou na memória de cada um.
Eles estão desenvolvendo a agilidade mental porque sabem que essa atividade tem apenas alguns minutos. Depois, cada subgrupo irá apresentar suas soluções de problemas criados pelo professor, conclusões criativas, fugindo da mesmice. Professor não é aquele que resolve problema de alunos, mas, sim, aquele que coloca os alunos em situações-problema para que aprendam a se virar na vida, criativamente.
2 – Qualquer pessoa acadêmica que entrar na classe irá ficar assustada com a “indisciplina”, mas esse é um novo conceito de disciplina. É a disciplina da Educação Criativa que põe o aluno em ação, aprendendo com a troca de experiências dos colegas, sabendo que a conversa tem que ser no “cochicho” para não importunar os outros que também estão pensando e discutindo outros problemas. É um novo conceito de disciplina que quer dizer ORDEM MENTAL e não “todos sentados em silêncio absoluto durante 50 minutos”, escutando, escutando e escutando ou dormindo.
3 – O conteúdo, que era apenas um pequeno apoio, começa a aumentar, aumentando também a curiosidade e o estímulo para buscar mais conhecimento; descobrindo a alegria de aprender mais sobre aquele assunto.
4 – Cada grupo se apresenta, na frente da classe, contando o que descobriu, suas dificuldades para resolver cada parte do problema criado pelo professor.
5 – Nesse momento, eles estão motivados para buscar novos conhecimentos para a próxima aula, promovendo o desbloqueio de três personagens que cada aluno tem dentro de si: o gigante (que pode tudo, mas está bloqueado), a criança (que quer ser feliz e viver plenamente, mas está bloqueada) e o filósofo (que gosta de aprender a pensar, sentir, agir, analisar, liderar, escolher, criar laços afetivos com todos, mas também está bloqueado). A autoconfiança, a autoestima e a segurança emocional estão aumentando em cada aula, em cada atividade criativa, porque a escola está trabalhando com seres humanos e não com robôs.
6 – Sem muito trabalho, o professor está terminando sua aula e deixando os alunos muito motivados para pesquisar e discutir qualquer conteúdo fazendo Projetos Criativos e apresentando, na próxima aula, para o professor e para os colegas que poderão ajudá-los, acrescentando sugestões e dando forças para que leiam e pesquisem mais.
7 – Por estarem motivados, os alunos querem falar sobre seus Projetos, sem medo de errar, de pensar, de fazer, de realizar o que está pretendendo, sem inibição e sem exibicionismo, defendendo sua opinião e respeitando o que o professor e os colegas têm a acrescentar, aprendendo a trabalhar individualmente e em grupo.
8 – O professor está levando os alunos a descobrir que é motivo de grande prazer saber pesquisar, ler e entender o que leu, saber que o texto é a opinião do autor e que ele pode concordar ou discordar porque tem sua própria opinião.
9 – Na atividade de situação-problema, o professor está despertando nos alunos a vontade de experimentar, fazer laboratórios, criar Projetos e interpretá-los para a classe, de forma humorística e com expressão corporal, desenvolvendo o espírito lúdico e a autoconfiança.
10 - Pela motivação, aprendem a maravilhar-se com o gigante que cada um tem dentro de si, mas também maravilhar-se com o nascer e o pôr do sol, o sorriso de uma criança, o apoio a um idoso, buscando valores humanos.
11- Na busca de soluções criativas para a situação-problema aprendem a fazer amigos, a mantê-los e a compartilhar suas emoções. Afinal, são seres humanos aprendendo a amar.
12 - Brincando com a imaginação e com o absurdo deixam transbordar a alegria própria da criança, do adolescente e do jovem.
13 - Cheios da alegria de estudar, de ler, de compreender, de aprender, de crescer, os alunos estão aprendendo e treinando o senso de responsabilidade, de compromisso, de solidariedade e de amor.
14 - Nessa atividade criativa, os alunos estão se exercitando para saber comentar um livro, um filme, desenvolvendo sua capacidade de análise crítica.
15 - Avaliando os colegas, e fazendo auto-avaliação os alunos admiram com alegria quando eles expressam riqueza de liberdade de pensamentos e sentimentos. Descobrem então que não há necessidade de tanta avaliação, porque cada um está dando o melhor de si, promovendo o seu crescimento sem comparação e sem competição, cada um com a sua individualidade.
Em Educação Criativa a avaliação é feita por aplausos de encorajamento para que os alunos aumentem sua autoconfiança, acreditem em si próprios e produzam cada vez mais, sempre felizes com a sua maneira de ser.
16 - Despertando a sabedoria e o potencial do gigante, da criança e do filósofo que estavam bloqueados dentro de cada aluno, o professor estará realmente fazendo educação. Vamos tentar entender e aprender a trabalhar com a geração internet, que merece uma educação melhor no Brasil? Com essa pesquisa mundial (revista Veja de 20/08/08) ficou provado que dar ponto para aluno decorar não é educação. Se não mudarmos a metodologia, as escolas se tornarão fábricas de produzir analfabetos.
Texto de Glorinha Aguiar, especialista em Educação Criativa (na prática). DO JORNAL VIRTUAL PROFISSĂO MESTRE