"Não há dúvidas de que a memória é o estômago da mente. Da mesma forma como o alimento é trazido à boca pela ruminação, assim as coisas são trazidas da memória pela lembrança." Santo Agostinho, autor dessa afirmação (capítulo 14 do livro 10 das Confissões ) percebeu com clareza as relações de analogia existentes entre o ato de pensar e o ato de comer. Nietzsche se deu conta da mesma analogia e afirmou que "a mente é um estômago". Quem entende como funciona o estômago entende como funciona a cabeça.
Analogia é um dos mais importantes artifícios do pensamento. Octávio Paz, no seu livro Los hijos del limo, afirma que " a analogia torna o mundo habitável" . Ela " é o reino da palavra como, essa ponte verbal que, sem suprimi-las, reconcilia as diferenças e oposições." A analogia nos permite caminhar do conhecido para o desconhecido. É assim: eu conheço A mas nada sei sobre B.Sei, entretanto, que B é análogo a A. Assim, posso concluir, logicamente, que B deve é parecido com A.
A analogia entre o estômago e a mente nos permite saltar daquilo que sabemos sobre o estômago para o que não sabemos acerca da mente. Em grande medida é graças às analogias que o conhecimento avança e que o ensino acontece. Quando a ciência usa as palavras "onda" e "partícula" ela está se valendo de analogias tiradas do mundo visível para dizer o universo naquilo que ele tem de invisível. Um bom professor tem de ser um mestre de analogias. Uma boa analogia é um "flash" de luz.
O estômago é órgão processador de alimentos. Os alimentos são objetos exteriores, estranhos ao corpo. Ele os transforma em objetos interiores, semelhantes ao corpo. É isso que torna possível a assimilação. "Assimilar" significa, precisamente, tornar semelhante ( de assimilare, "ad" + "similis").
A mente é um processador de informações. Informações são objetos exteriores, estranhos à mente. A mente os transforma em objetos interiores, isto é, pensáveis. Pelo pensamento as informações são assimiladas, tornam-se da mesma substância da mente. O pensamento estranho se torna pensamento compreendido.
Entre todos os estômagos, os humanos são os mais extraordinários, dada a sua versalitilidade. Eles têm uma capacidade inigualável para digerir os mais diferentes tipos de comida: leite, café, pão, manteiga, nabo, cenoura, giló, mandioca, alface, repolho, ovo, trigo, milho, banana, côco, pequi, azeite, carne, pimenta, vinho, whisky, coca-cola, etc.
Por vezes essa versatilidade do estômago é submetida a restrições. Alguns, por doença, deixam de comer torresmo e comidas gordurosas. Outros, por pobreza, acostumam-se a uma dieta de batatas, como na famosa tela de van Gogh. Outros, ainda, por religião, adotam um cardápio vegetariano.
Há estômagos que só conseguem digerir um tipo de comida. É o caso dos tigres. Seus estômagos só digerem carne. E les só reconhecem carne como alimento. Se, num zoológico, o tratador dos tigres, vegetariano convicto, tentar converter os tigres às suas convicções alimentares, submetendo-os a uma dieta de nabos e cenouras, é certo que os tigres morrerão. Diante dos legumes os tigres dirão: " Isso não é comida!"
Os estômagos das vacas só digerem capim, com resultados magníficos para os seres humanos. É difícil pensar a vida humana sem a presença dos produtos que resultam dos processamentos digestivos dos estômagos das vacas sobre o capim. Sem as vacas não teríamos leite, café com leite, mingau, queijos (quantos!), filé à parmegiana, morango com leite condensado, sorvetes de variados tipos, cremes, pudins, sabonetes. Os estômagos das vacas, com sua modesta dieta de capim, são dignos dos maiores elogios.
A mente é um estômago.
Há muitos tipos de mente-estômago.
Alguns se parecem com os estômagos humanos e processam os mais variados tipos de informações.
Leonardo da Vinci é um exemplo extraordinário desse estômago omnívoro, capaz de digerir poesia, música, arquitetura, urbanismo, pintura, engenharia, ciência, criptografia, filosofia. Outros estômagos se especializaram e só são capazes de digerir um tipo de alimento.
O que vou dizer agora, digo-o com o maior respeito, sem nenhuma intenção irônica. Estou apenas me valendo de uma analogia: é assim que o meu pensamento funciona.
As possíveis queixas, que sejam feitas a Deus Todo Poderoso, pois foi ele, ou força análoga, que me deu o processador de pensamentos que tenho.
A ciência é um dos nossos estômagos possíveis.
Não é o nosso estômago original.
É um estômago produzido historicamente, por meio de uma disciplina alimentar única. E eu sugiro que o estômago da ciência é análogo ao estômago das vacas.
Os estômagos das vacas só reconhecem capim como alimento.
Se eu oferecer a uma vaca um bife suculento, ela me olhará indiferente.
Seu olhar bovino me estará dizendo "Isso não é comida".
Para o estômago das vacas comida é só capim.
A ciência, à semelhança das vacas, tem um estômago especializado que só é capaz de digerir um tipo de comida. Se eu oferecer à ciência uma comida não apropriada ela a recusará e dirá: "Não é comida.".
Ou, na linguagem que lhe é prórpria: "Isso não é científico." Que é a mesma coisa. Quando se diz : " Isso não é científico" está se dizendo que aquela comida não pode ser digerida pelo estômago da ciência.
Quando a vaca, diante do suculento bife, declara de forma definitiva que aquilo não é comida, ela está em êrro. Falta, à sua afirmação, senso crítico. Sua resposta, para ser verdadeira, deveria ser: "Isso não é comida para o meu estômago."
Sim, porque para muitos outros estômagos aquilo é comida.
Assim, quando a ciência diz " isso não é científico", é preciso ter em mente que, para muitos outros estômagos, aquilo é comida, comida boa, gostosa, que dá vida, que dá sabedoria. Acontece que existe uma inclinação natural da mente em acreditar que só é real aquilo que é real para ela ( o que é, cientificamente, uma estupidez) - de modo que, quando normalmente se diz "isso não é científico" está se afirmando, implicitamente, que aquilo não é comida para estômago algum.
Vão me perguntar sobre as razões por que escolhi o estômago da vaca e não do tigre como análago ao da ciência. O tigre parece ser mais nobre, mais inteligente.
A ESSO escolheu o tigre como seu símbolo; jamais escolheira a vaca. Ao que me consta, existe uma única instituição de saber superior cujo nome está ligado à vaca: é a universidade de Oxford. "Ox", como é bem sabido, é a palavra inglesa para vaca.
Eu teria sido mais prudente escolhendo a analogia do tigre ao invés da vaca, posto que ambos os estômagos conhecem apenas um tipo de comida. Mas há uma diferença.
Não há nada que façamos com os produtos dos estômagos dos tigres.
Mas daquilo que o estômago da vaca produz os homens fazem uma série maravilhosa de produtos que contribuem para a vida e a cultura.
Já imaginaram o que seria da culinária se não houvesse as vacas? Assim o estômago da ciência, com seus produtos infinitos, incontáveis, maravilhosos - se não fosse por eles eu já estaria morto - mais se assemelha ao estômago das vacas que ao dos tigres.
Resta-nos revelar a comida que o estômago da ciência é capaz de digerir.
Vou logo adiantando: se não for dito em linguagem matemática a ciência diz logo: "Não é científico"... Concluo que isso que estou ouvindo agora, a "Rhapsody in Blue", de Gershwin, que me dá tanto prazer, que me torna mais leve, que espanta a tristeza, coisa real pelos seus efeitos sobre meu corpo e minha alma, isso não é coisa que o estômago da ciência seja capaz de processar.
Não é científico. O CD player, o estômago da ciência digere fácil.
Episódio da série animação Pequenos Filósofos, TV ESCOLA que mostra contos e fábulas de diferentes culturas que despertam nas crianças e jovens uma consciência a respeito da moral e seus valores. Esta estória fala sobre conhecimento, estudo e vaidade.
O método Suzuki foi desenvolvido por Shinichi Suzuki, no Japão, pouco depois da Segunda Guerra Mundial. O método utiliza a educação musical para enriquecer e melhorar a vida de seus estudantes. O método é direcionado a crianças e consiste basicamente em brincadeiras, para que a criança se divirta enquanto aprende. E ao mesmo tempo em que a criança aprende a tocar música em um nível elevado, ela também conhece os traços de um caráter moral que fazem a alma de uma pessoa mais bonita. Suzuki se preocupava também em ensinar bons valores para seus estudantes e fazê-los boas pessoas.
O princípio do método é centrado na criação do mesmo ambiente para aprender música que a criança tem para aprender a sua língua materna. O objetivo é tentar envolver o estudante com a música da mesma forma que ele se envolve com a linguagem quando está aprendendo a falar. O ambiente ideal para isso inclui amor, bons exemplos, elogios, e um determinado tempo de estudo, de acordo com o desenvolvimento do aluno.
"Ensinar música não é meu propósito principal. Eu quero fazer bons cidadãos (...). Se uma criança ouve boa música desde o dia do seu nascimento e aprende a tocar (...), ela desenvolve a sua sensibilidade, disciplina e tolerância. Ela desenvolve um bom coração".
O Programa Bem Viver com Regina Pastore pela JustTV reflete sobre o tema: " A influência das imagens no comportamento humano" com o Professor da USP Valdemar Setzer, autor do livro: "Meios eletrônicos e a educação: uma visão alternativa" e com o publicitário Flávio Rodrigues. Eles explicam sobre a cultura pós moderna: simulacro, hiper- realidade, a identidade do homem contemporâneo e os efeitos negativos das imagens na vida das crianças e dos jovens.
O assunto da aula era medo. A professora começa a perguntar... - Pedrinho, do que você tem mais medo? - Da mula-sem-cabeça, fessora. - Mas, Pedrinho, a mula-sem-cabeça não existe. É apenas uma lenda... Você não precisa ter medo. - Mariazinha, do que você tem mais medo? - Do saci-pererê, 'fessora. - Mariazinha o saci-pererê também não existe. É somente outra lenda... Você não precisa ter medo. - E você, Joãozinho? Do que tem mais medo? - Do Mala Men, 'fessora. - Mala Men? Nunca ouvi falar... Quem é esse tal de Mala Men? - Quem é eu também não sei, 'fessora'. Mas toda noite minha mãe diz na oração: "Não nos deixais cair em tentação mas livrai-nos do Mala Men"
O projeto consiste na produção de estudos técnicos e reportagens sobre experiências de êxito em gestão educacional, inclusive escolar, que possam servir de estímulo ou de inspiração para gestores educacionais em todo o País. Desta forma, o Inep seleciona, a partir de seu banco de dados, experiências de sucesso e envia uma equipe para estudar a razão desse êxito, para mostrar a outros gestores como foram implantadas essas ações que resultaram em bons índices.
Colega aposentado com todas as credenciais e titulações. Fazia tempo que a gente não se via. Entrou no meu escritório sem bater e sem se anunciar. E nem disse bom-dia. Foi direto ao assunto. "- Rubão, estou escrevendo um livro em que conto o que aprendi através da minha vida. Mas eles dizem que o que escrevo não serve. Não é científico. Rubão: o que é científico?" Havia um ar de indignação e perplexidade na sua pergunta. Uma sabedoria de vida tinha de ser calada: não era científica. As inquisições de hoje, não é mais a igreja que faz.
Não sou filósofo. Eles sabem disso e nem me convidam para seus simpósios eruditos. Se me convidassem eu não iria. Faltam-me as características essenciais. Nietzsche, bufão, fazendo caçoada, cita Stendhal sobre as características do filósofo: " Para se ser um bom filósofo é preciso ser seco, claro e sem ilusões. Um banqueiro que fez fortuna tem parte do carater necessário para se fazer descobertas em filosofia, isto é, para ver com clareza dentro daquilo que é."
Não sou filósofo porque não penso a partir de conceitos. Penso a partir de imagens. Meu pensamento se nutre do sensual. Preciso ver. Imagens são brinquedos dos sentidos. Com imagens eu construo estórias.
E foi assim que, no preciso momento em que meu colega formulou sua pergunta perplexa, chamadas por aquela pergunta augusta, apareceram na minha cabeça imagens que me contram uma estória:
"Era uma vez uma aldeia às margens de um rio, rio imenso cujo lado de lá não se via, as águas passavam sem parar, ora mansas, ora furiosas, rio que fascinava e dava medo, muitos haviam morrido em suas águas misterioras, e por medo e fascínio os aldeões haviam construido altares às suas margens, neles o fogo estava sempre aceso, e ao redor deles se ouviam as canções e os poemas que artistas haviam composto sob o encantamento do rio sem fim.
O rio era morada de muitos seres misteriosos. Alguns repentinamente saltavam de suas águas, para logo depois mergulhar e desaparecer. Outros, deles só se viam os dorsos que se mostravam na superfície das águas. E havia as sombras que podiam ser vistas deslizando das profundezas, sem nunca subir à superfície. Contava-se, nas conversas à roda do fogo, que havia monstros, dragões, sereias, e iaras naquelas águas, sendo que alguns suspeitavam mesmo que o rio fosse morada de deuses. E todos se perguntavam sobre os outros seres, nunca vistos, de número indefinido, de formas impensadas, de movimentos desconhecidos, que morariam nas profundezas escuras do rio.
Mas tudo eram suposições. Os moradores da aldeiam viam de longe e suspeitavam - mas nunca haviam conseguido capturar uma única criatura das que habitavam o rio: todas as suas magias, encantações, filosofias e religiões haviam sido inúteis: haviam produzido muitos livros mas não haviam conseguido capturar nenhuma das criaturas do rio.
Assim foi, por gerações sem conta. Até que um dos aldeões pensou um objeto jamais pensado. ( O pensamento é uma coisa existindo na imaginação antes dela se tornar real. A mente é útero. A imaginação a fecunda. Forma-se um feto: pensamento. Aí ele nasce...). Ele imaginou um objeto para pegar as criaturas do rio. Pensou e fez. Objeto estranho: uma porção de buracos amarrados por barbantes. Os buracos eram para deixar passar o que não se desejava pegar: a água. Os barbantes eram necessários para se pegar o que se deseja pegar: os peixes. Ele teceu uma rede.
Todos se riram dele quando ele caminhou na direção do rio com a rede que tecera. Riram-se dos buracos dela. Ele nem ligou. Armou a rede como pode e foi dormir. No dia seguinte, ao puxar a rede, viu que nela se encontrava, presa, enroscada, uma criatura do rio: um peixe dourado.
Foi aquele alvoroço. Uns ficaram com raiva. Tinham estado tentando pegar as criaturas do rio com fórmulas sagradas, sem sucesso. Disseram que a rede era objeto de feitiçaria. Quando o homem lhes mostrou o peixe dourado que sua rede apanhara eles fecharam os olhos e o ameaçaram com a fogueira.
Outros ficaram alegres e trataram de aprender a arte de fazer redes. Os tipos mais variados de redes foram inventados. Redondas, compridas, de malhas grandes, de malhas pequenas, umas para serem lançadas, outras para ficarem à espera, outras para serem arrastadas. Cada rede pegava um tipo diferente de peixe.
Os pescadores-fabricantes de redes ficaram muito importantes. Porque os peixes que eles pescavam tinham poderes maravilhosos para diminuir o sofrimento e aumentar o prazer. Havia peixes que se prestavam para ser comidos, para curar doenças, para tirar a dor, para fazer voar, para fertilizar os campos e até mesmo para matar. Sua arte de pescar lhes deu grande poder e prestígio e eles passaram a ser muito respeitados e invejados.
Os pescadores-fabricantes de redes se organizaram numa confraria. Para se pertencer à confraria era necessário que o postulante soubesse tecer redes e que apresentasse, como prova de sua competência, um peixe pescado com as redes que ele mesmo tecera.
Mas uma coisa estranha aconteceu. De tanto tecer redes, pescar peixes e falar sobre redes e peixes, os membros da confraria acabaram por esquecer a linguagem que os habitantes da aldeia haviam falado sempre e ainda falavam. Puseram, no seu lugar, uma linguagem apropriada às suas redes e os seus peixes, e que tinha de ser falada por todos os seus membros, sob pena de expulsão.
A nova linguagem recebeu o nome de ictiolalês ( do grego "ichthys" = peixe + "lalia"= fala ). Mas, como bem disse Wittgenstein, alguns séculos depois " os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo". O meu mundo é aquilo sobre o que posso falar. A linguagem estabelece uma ontologia. Os membros da confraria, por força dos seus hábitos de linguagem, passaram a pensar que somente era real aquilo sobre que eles sabiam falar, isto é, aquilo que era pescado com redes e falado em ictiolalês. Qualquer coisa que não fosse peixe, que não fosse apanhado com suas redes, que não pudesse ser falado em ictiolalês, eles recusavam e diziam: "Não é real".
Quando as pessoas lhes falavam de nuvens eles diziam: " Com que rede esse peixe foi pescado?" A pessoa respondia: "Não foi pescado, não é peixe." Eles punham logo fim à conversa: "Não é real". O mesmo acontecia se as pessoas lhes falavam de cores, cheiros, sentimentos, música, poesia, amor, felicidade. Essas coisas, não há redes de barbante que as peguem. A fala era rejeitada com o julgamento final: " Se não foi pescado no rio com rede aprovada não é real."
As redes usadas pelos membros da confraria eram boas? Muito boas.
Os peixes pescados pelos membros da confraria eram bons? Muito bons.
As redes usadas pelos membros da confraria se prestavam para pescar tudo o que existia no mundo? Não. Há muita coisa no mundo, muita coisa mesmo, que as redes dos membros da confraria não conseguem pegar. São criaturas mais leves, que exigem redes de outro tipo, mais sutis, mais delicadas. E, no entanto, são absolutamente reais. Só que não nadam no rio.
Meu colega aposentado com todas as credenciais e titulações: mostrou para os colegas um sabiá que ele mesmo criara. Fez o sabiá cantar para eles e eles disseram: "Não foi pego com as redes regulamentares; não é real; não sabemos o que é um sabiá; não sabemos o que é o canto de um sabiá..."
Sua pergunta está respondida, meu amigo: o que é científico?
Resposta: é aquilo que caiu nas redes reconhecidas pela confraria dos cientistas. Cientistas são aqueles que pescam no grande rio...
Mas há também os céus e as matas que se enchem de cantos de sabiás...Lá as redes dos cientistas ficam sempre vazias.
Porque será que o MEC trás essa referencia, mas as escolas continuam com os mesmos sistemas de avaliação do século passado?
"Quanto à avaliação da aprendizagem no 1º ano do ensino fundamental de nove anos, faz se necessário assumir como princípio que a escola deve assegurar aprendizagem de qualidade a todos; assumir a avaliação como princípio processual, diagnóstico, participativo, formativo, com o objetivo de redimensionar a ação pedagógica; elaborar instrumentos e procedimentos de observação, de registro e de reflexão constante do processo de ensino-aprendizagem; romper com a prática tradicional de avaliação limitada a resultados finais traduzidos em notas; e romper, também, com o caráter meramente classificatório. "
MATÉRIA DO ESTADÃO ON LINE Creche tem mais professores homens Rede municipal de SP registrou alta de 30% no número de servidores do sexo masculino que lidam com crianças
Mariana Mandelli
Trocar fraldas, dar banho, cantar músicas, preparar a merenda e contar histórias para 18 crianças com média de 3 anos de idade. Essas são algumas das principais atividades que Rodrigo Matheus, de 33 anos, realiza todos os dias em seu trabalho. Ele é um dos 3.077 funcionários do sexo masculino da educação infantil municipal de São Paulo, número que vem crescendo e mudando o perfil dos servidores do setor.
Em cinco anos, o total de professores, auxiliares técnicos de educação e diretores de escolas, entre outros cargos, aumentou quase 30% - são 699 homens a mais na rede, desenvolvendo atividades com bebês e crianças de até 6 anos matriculados nos centros de educação infantil (CEIs) e escolas municipais de educação infantil (EMEIs).
Apesar do crescimento, a rede de educação municipal ainda é dominada por mulheres. O total de funcionárias soma 33.125 na rede. Para a Secretaria Municipal da Educação, o maior interesse dos homens na profissão decorre de um avanço natural da sociedade e de investimentos na carreira.
"Acredito que os melhores salários e a formação continuada melhoraram as condições da profissão, abrindo caminho para novos profissionais, independentemente do sexo", explica Patrícia Maria Takada, da diretoria de orientação técnica da educação infantil.
Ela acha que o número tende a aumentar cada vez mais nos próximos anos.
Para os educadores, além das crianças, quem ganha com a presença de homens na educação infantil são as equipes das escolas. "Ter um homem no meio de um monte de mulher traz um novo olhar nas reuniões e discussões pedagógicas", afirma Maria Rosária Calil, diretora do Centro de Educação Infantil Pequeno Seareiro, na zona sul, onde o professor Rodrigo trabalha.
Para Luiz Tarcisio de Souza, diretor da creche que fica no Centro Educacional Unificado (CEU) Azul da Cor do Mar, na zona leste, educadores do sexo masculino levam a figura paterna para o universo de crianças que não têm pai. "Já aconteceu de crianças me chamarem de "pai" nos corredores", lembra Souza.
Na escola que ele dirige, Reginaldo da Silva, de 27 anos, é o único homem entre os professores. As mães tentam encarar de forma natural o fato de tê-lo trocando fraldas e dando banho nos seus filhos. "É uma situação diferente, mas me sinto segura porque a Ana adora ele", afirma a vendedora Silvelena Almeida, de 40 anos, mãe de Ana Luiza, de 2 anos.
A filha da empregada doméstica Zuleide Pinheiro, de 26 anos, Natiele, tem 4 anos e também já teve aulas com Reginaldo. "Ela falava muito do Reginaldo, mais até do que das professoras", lembra.
DIFICULDADES
Apesar da aceitação de alguns pais, a rotina dos professores esbarra em diversas situações de discriminação (mais informações nesta página). "Tenho que construir minha credibilidade ano após ano", afirma Reginaldo, que trabalha com crianças pequenas desde 2004.
"Mas a direção (da escola) confia em mim e faço tudo como deve ser feito, porque a lei não discrimina homem ou mulher para trabalhar na educação infantil."
Já o professor Rodrigo Matheus trocou duas vezes de escola por causa de preconceito. "Já ouvi mães dizendo: "Não quero minha filha na lista dele"", lembra. "Também já senti preconceito na própria comunidade escolar", completa.
Rodrigo, que não tem filhos, não sabia trocar fraldas quando começou. Em uma das quatro escolas em que trabalhou, não havia banheiro masculino. Ele teve que lutar por dois anos para conseguir um banheiro destinado aos homens e deixar de usar o das crianças.
"A minha maior motivação para enfrentar o preconceito é saber que estou colaborando na educação dessas crianças", afirma Rodrigo.
Site interessante que mostra todas as coisas como funcionam.
Achei bem legal essa pesquisa sobre a capacidade dos cães de entenderem as palavras.
Com certeza, a maioria dos cães compreende o básico: "pegue", "sente" e "fique", mas, se você tiver motivação e paciência, provavelmente poderá ensinar ao seu cão até mesmo mais do que 100 palavras. Stanley Coren, um psicólogo que fez uma quantidade significativa de pesquisas sobre a inteligência canina sugere que o cão treinado conhece cerca de 160 palavras [fonte: Coren (em inglês)]. Alguns cães até possuem um vocabulário tão vasto quanto o dos bebês humanos. Pelo menos desde os anos 70, quando os pesquisadores treinaram com sucesso chimpanzés para usar e ler palavras em uma linguagem de sinais, nós sabemos que a linguagem, em um sentido amplo do termo, não é exclusividade dos humanos. Os animais têm potencial cerebral para compreender a linguagem humana e usar suas próprias linguagens de formas surpreendentemente profundas. Sabemos que os papagaios podem ser treinados para falar palavras humanas. E cães reagem à palavra "passear" abanando o rabo.
Roberto da Silva, é professor de uma das maiores universidades do mundo - USP. Mas, para atingir este estágio profissional, ele brigou com o destino para dar a volta por cima. Depois de viver por 15 anos na Febem, saiu pela porta da frente e acabou caindo na criminalidade, até ser enclausurado na Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo.
Fez supletivo e ingressou na faculdade de Pedagogia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Com o diploma universitário, retornou para a capital paulista, onde acrescentou a seu currículo uma pós-graduação na Universidade de São Paulo (USP) que resultou no livro "Os Filhos do Governo", publicado pela Editora Ática.
Casado e pai de dois filhos, é Fundador e presidente da História do Presente - Organização Paulista para Ações de Cidadania e um dos grandes defensores da Pedagogia Social no Brasil ele gentilmente deu esta entrevista para o Depois da Aula onde fala da Pedagogia Social, dos desafios para a escola e para o professor no atual contexto social.
Depois da Aula:O que impulsionou um ex.detento, ex Febem a escolher a vida acadêmica? O que o fortaleceu para prosseguir sua carreira, já que as possibilidades de estudar eram escassas. Prof. Roberto da Silva: Aos 14 anos, quando trabalhava no juizado de Menores descobri meu próprio processo e na leitura dele constatei que o Estado e seus agentes tinham sobre mim e minha família todas as informações e, não obstante isso, não a utilizavam a nosso favor. Pelo contrário, usaram-na para nos separar, gerando a todos muita dor e sofrimento. Com esta experiência descobri que tudo que precisava saber sobre mim estaria em algum arquivo público, processo, prontuário, laudo ou parecer. Estudar estes documentos e depois organizar as informações para reverter situações desfavoráveis foi a motivação que me levou ao caminho do estudo, da pesquisa e depois à academia.
O senhor é um dos que lutam para implantar a Pedagogia Social no Brasil, fale-nos um pouco sobre esse projeto e explique-nos melhor sobre ele. Pedagogia Social é a fundamentação teórica e metodológica da Educação Social. A primeira é desconhecida no Brasil, mas fazemos a segunda de boa qualidade. Pedagogia Social enquanto teoria geral da Educação Social existe ha mais de 70 anos no mundo e agora a estamos usando para resgatar o valor e o significado político, social, cultural e histórico das práticas de educação popular, social e comunitária há muito desenvolvidas no Brasil, hoje pejorativamente denominadas Educação não formal. Queremos o reconhecimento da Educação Social como profissão e que as instituições de ensino assumam a responsabilidade de formar o Educador Social e o Pedagogo Social no Brasil. São cerca de 4,5 milhões de educadores sem formação pedagógica, sem carreira profissional, sem garantias trabalhistas e que trabalham em movimentos sociais, ONGs e projetos sociais de forma muito precária.
O senhor defende que todos os espaços públicos e relações sociais deveriam cumprir funções pedagógicas. No entanto podemos afirmar que ao contrário disso, estaríamos vivenciando hoje uma exacerbada responsabilização da escola como espaço educativo? O entendimento de que a escola seja o único espaço educativo é um equívoco grave e a excessiva transferência de responsabilidades da família para ela criou um descompasso entre o que sejam os objetivos da Educação Escolar e os objetivos da Educação Social. Além disso, o poder público atribui à escola exercer funções nas áreas da cultura, esporte, lazer e saúde por não investir nestas políticas setoriais. Ou retira-se da escola pública brasileira as funções sociais historicamente atribuídas a ela ou então é preciso um profissional de novo perfil, pois os cursos de formação de professores não conseguem capacitar o futuro professor a, simultaneamente, trabalhar a função didático pedagógica e a função social. Este novo profissional, insisto eu, é o Educador Social ou o Pedagogo Social.
Mas a escola pode fazer a diferença na vida de uma criança? Como? E o que tem faltado a ela para que realmente efetive seu papel educativo na sociedade? A escola tem suprido a criança daquilo que a família não pode oferecer e cada vez mais incorpora funções de natureza social em detrimento de suas funções didático pedagógicas, isso parece irreversível no Brasil. Propostas como creche e escola em tempo integral colocam em choque o Direito à Educação e o Direito à convivência familiar e comunitária. A atribuição de maiores responsabilidades educativas aos professores e à escola resultam em maior descrédito em relação aos pais e à família quanto à capacidade de educar seus próprios filhos.
E A formação de professores consegue contemplar toda a diversidade social que envolve a escola? Definitivamente não. E no ponto em que chegamos não sei se os cursos de formação de professores deveriam assumir isso como mais uma tarefa. Eu prefiro que a Pedagogia Social seja o campo de formação do novo profissional de que a escola necessita. Assim teríamos Pedagogia Escolar e Pedagogia Social trabalhando para fortalecer a Educação Escolar e a Educação Social e pedagogos escolares se pedagogos sociais trabalhando de forma complementar, articulada e integrada dentro da mesma unidade escolar.
Para encerrar, gostaria que o senhor citasse os desafios e as dificuldades do professor na atual sociedade. Os desafios maiores para quem é professor hoje é trabalhar dentro de um universo onde os valores são tão heterogêneos quanto à diversidade de pessoas. Não há modelos a serem seguidos, não há padrões que sejam consensuais, as verdades são todas relativas e o que move cada pessoa é a sua própria vontade. A inexistência de um projeto coletivo que estabeleça rumos para a formação coloca em constantes dúvidas o professor quanto ao acerto do que ele está fazendo, pois o trabalho é feito de forma fragmentada, sem uma percepção do todo, do conjunto, do tipo de homem ou mulher que se quer formar. As questões salariais, as condições de trabalho, a indisciplina dos alunos e a desvalorização do trabalho do professor e da escola, creio eu, apenas agravam esta angústia existencial, fazendo com que muitos professores passem rapidamente do entusiasmo juvenil à frustração profissional.