LÉON TOLSTOI (Lev Nikoláievich Tolstoi) - Escritor russo - 1828-1910.
Lembro-me de que, quando estava cansado de correr, vinha sentar-me junto à mesa, na minha cadeirinha de menino.
Já era tarde, tinha acabado há muito tempo minha xícara de leite açucarado e meus olhos se fechavam de sono; mas eu não me movia; ficava tranqüilo e escutava.
Como não havia de escutar?
Mamãe conversa com uma das pessoas presentes e o som de sua voz é tão brando, tão amável!
Por si só ele diz tantas coisas ao meu coração!
Olho-a fixamente, com olhos escurecidos pelo sono e de repente ela vai ficando pequenina, pequenina...
“Estás dormindo, diz mamãe. Era melhor que te fosses deitar”.
“Não tenho vontade de dormir, mamãe”.
Sonhos vagos, mas deliciosos, enchem minha imaginação; o bom sono da infância fecha as minhas pálpebras e, no fim de um instante, estou dormindo.
Sinto sobre mim, através do meu sono, uma mão delicada; reconheço-a só pelo contato e, dormindo embora, tomo-a e aperto-a muito nos meus lábios.
Todo o mundo se dispersou.
Só resta uma vela acesa na sala.
Mamãe disse que trataria de me acordar.
Ela se senta na poltrona onde estou dormindo, passa a mão em meus cabelos, inclina-se ao meu ouvido e murmura com sua linda voz que conheço tão bem:
“Levanta-te, meu coraçãozinho, já é hora de dormir”.
Nenhum olhar estranho a perturba: ela não teme derramar sobre mim toda a sua ternura. Não me mexo, mas beijo a sua mão com mais força ainda.
“Levanta-te, meu anjo”.
Ela põe a outra mão no meu pescoço e me faz cócegas com os dedos; sentou-se juntinho de mim, toca-me e eu ouço a sua voz: levanto-me de um salto, lanço os braços em volta do seu pescoço murmurando:
“Ó mamãe, querida mamãezinha, como eu te amo”.
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