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12/10/2023

COMENIUS


Jan Amos Komenský (em português Comenius ou Comênio) (28 de março de 1592 - 15 de novembro de 1670) foi um professor, cientista e escritor checo, considerado o fundador da Didática Moderna.

Propôs um sistema articulado de ensino, reconhecendo o igual direito de todos os homens ao saber. O maior educador e pedagogo do século XVII produziu obra fecunda e sistemática, cujo principal livro é a DIDÁTICA MAGNA. São suas propostas:

A educação realista e permanente;
Método pedagógico rápido, económico e sem fadiga;
Ensinamento a partir de experiências quotidianas;
Conhecimento de todas as ciências e de todas as artes;
ensino unificado.


Comenius nasceu em 28 de março de 1592, na cidade de Uherský Brod na Morávia, Europa central, Viveu e estudou na Alemanha e na Polónia.
Era de família eslava e protestante. A família seguia a seita dos Irmãos Morávios, inspirados nas ideias do reformista Jan Huss estreitamente ligado às Sagradas Escrituras e defensores de uma vida humilde, simples e sem ostentações. Tal educação rígida e piedosa influenciou o espírito de Comenius e o despertou para os estudos teológicos.

Sua educação não fugiu aos padrões da época: saber ler, escrever e contar, ensinamentos aprendidos em ambiente rígido, sombrio, onde a figura do professor dominava, as crianças sendo tratadas como pequenos adultos, os conteúdos escolares infalíveis e inquestionáveis. A rispidez no trato e a prática da palmatória eram elementos básicos. Assim, o rigor da escola e a falta de carinho marcaram a vida do órfão Comenius a ponto de inspirar, certamente, os princípios de uma didáctica revolucionária para o século XVII. Na Universidade Calvinista de Herbron, na Alemanha, cursou Teologia e adquiriu boa formação cultural e vasta cultura enciclopédica. Tornou-se pastor, tendo, ainda estudante, começado a escrever: "Problemata Miscelânea" e "Syloge Questiorum Controversum" foram as primeiras obras.

Em Heidelberg, na Alemanha, foi aprimorar seus estudos de astronomia e matemática. Voltou à Moravia e se estabeleceu em Prerov, no magistério, ansioso para pôr em prática suas ideias pedagógicas. Modificaria radicalmente a forma de ensinar artes e ciências na sua escola, destacando-se como professor.

Pedagogia de Comênio
Defendia sua pedagogia com a máxima: "Ensinar tudo a todos" que sintetizaria os princípios e fundamentos que permitiriam ao homem colocar-se no mundo como autor. Objectivando a aproximação do homem a Deus, seu objectivo central era tornar os homens bons cristãos - sábios no pensamento, dotados de fé, capazes de praticar ações virtuosas estendendo-se a todos: ricos, pobres, mulheres, portadores de deficiências. A didáctica é, ao mesmo tempo, processo e tratado: é tanto o ato de ensinar quanto a arte de ensinar.

Salientava a importância da educação formal de crianças pequenas e preconizou a criação de escolas maternais, pois teriam, desde cedo, a oportunidade de adquirir as noções elementares do que deveriam aprofundar mais tarde. A educação deveria começar pelos sentidos, pois as experiências sensoriais obtidas por meio dos objectos seriam internalizadas e, mais tarde, interpretadas pela razão. Compreensão, retenção e práticas consistiam a base de seu método didático e, por eles se chegaria às três qualidades: erudição, virtude e religião, correspondendo às três faculdades necessárias - intelecto, vontade e memória.

Fundamentos naturais do método de Comenius: - o fim é o mesmo: sabedoria, moral e perfeição; - todos são dotados da mesma natureza humana, apesar de terem inteligências diversas; - a diversidade das inteligências é tão somente um excesso ou deficiência da harmonia natural; - o melhor momento para remediar excessos e deficiências acontece quando as inteligências são novas.

O método tem como preceitos: - tudo o que se deve saber deve ser ensinado; - qualquer coisa que se ensine deverá ser ensinada em sua aplicação prática, uso definido; - deve ensinar-se de maneira directa e clara; - ensinar a verdadeira natureza das coisas, partindo de suas causas; - explicar primeiro os princípios gerais; - ensinar as coisas em seu devido tempo;

A obra de Comenius é um paradigma do saber sobre a educação da infância e juventude, utilizando, para isso, um local privilegiado: a escola. Já a Didática Magna apresenta as características fundamentais da escola moderna: - a construção da infância moderna como forma de pedagogização dessa infância por meio da escolaridade formal (até então, as crianças eram tratadas como pequenos adultos); - uma aliança entre a família e a escola, por meio da qual a criança vai se soltando da influência da órbita familiar para a órbita escolar; - uma forma de organização da transmissão dos saberes, baseada no método de instrução simultânea, agrupando-se os alunos; e - a construção de um lugar de educador, de mestre, reservado aos adultos portadores de saberes legítimos.

04/10/2021

FRANCISCO DE ASSIS

São Francisco de Assis nascido Francesco Bernardone, (Assis, 26 de setembro de 1181 — 3 de Outubro de 1226) foi um frade católico, fundador da "Ordem dos Frades Menores", mais conhecidos como Franciscanos.
Por seu apreço à natureza, é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente: a igreja católica costuma realizar cerimônias em honra aos animais próximas à data que o celebram, dia 4 de outubro


Francisco amava e respeitava todas as pessoas, ao mesmo tempo, que protegia animais e plantas aos quais chamava, carinhosamente, de irmãos.
Para ele, também a chuva, o vento e o fogo deveriam ser reverenciados e respeitados como irmãos.
São Francisco considerado o santo mais amigo dos animais, teve entretanto algumas uma citações sobre animais como se humanos fossem, inclusive exarcebando sua compreensão e paz.




Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde há ódio, que eu leve o amor.
Onde há ofensa, que eu leve o perdão.
Onde há discórdia, que eu leve a união.
Onde há dúvida, que eu leve a fé.
Onde há erro, que eu leve a verdade.
Onde há desespero, que eu leve a esperança.
Onde há tristeza, que eu leve a alegria.
Onde há trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre,
Fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna

08/03/2021

DIA DA MULHER, DIA DAS EDUCADORAS


Constance Kazuko Kamii
(nascida em Genebra) é uma psicóloga nipo-americana nascida na Suíça.

Filha de pai japonês e mãe estadunidense, viveu no Japão até os 18 anos, transferindo-se depois para os Estados Unidos, onde em 1955 bacharelou-se em Sociologia.

Mestra em Educação e doutora em Educação e Psicologia, pela Universidade de Michigan, EUA. Foi aluna e colaboradora de Jean Piaget, tendo feito diversos cursos de Pós-Doutorado nas universidades de Genebra e de Michigan, relacionados com a epistemologia genética e com outras áreas educacionais pertinentes tanto à teoria piagetiana como de outros pesquisadores. Atualmente é professora da Universidade do Alabama.

Livros:
Aritmética: Novas Perspectivas: Implicações da Teoria de Piaget
Conhecimento Físico na Educação O Pré-Escolar
A Criança e o Número
Crianças Pequenas: Reinventam a Aritmética
Desvendando a Aritmética: Implicações da Teoria de Piaget
Jogos em Grupo na Educação Infantil
Piaget para a Educação Pré-Escolar
Reinventando a Aritmética: Implicações da Teoria de Piaget




Emilia Ferreiro, psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México, fez seu doutorado na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget e, ao contrário de outros grandes pensadores influentes como Piaget, Vygotsky, Montessori, Freire, todos já falecidos, Ferreiro está viva e continua seu trabalho. Nasceu na Argentina em 1937, reside no México, onde trabalha no Departamento de Investigações Educativas (DIE) do Centro de Investigações e Estudos avançados do Instituto Politécnico Nacional do México.

Fez seu doutorado sob a orientação de Piaget – na Universidade de Genebra, no final dos anos 60, dentro da linha de pesquisa inaugurada por Hermine Sinclair, que Piaget chamou de psicolingüística genética. Voltou em 1971, à Universidade de Buenos Aires, onde constituiu um grupo de pesquisa sobre alfabetização do qual faziam parte Ana Teberosky, Alicia Lenzi, Suzana Fernandez, Ana Maria Kaufman e Lílian Tolchinsk.



Maria Montessori nasceu na Itália, em 1870, e morreu em 1952. Formou-se em medicina, iniciando um trabalho com crianças deficientes na clínica da universidade, vindo posteriormente dedicar-se a experimentar em crianças , os procedimentos usados na educação das deficientes.
A pedagogia Montessoriana relaciona-se a normatização (consiste em harmonizar a interação de forças corporais e espirituais, corpo, inteligência e vontade).
As escolas do Sistema Montessoriano são difundidas pelo mundo todo.
O método Montessoriano tem por objetivo a educação da vontade e da atenção, com o qual a criança tem liberdade de escolher o material a ser utilizado, alem de proporcionar a cooperação.
Os princípios fundamentais do sistema Montessori são: a atividade, a individualidade e a liberdade. enfatizando os aspectos biológicos, pois, considerando que a vida é desenvolvimento, achava que era função de educação favorecer esse desenvolvimento.
Os estímulos externos formariam o espírito da criança, precisando portanto ser determinados.
Assim, na sala de aula, a criança era livre para agir sobre os objetos sujeitos a sua ação, mas estes já estavam preestabelecidos, como os conjuntos de jogos e outros materiais que desenvolveu.

30/05/2016

JEAN JACQUES ROSSEAU




Jean-Jacques Rousseau (28 de Junho de 1712, Genebra - 2 de Julho de 1778, Ermenonville, perto de Paris) foi um filósofo suíço, escritor, teórico político e um compositor musical autodidata. Uma das figuras marcantes do Iluminismo francês, Rousseau é também um precursor do romantismo.
As ideias políticas de Rousseau tiveram grande influência nas inspirações ideológicas da Revolução Francesa, com o desenvolvimento das teorias Liberais, e com o crescimento do nacionalismo.
Sua herança de pensador radical e revolucionário está provavelmente melhor expressada em sua mais célebre frase, contida em O contrato social: «O homem nasce livre, porém em todos lados está acorrentado».
Inspirados nas idéias de Rousseau, os revolucionários defendiam o princípio da soberania popular e da igualdade de direitos.

Pedagogia.
Os pressupostos básicos de Rousseau com respeito à educação eram a crença na bondade natural do homem, e a atribuição à civilização da responsabilidade pela origem do mal. 
Se o desenvolvimento adequado é estimulado, a bondade natural do indivíduo pode ser protegida da influência corruptora da sociedade.
Conseqüentemente, os objetivos da educação, para Rousseau, comportam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da criança e seu afastamento dos males sociais. 

O mestre deve educar o aluno baseado nas suas motivações naturais. 
"Logo que nos tornamos conscientes de nossas sensações, estamos inclinados a procurar ou evitar os objetos que as produzem

21/05/2016

PESTALOZZI


Johann Heinrich Pestalozzi (Zurique, 12 de janeiro de 1746 — Brugg, 17 de fevereiro de 1827) foi um pedagogo suíço e educador pioneiro da reforma educacional.




Seu pai morreu quando ainda era criança, tendo sido criado pela mãe, sua família empobreceu. As dificuldades para sobreviver fortaleceram sua alma ainda na infância. Ele conheceu de perto o preconceito social e teve de lutar muito para se tornar conhecido numa sociedade dividida entre nobres e plebeus e entre ricos e pobres




Após a leitura do Emílio, de Rousseau, Pestalozzi foi influenciado pelo movimento naturalista e tornou-se um revolucionário, juntando-se aos que criticavam a situação política do país.




O horror da guerra: nasce o "Método Pestalozzi"A invasão francesa da Suíça em 1798 revelou-lhe um caráter verdadeiramente heróico. Muitas crianças vagavam no Cantão de Unterwalden, às margens do Lago de Lucerna, sem pais, casa, comida ou abrigo. Pestalozzi reuniu muitos deles num convento abandonado, e gastou suas energias educando-os. Durante o inverno cuidava delas pessoalmente com extremada devoção




Em 1801 Pestalozzi concentrou suas idéias sobre educação num livro intitulado “Como Gertrudes ensina suas crianças”. Ali expõe seu método pedagógico, de partir do mais fácil e simples, para o mais difícil e complexo. Continuava daí, medindo, pintando, escrevendo e contando, e assim por diante.




Em 1805 ele mudou-se para Yverdon, no Lago Neuchâtel, e por vinte anos dedicou-se ao seu trabalho continuamente. Ali era visitado por todos que se interessavam pela educação, como Talleyrand, d'Istria de Capo, e Mme. de Staël. Foi elogiado por Humboldt e por Fichte. Dentre seus discípulos incluem-se Denizard Rivail, Ramsauer, Delbrück, Blochmann, Carl Ritter, Froebel e Zeller.




Pestalozzi foi um dos pioneiros da pedagogia moderna, influenciando profundamente todas as correntes educacionais, e longe está de deixar de ser uma referência. Fundou escolas, cativava a todos para a causa de uma educação capaz de atingir o povo, num tempo em que o ensino era privilégio exclusivo.



17/10/2015

PROFESSOR X EDUCADOR

Prof. Antoni Zabala,da Universidade de Barcelona, um dos mais respeitados nomes da educação no mundo fala ao Itajubá em Foco o que é ensinar, a diferença entre professor e educador.




Prof. Antoni Zabala fala ao Itajubá em Foco sobre educar para a vida, escola em tempo integral, mudança do sistema educacional.



Prof. Antoni Zabala fala ao Itajubá em foco sobre seus livros e do uso da internet.

28/04/2015

FAÇO AMOR COM ELA TODOS OS DIAS



Eu sou um apaixonado.


Não consigo me distanciar dela.



Não vivo nela, mas ela vive em mim.



Estivemos distantes, mas ela nunca saiu de mim.



Eu faço amor com ela todos os dias em pensamento, ela não me sai da cabeça, quero ela a todo instante.



Os apaixonados me entendem...



Quando se ama assim, muitas vezes nos tornamos como a vela, que “para iluminar é preciso se consumir.”



Eu não consigo ficar longe dela, ela faz parte de minha vida!
Ela me ilumina e me consome



O seu nome é o mais lindo nome, ela se chama...



EDUCAÇÃO


Para o dia mundial da Educação.

31/03/2015

JANUSZ KORCZAK, MÁRTIR NA EDUCAÇÃO

Seu verdadeiro nome era Henrik Goldszmit (1878 - 1942), judeu polonês, adotou o pseudônimo com que ganhara um concurso literário na juventude. 
Estudou medicina em Paris e Berlim. Pediatra, é porém, por suas obras pedagógicas que ficou conhecido. Inspirou-se nas idéias de Pestalozzi, de educação não repressiva, vendo a criança como companheira de trabalho, levando em conta a individualidade, a influência do meio.
Korczak sintetizava seu método na seguinte frase:" eu não posso criar outra alma, mas posso acordar a alma que está dormindo".
Deve-se ressaltar a importância que teve na vida deste educador, a influência exercida por sua grande amiga Stefa Wilczinska, uma mulher notável.Juntos criaram um orfanato em Varsóvia, que funcionava como uma república infantil, onde as crianças tomavam decisões em assembléias.

Havia um parlamento, onde o voto de uma criança valia tanto quanto o de Korczak e um tribunal, destinado a defender os mais fracos. 
Esse tribunal, porém, antes de punir, incentivava o perdão e a reparação do dano cometido.

Após a invasão da Polônia pelos nazistas, o orfanato foi fechado e os judeus confinados no gueto de Varsóvia. 
A partir de 1940, Korczak passou a viver com as suas crianças nas péssimas condições reinantes no gueto.
O movimento polonês de resistência ofereceu documentos falsos para que Korczac, Stefa e outros colaboradores fugissem.
Korczac preferiu acompanhar suas crianças.
No embarque para Treblinka, Korczak, juntamente com a leal Stefa, estava à frente de 200 crianças, compartilhando de seu martírio.
Todos morreram em Treblinka, no ano de 1942, em mais uma vitória da barbárie sobre a civilização.


A capacidade de Korczak de se colocar na posição da criança é uma das características que tornam seu trabalho tão significativo.
O livro Quando Eu Voltar a Ser Criança conta a história de um professor que volta a ter 7 anos, morar com os pais e a irmãzinha e ir à escola.
O texto mostra como muitas vezes os adultos são tiranos e questiona essa superioridade. "Grande mérito ter nascido antes (...). Que nos deem então um exemplo de boa Educação.






O polonês pregava o respeito a todos, independentemente da idade. "As crianças não vão tornar-se pessoas no futuro porque já são pessoas". Por isso, dizia, elas devem ser compreendidas no momento em que estão. "Korczak era capaz de entender os pequenos sofrimentos da criança, que, muitas vezes, parecem bobagens para os adultos. Ele não se preocupava em fazê-la compreender que algo era insignificante se, para ela, o assunto tinha relevância".

22/10/2013

BLOG PROFESSORA LIA FIGAS

A aula terminou, mas a professora continua ensinando para uma sala vazia. A lição extra é gravada. No tripé improvisado, a câmera vira material didático.
Com a ajuda da câmera, a Lia dá aulas mesmo longe da escola. 
Quando chega em casa, ela publica o vídeo que produziu em um blog na internet. Assim, o conteúdo está sempre disponível.
Mas como atrair a atenção dos alunos? 


O segredo está no conteúdo desse blog..Assim diz o Jornal Nacional em homenagem ao dia dos professores.
Com muitos vídeos ela vai ensinando matemática de forma didática e muito compreensível.

Para conhecer o seu blog 
http://profliafigas.blogspot.com.br/p/video-aula.html


A professora Lia Figas sem dúvida é uma educadora que faz a diferença.



Alguns de sus vídeos



06/07/2013

OS GRANDES PENSADORES DA EDUCAÇÃO

Antes mesmo de existirem escolas, a educação já era assunto de pensadores.
Um dos primeiros foi o grego Sócrates (469-399 a.C.), para quem os jovens deveriam ser ensinados a conhecer o mundo e a si mesmos.
Para seu discípulo Platão (427-347 a.C.), o conhecimento só poderia ser alcançado num plano ideal e nem todos estariam preparados para esse esforço.
Aristóteles, discípulo de Platão, inverteu as prioridades e defendeu o estudo das coisas reais como um meio de adquirir sabedoria e virtude.
O sistema de ensino que ele preconizou era acessível a um número maior de pessoas.

Abaixo estão listadas as personalidades que mudaram o jeito de pensar e fazer educação:
•José Pacheco
Platão
•Rubem Alves

10/10/2012

AMOR - FORÇA EMULADORA DE TRANSFORMAÇÃO

Um professor universitário levou seus alunos de sociologia às favelas de Baltimore para estudar as histórias de duzentos garotos.
Pediu a eles que redigissem uma avaliação sobre o futuro de cada menino.
Em todos os casos, os estudantes escreveram: "Ele não tem chance alguma."
Vinte e cinco anos mais tarde, outro professor de sociologia deparou-se com o estudo anterior.
Pediu aos seus alunos que acompanhassem o projeto, a fim de ver o que havia acontecido com esses garotos.
Com exceção de vinte deles, que haviam se mudado ou morrido, os estudantes descobriram que 176 dos 180 restantes haviam se tornado pessoas de bem.
O professor ficou estarrecido e resolveu continuar o estudo.
Felizmente, todos os homens continuavam na mesma área, e ele pôde perguntar a cada um: "A que você atribui o seu sucesso?"
Em todos os casos, a resposta veio com sentimento "A uma professora".

A professora ainda estava viva, portanto, ele a procurou, perguntando à educadora, embora ainda ativa, que fórmula mágica havia usado para resgatar esses garotos das favelas para um mundo das conquistas bem sucedidas.

Os olhos da professora faiscaram e seus lábios se abriram num delicado sorriso.

- É realmente muito simples – disse ela. – Eu amava aqueles garotos.

Do livro - Canja de Galinha para a Alma
Jack Canfield & Mark Victor Hansen

01/08/2012

CONSTANCE KAMII

Nesse vídeo Constance Kamii fala sobre a promoção à autonomia, e sobre premiação e punição que mantém a criança na heteronomia.






http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=CUotd2XtWns

16/04/2012

PAULO FREIRE - PATRONO DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

O Diário Oficial da União publica nesta segunda-feira a lei que declara o educador Paulo Freire patrono da educação brasileira. O projeto de lei foi aprovado no início de março pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, em decisão terminativa, por unanimidade.

Paulo Reglus Neves Freire (1921-1997) foi educador e filósofo. Considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial, influenciou o movimento chamado pedagogia crítica. Sua prática didática fundamentava-se na crença de que o estudante assimilaria o objeto de análise fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído.

Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Foi preso em 1964, exilou-se depois no Chile e percorreu diversos países, sempre levando seu modelo de alfabetização, antes de retornar ao Brasil em 1979, após a publicação da Lei da Anistia.

08/04/2012

ENTREVISTA SOBRE O PAPEL DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA


Fiz algumas perguntas (já prontas pela professora) para um trabalho de faculdade, onde minha Pedagoga preferida respondeu sobre o seu cargo de Coordenadora Pedagógica.
A minha admiração pela sua capacidade não tem tamanho.
Eis suas respostas...


1. Quais são as atribuições do Coordenador Pedagógico na Educação Básica?


No trabalho e na função que exerço como Coordenadora Pedagógica na Educação Básica, necessito desenvolver continuamente uma leitura proximal de realidade e a leitura que os profissionais envolvidos tem sobre essa realidade que compõe o SABER-FAZER.
Neste caso, o Coordenador Pedagógico é o agente responsável pela formação continuada de professores, sensibilizando o saber-fazer de maneira a não unilateralizar as tomadas de decisão, como se tivesse todas as respostas para os encaminhamentos pedagógicos e resoluções de conflitos que inquietam a equipe docente.

Quando o saber-fazer parte de uma concepção sensível da realidade, onde o mais importante é possibilitar um trabalho de intervenção pedagógica pela necessidade do grupo, pela identificação das manifestações que impactam mais e de forma significativa entre estudantes e professores, causa prazer no clima organizacional da escola.

A função da educação é preparar pessoas com habilidades e competências para intervirem no meio em que estão inseridos e provocarem melhorias e mudanças em si e para si próprios e para os outros.
Com este ponto de vista, o papel do Coordenador Pedagógico é muito dinâmico. Ele lida diretamente com o que é da natureza própria da escola: a preocupação e a função de ensinar e favorecer a aprendizagem, integrando todos os elementos envolvidos no processo ensino-aprendizagem.
Ele deve ter um conhecimento profundo da realidade da escola e do mundo que o cerca e não perder de vista o que é essencial: gerar transformações no cerne dos seres humanos. E isso se faz em conjunto, não é trajetória solitária. É trabalho feito a muitas mãos. “Co-ordenar” exige parceria e estímulo incessante na formação continuada.


2. Dentre as atribuições do Coordenador Pedagógico, você destacaria alguma? Qual? Justifique


Promover a reflexão, a significação da trajetória histórica em que vivemos, numa contextualização social da qual a escola está inserida é uma das atribuições mais importante a meu ver. O papel da escola é social.

Várias metáforas são construídas sobre o papel e a função do Coordenador Pedagógico na escola, dentre ela a de “bombeiro” (o responsável por apagar o fogo dos conflitos), a de “Bombril” (mil e uma utilidades), a de “salvador da escola” (o profissional que tem de responder pelo desempenho de professores na prática cotidiana e do aproveitamento dos alunos). Além destas metáforas, outras aparecem definindo-o como profissional que assume uma função de gerenciamento na escola, que atende pais, alunos, professores e também se responsabiliza pela maioria das “emergências” que lá ocorrem, isto é, como um personagem “resolve tudo” e que deve responder unidirecionalmente pela vida da escola.

3. Como o trabalho do Coordenador Pedagógico está organizado e qual sua relevância para a dinâmica da instituição escolar?


Segundo Piletti, O TRABALHO DO COORDENADOR PEDAGÓGICO DEVERIA ESTAR ORGANIZADO assim:
a) assessoria permanente e continuada ao trabalho docente;
b) acompanhar o professor em suas atividades de planejamento, docência
e avaliação;
c) fornecer subsídios que permitam aos professores atualizarem-se e aperfeiçoarem-se constantemente em relação ao exercício profissional;
d) promover reuniões, discussões e debates com a comunidade escolar no sentido de melhorar sempre mais o processo educativo;
e) estimular os professores a desenvolverem com entusiasmo suas atividades, procurando auxiliá-los na prevenção e na solução dos problemas que aparecem.

Entretanto, acredito que por desconhecimento das mesmas, muitos olhares são lançados sobre a identidade e função do coordenador pedagógico na escola, cobrando a determinação do sucesso da vida escolar e encaminhamentos de problemáticas que se sucedem no cotidiano.

A relevância para a dinâmica da instituição escolar é, no meu ponto de vista, resgatar a intencionalidade da ação ressignificando o trabalho, ser um instrumento de transformação da realidade - resgatar a potência da coletividade; gerar esperança, possibilitar um referencial de conjunto para a caminhada pedagógica – agregar pessoas em torno de uma causa comum; gerar solidariedade, parceria; ajudar a construir a unidade  superando o caráter fragmentário das práticas em educação, a mera justaposição e possibilitando a continuidade da linha de trabalho na instituição; propiciar a racionalização dos esforços e recursos (eficiência e eficácia), utilizados para atingir fins essenciais do processo educacional; ser um canal de participação efetiva, superando as práticas autoritárias e/ou individualistas e ajudando a superar as imposições ou disputas de vontades individuais, na medida em que há um referencial construído e assumido coletivamente; aumentar o grau de realização e, portanto, de satisfação de trabalho.


4. Quais são os desafios da Coordenação Pedagógica?


Sendo o papel da escola social, esse é o grande desafio na função do Coordenador Pedagógico, pois, ele deve estar a todo o momento refletindo sobre o SABER-FAZER com a equipe de professores que está comprometido com a construção de uma nova sociedade. A escola é uma mini-sociedade que está constantemente em mudança. Nesse processo, ressignificar as ações pedagógicas para REFLETIR sobre a realidade e não REPRODUZIR conceitos.

A escola como instituição social, deve repensar, refletir, comparar, compreender e ressignificar incansavelmente o papel do professor e do aluno em um processo que articula as atividades de ensino às atividades de aprendizagem. Esse movimento de reorganização nos remete e nos possibilita abrirmo-nos ao futuro com grande esperança e mentalidade de constante mudança com visões menos mecanicistas e mais holísticas.


09/03/2010

FRIEDRICH FROEBEL

O alemão Friedrich Froebel (1782-1852) foi um dos primeiros educadores a considerar o início da infância como uma fase de importância decisiva na formação das pessoas – idéia hoje consagrada pela psicologia, ciência da qual foi precursor. Froebel viveu em uma época de mudança de concepções sobre as crianças.
Esteve à frente desse processo na área pedagógica, como fundador dos jardins-de-infância, destinado aos menores de 8 anos.
O nome reflete um princípio que Froebel compartilhava com outros pensadores de seu tempo: o de que a criança é como uma planta em sua fase de formação, exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira saudável.

As técnicas utilizadas até hoje em Educação Infantil devem muito a Froebel. Para ele, as brincadeiras são o primeiro recurso no caminho da aprendizagem.

Froebel considerava a Educação Infantil indispensável para a formação da criança – e essa idéia foi aceita por grande parte dos teóricos da educação que vieram depois dele.
O objetivo das atividades nos jardins-de-infância era possibilitar brincadeiras criativas.
As atividades e o material escolar eram determinados de antemão, para oferecer o máximo de oportunidades de tirar proveito educativo da atividade lúdica. Froebel desenhou círculos, esferas, cubos e outros objetos que tinham por objetivo estimular o aprendizado.

O educador acreditava que as crianças trazem consigo uma metodologia natural que as leva a aprender de acordo com seus interesses e por meio de atividade prática.

Froebel defendia a educação sem imposições às crianças porque, segundo sua teoria, elas passam por diferentes estágios de capacidade de aprendizado, com características específicas, antecipando as idéias do suíço Jean Piaget.

Via a educação como uma atividade em que escola e família caminham juntas.

29/11/2009

SABER E SABOR

Documentário onde vários educadores relembram como foi a educação e lembranças de seu tempo e discutem e apontam para a Educação IDEAL.
Rubem Alves, mee filósofo preferido diz:
" EDUCAR NÃO É ENSINAR AS RESPOSTAS, EDUCAR É ENSINAR A PENSAR"


31/07/2009

PAULO FREIRE

A EDUCAÇÃO COM GENTILEZA


Paulo Freire nasceu em 19 de setembro de 1921 em Recife. Sua família fazia parte da classe média, mas Freire vivenciou a pobreza e a fome na infância durante a depressão de 1929, uma experiência que o levaria a se preocupar com os mais pobres e o ajudaria a construir seu revolucionário método de alfabetização. Por seu empenho em ensinar os mais pobres, Paulo Freire tornou-se uma inspiração para gerações de professores, especialmente na América Latina e na África. Pelo mesmo motivo, sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964-1985), sendo preso e forçado ao exílio.[carece de fontes?]

O educador procurou fazer uma síntese de algumas correntes do pensamento filosófico de sua época, como o existencialismo cristão, a fenomenologia, a dialética hegeliana e o materialismo histórico.[carece de fontes?] Essa visão foi aliada ao talento como escritor que o ajudou a conquistar um amplo público de pedagogos, cientistas sociais, teólogos e militantes políticos, quase sempre ligados a partidos de esquerda.

A partir de suas primeiras experiências no Rio Grande do Norte, em 1963, quando ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias, Paulo Freire desenvolveu um método inovador de alfabetização, adotado primeiramente em Pernambuco. Seu projeto educacional estava vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo João Goulart.





Professor na Universidade Federal de Pernambuco, onde dirigiu o Centro de extensão Cultural. Foi consultor especial para assuntos de educação no Ministério de Educação e Cultura.
Foi contratado pela Unesco para servir em Santiago do Chile, onde trabalhou na formulação do Plano de Educação em Massa, durante o governo Frey.
Tem pronunciado conferências em inúmeras escolas dos Estados Unidos, em diversas Universidades da Europa e em vários países da África.
Segundo o professor Ernani Maria Fiori, "Paulo Freire é um pensador comprometido com a vida: não pensa idéias, pensa existência. É também educador: existência seu pensamento numa pedagogia em que o esforço totalizador da práxis humana busca, na interioridade desta, retotalizar-se como prática da liberdade.

11/06/2009

DA PAIXÃO DE ENSINAR À PAIXÃO DE APRENDER

Ensino e aprendizagem estão sempre juntos.
É verdade que a visão cartesiana era diferente: ensino deveria estar separado de aprendizagem, porque o ensino dependia do professor e o aprendizado do aluno.
Muitos educadores ainda acolhem essa dicotomia até os nossos dias.

O que impede a paixão pelo ensinar, estar em sala de aula, atender alunos com dificuldades e envolver-se com os têm grande dificuldade de aprender?
Uma das razões é a nossa origem histórica como professores porque somos originários da escravidão.
Vivíamos em palácios e com os príncipes que educávamos, porém, éramos escravos. Sentindo-se sem autoridade porque esta era delegada, sobretudo, aos soldados dos reinos antigos, os educadores foram estruturando em si mesmos uma necessidade de ter autoridade e poder exercê-la.
Ainda hoje muitos buscam inúmeras razões para dar ordens e determinar situações dentro da escola, sem a mínima razão de ser, apenas para demonstrar que têm poder, aquele poder que não tinham à época da escravidão.
Trata-se de um mecanismo de compensação.
E quando o professor percebe que está fazendo algo que não representa fator relevante frustra-se e se desapaixona.

Outra razão é o conservadorismo. Desenvolver práticas porque deram certo no passado, nada garante a eficácia delas em nossos dias.
Seguir tradições sem discernimento pode levar à frustração desapaixonante.

As escolas estão envolvidas pelo instrucionismo.
Acreditam que o professor ensina e o aluno aprende.
Quem acredita nisso, quando vê seus alunos repelirem certas aulas, parecem estar diante de castelos que desabaram.
Creio que deva ser frustrante, em todos os anos letivos repetir as mesmas coisas, falando dos mesmos fatos, narrando os mesmos acontecimentos. Um ensino, pelo ensino, sem a participação, sem as relações contextualizadas perde o seu brilho e frustra o professor.

Quem imita um mestre antigo também não consegue se apaixonar porque imita.
Não se trata de um educador original, trata-se de um imitador.

O mais grave em tudo é o descompromisso.
Muitas vezes ouvimos a fala de alguns professores referindo-se aos salários, dizendo que, agora, dançam conforme a música: se pagam o que acham devido, trabalham, se não recebem, diminuem o ritmo, condensam a matéria e não criam nada de novo.

O resultado disso é desastroso porque, em pouco tempo, o professor sente-se inútil.
Os educandos falam melhor dos computadores que dos seus educadores.
Além disso, seria importante lembrar que se discute, hoje, a eutanásia, em vários países do mundo. O nosso não estará longe dessa situação. O descompromisso poderá oferecer à sociedade uma plêiade de jovens também descompromissados, sobretudo com a vida.
O resultado para nós, professores, será frustrante quando daqui a cinqüenta anos percebermos os mais novos aborrecidos com a nossa presença no mundo e desejando enviar-nos para a vida eterna mais depressa!
O filósofo alemão Frank Schirrmacher prevê que a sociedade estará envolta numa revolução cultural muito forte determinada pela demografia e que a crise será instalada entre jovens versus idosos que, segundo o autor de Complô Matusalém, ainda sem tradução no Brasil, triplicará até o ano de 2056 (Schirrmacher, 2004).

Mesmo que Massimo Canevacci discorde desse enfoque em seu livro Culturas extremas, informando e deduzindo acerca do aumento do conceito de juventude e derrubando os conceitos impostos pela demografia, um fato me parece claro: o choque acabará existindo e, não será pela via do descompromisso e da inexistência de uma formação ética desapaixonante que chegaremos a bom termo.

Teoricamente estes elementos apresentados impedem a paixão pelo ensinar que desemboca em práticas incentivadas pela sociedade, imprensa e congressos de educação que, por sua vez, "tapando o sol com a peneira" continuam a frustrar os educadores.

Passa-se, então, a ensinar o que os alunos gostam de aprender.
O resultado é simples: surgirão lacunas que derrubarão os alunos em fases posteriores.
O professor ouve dizer que, agora, ele deve ser facilitador.
O problema não é que o facilitador seja um "mão aberta" deixando que tudo aconteça. Se facilitar é um caminho para o aprender mais, então ótimo, vamos facilitar.
Mas, a questão é mais profunda porque enquanto facilitamos não podemos deixar de sermos desafiadores.
Irá crescer na vida quem vencer desafios, quem tiver coragem para superar obstáculos.
Pedro Demo afirma em seu livro "Ironias da Educação" que conferência-show e aula-show não é local de pesquisa, portanto esse nosso momento é um momento desafiador e incentivador, não é um momento de pesquisa que, se foram todos os leitores desse tema responsáveis, deverá acompanhar o educador pelos dias seguintes, meses e anos. Será o árduo trabalho do pós-congresso que trará de volta o saber mais profundo e a responsabilidade estribada em competência resultante de relevantes estudos.

Certas convicções erradas levam ao desastre profissional e à frustração desapaixonante:
a) já aprendi o que tinha de aprender, agora somente devo ensinar;
b) se participo de seminários e semanas pedagógicas tenho tudo resolvido, cumpri com minha parte e nada mais precisa ser acrescentado;
c) agora basta encantar os alunos, nem que seja com algum trabalho de grupo que não represente um fenômeno pedagógico relevante (Demo, 2005) e constitua, apenas, uma conversa fiada.

Além disso, o que frustra muito é até a ditadura da beleza. Diante de um modelo de 23 anos, uma mulher de 25 sente-se velha e feia (Schirrmacher, 2004). Muitos se acham velhos e feios diante dos alunos cada vez mais produzidos pelos padrões da sociedade de consumo.

Impõe-se aos educadores uma reflexão sobre a bagagem que transportam. As quantidades de carga cognitiva sem expressão, valores corrompidos e diluídos na sociedade consumista e atitudes de descompromisso com as pessoas e com os projetos de educação.

Resta a questão sobre a possibilidade de ainda apaixonar-se com o magistério. Há caminhos e pistas seguras e algumas delas são aqui colocadas para reflexão:

Apaixonar-se sai caro e é preciso ser vocacionado para essa carreira. Além disso, o aprender sempre e o aprender a aprender devem acompanhar o professor. A capacidade de saber lidar com alunos com grande dificuldade para aprender (Morin, 2003) e ser capaz de ensinar o aluno a aprender fazem parte dessa paixão. Apaixonar-se não significa alienar-se, portanto, buscar um melhor salário faz parte dessa questão, contanto que se apresente ao lado das reivindicações a competência correspondente.

A paixão, além de representar uma adesão ao projeto educacional da Instituição em que estamos trabalhando, terá como conseqüência o "vestir a camisa" livremente e conscientemente, superar obstáculos, comprometer-se, continuar lendo e pesquisando. Junte-se a tudo isso o otimismo gerado na esperança e a criação de oportunidades, e teremos um ser humano comprometido e apaixonado pelo que faz.

A realização profissional do educador acontece em vários espaços, porém, é dentro da escola que ele é mais visível por ser lá que a maioria trabalha. Quem se dirige a uma escola para trabalhar leva consigo um projeto e, lá dentro, deseja colocá-lo em prática. Aqui é importante salientar que não somos nós, educadores, que realizaremos um projeto nosso dentro de uma escola que não é nossa. Nosso trabalho é para que o projeto da escola seja colocado em prática, então, dentro das possibilidades, podemos ajustar alguns de nossos ideais educacionais e até projetos educacionais ao projeto que a escola onde trabalhamos está desenvolvendo. Essa capacidade de conviver com projetos alheios para, em seguida, incorporar aos nossos é vital para a realização de cada educador.

Decorre, então, uma questão simples e, ao mesmo tempo, vital: ao escolhermos uma escola para trabalhar e, conseqüentemente, nos realizarmos profissionalmente precisamos avaliar as relações entre o projeto da escola e os nossos. Se a discrepância entre um e outro for muito grande a ponto de não haver possibilidade de assimilação, deveríamos buscar outro estabelecimento porque, se não conseguirmos juntar ao nosso trabalho algum ideal que temos dentro de nós, para sentirmos mais de perto as pessoas (Werneck, 2004), o trabalho será frustrante.

Trabalhar em qualquer lugar, em qualquer instituição e nem ligar para a realização será a adoção de professor, típico "dador de aulas" ou "piloto de livro didático". Desses caricatos a realização passa longe!

Todos esses elementos nos colocarão em pé de igualdade com a juventude de culturas eXtremas (Canevacci, 2005), essa juventude ocupada com a aporia, a nonorder, a e-scape e a diáspora virtual. E enquanto estivermos nós, educadores, perdidos diante do ciberespaço que eles dominam, convivendo com mercadorias tatuadas (as que usam códigos de barras) e, ainda de modo pior, na desilusão entre a fronteira entre a pessoa e seu site, não teremos razão para nos apaixonarmos. No entanto, quando assumirmos as nossas vidas, a real e a virtual, a metrópole com suas dispersões e o ciberespaço com sua virtualidade envolvente estaremos dentro do paradigma moderno de uma educação que busca a inspiração no texto e nos contextos da vida humana.


DO SITE LINK Hamilton Werneck

10/06/2009

FERNANDO HERNÁNDEZ

Reorganizar o currículo por projetos, em vez das tradicionais disciplinas. Essa é a principal proposta do educador espanhol Fernando Hernández. Ele se baseia nas idéias de John Dewey (1859-1952), filósofo e pedagogo norte-americano que defendia a relação da vida com a sociedade, dos meios com os fins e da teoria com a prática.

Hernández põe em xeque a forma atual de ensinar. "Comecei a me questionar em 1982, quando uma colega me apresentou a um grupo de docentes", lembra. "Eles não sabiam se os alunos estavam de fato aprendendo. Trabalhei durante cinco anos com os colegas e, para responder a essa inquietação, descobrimos que o melhor jeito é organizar o currículo por projetos didáticos."

O modelo propõe que o docente abandone o papel de "transmissor de conteúdos" para se transformar num pesquisador. O aluno, por sua vez, passa de receptor passivo a sujeito do processo.

É importante entender que não há um método a seguir, mas uma série de condições a respeitar. O primeiro passo é determinar um assunto — a escolha pode ser feita partindo de uma sugestão do mestre ou da garotada. "Todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências sobre o assunto", diz Hernández.

Cabe ao educador saber aonde quer chegar. "Estabelecer um objetivo e exigir que as metas sejam cumpridas, esse é o nosso papel", afirma Josca Ailine Baroukh, assistente de coordenação da assessoria pedagógica da Escola Vera Cruz, em São Paulo.

Por isso, Hernández alerta que não basta o tema ser "do gosto" dos alunos. Se não despertar a curiosidade por novos conhecimentos, nada feito. "Se fosse esse o caso, ligaríamos a televisão num canal de desenhos animados", explica. Por isso, uma etapa importante é a de levantamento de dúvidas e definição de objetivos de aprendizagem. O projeto avança à medida que as perguntas são respondidas e o ideal é fazer anotações para comparar erros e acertos — isso vale para alunos e professores porque facilita a tomada de decisões. Todo o trabalho deve estar alicerçado nos conteúdos pré-definidos pela escola e pode (ou não) ser interdisciplinar. Antes, defina os problemas a resolver. Depois, escolha a(s) disciplina(s). Nunca o inverso.

A conclusão pode ser uma exposição, um relatório ou qualquer outra forma de expressão. Para Cristina Cabral, supervisora escolar da rede pública, a proposta é excelente, mas é preciso tomar cuidado porque nada acontece por acaso. "O tratamento didático é essencial ao longo do processo", destaca.

É importante ainda frisar que há muitas maneiras de garantir a aprendizagem. Os projetos são apenas uma delas. "É bom e é necessário que os estudantes tenham aulas expositivas, participem de seminários, trabalhem em grupos e individualmente, ou seja, estudem em diferentes situações", explica Hernández.

Vera Grellet, psicóloga e coordenadora de projetos da Redeensinar, concorda. "O currículo tradicional afasta as crianças do mundo real. A proposta dele promove essa aproximação, com excelentes resultados."

Para Hernandez a organização do currículo deve ser feita por projetos de trabalho, com atuação conjunta de alunos e professores. As diferentes fases e atividades que compõem um projeto ajudam os estudantes a desenvolver a consciência sobre o próprio processo de aprendizagem, porém todo projeto precisa estar relacionado aos conteúdos para não perder o taco. Além disso é fundamental estabelecer limites e metas para a conclusão dos trabalhos.

Para saber mais:

Transgressão e Mudança na Educação, Fernando Hernández,
152 págs., Ed. Artmed, tel. 0800 703-3444
Fonte: Revista Nova Escola - Edição Nº154 – Agosto de 2002

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