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01/04/2017

CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA EDUCACIONAL JAPONÊS:


Boas maneiras
No Japão as escolas ensinam primeiro as boas maneiras, as crianças são ensinadas a respeitar, ser gentil com todos até mesmo com os animais e a natureza, aprendem a ser generosas, compassivas, empáticas, ter autocontrole e coragem. 
O ano letivo começa diferente
O ano letivo no Japão é dividido em 3 trimestres: 1 de abril a 20 de julho, 1 de setembro a 26 de dezembro, e 7 de janeiro a 25 de março. Os estudantes têm 6 semanas de férias durante o verão. Também têm pausas de duas semanas no inverno e na primavera, isso ajuda a recuperar o fôlego. 
Os alunos limpam a escola
Nas escolas japonesas, os alunos têm de limpar as salas de aula, cozinhas e até mesmo os banheiros, tudo sozinhos. A escola divide os alunos em pequenos grupos e as tarefas são atribuídas durante o ano, eles acreditam que exigir que os alunos limpem o local onde estudam os ensina a trabalhar em equipe e ajudar uns aos outros. Quando é o aluno que limpa ele dá mais valor e acaba respeitando mais o espaço, dando valor ao seu trabalho e dos outros.  
O almoço tem um menu padronizado
As escolas garantem que os alunos tenham refeições saudáveis e equilibradas, o almoço no sistema de educação japonês é servido de acordo com um menu padronizado desenvolvido por chefs qualificados e profissionais de saúde. Eles comem dentro da sala de aula, junto com o professor.
Cursos extracurriculares são comuns
No Japão os estudantes fazem cursos preparatórios e participam de diversas oficinas, geralmente os alunos retornam a escola no período da noite para fazer os cursos. O dia escolar no aluno é de 8 horas por dia, eles estudam nos feriados e fins de semana também, esse é um dos motivos que fazem os alunos não repetirem de ano. 
Os  japoneses aprendem caligrafia e poesia
Os alunos têm aulas de caligrafia, pois o Shodo é uma arte, assim como o Haiku que é uma forma de poesia que usa expressões simples para transmitir emoções profundas aos leitores. São aulas que ensinam as crianças a respeitar sua própria cultura.
A taxa de frequência escolar é de cerca de 99,99%

Matar aula é algo que não acontece, os estudantes japoneses não faltam à escola, nem chegam atrasados. Eles também são bastante focados e cerca de 91% dos alunos no Japão relataram que nunca ignoraram o que o professor ensinava.

22/12/2016

OS DEZ ERROS NAS FESTAS ESCOLARES


Aulas perdidas, desrespeito à diversidade cultural e à liberdade religiosa...
A revista NOVA ESCOLA mostra os dez erros mais comuns nas festas escolares

Durante o ano, temos 11 feriados nacionais - na média de um a cada cinco semanas -, um monte de datas para lembrar pessoas (Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, do Índio) e fatos históricos (Descobrimento do Brasil, Proclamação da República).
Sem contar os acontecimentos de importância regional. 

Nada contra eles.

O problema é que muitas vezes a escola usa o precioso tempo das aulas para organizar comemorações relacionadas a essas efemérides.
O aluno é levado a executar tarefas que raramente têm relação com o currículo. 
Muitos professores acreditam que estão ensinando alguma coisa sobre a questão indígena no Brasil só porque pedem que a turma venha de cocar no dia 19 de abril - o que, obviamente, não funciona do ponto de vista pedagógico.

ALGUNS ITENS APONTADOS, O RESTANTE PODE-SE LER NA REVISTA

A questão de uma escola laica

Dos 11 feriados nacionais, cinco têm origem no catolicismo (Páscoa, Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Finados e Natal). As escolas que seguem essa religião lembram as datas. O problema é que as escolas públicas também. Segundo a Constituição da República, o Brasil é um Estado laico, ou seja, sem religião oficial.

A confusão entre o currículo e o tema da festa

A festa não ter relação com o currículo é um problema. Mas outro tão grave quanto é usá-la como pretexto para ensinar. "Já que temos de fazer bandeirinhas para enfeitar barraquinhas, então vamos aproveitar para ensinar geometria", pensam alguns professores bem-intencionados, esquecendo que um ensino eficiente requer planejamento, avaliação inicial e contínua e uma seqüência lógica que leve à construção do conhecimento. É como se, de repente, estimar a quantidade de pipocas no saquinho virasse conteúdo de Matemática.

O mau uso das poucas horas dedicadas às aulas de Arte

Não raro, o espaço que seria utilizado para essa disciplina é convertido em oficina de enfeites. Para colocar o aluno em situação de aprendizagem, é papel do professor de Arte propor atividades que favoreçam o percurso criador. "A subjetividade não pode ser ofuscada pelo sentido objetivo e funcional do ornamento, com caráter unicamente estético"

A estereotipação dos personagens

Caipira com dente preto e roupas remendadas em junho, cocares e instrumentos de percussão em meados de abril. Esses estereótipos não correspondem à realidade. Homens e mulheres que moram no interior não se vestem dessa maneira, e os índios brasileiros vivem em contextos bem diferentes.

A única maneira de socializar a aprendizagem

Um dos objetivos da escola deve ser exibir a produção intelectual e artística do aluno, principalmente aos pais, nas mais variadas ocasiões.
 Fazer uma festa é apenas uma possibilidade, por isso não deve ser usada em excesso.
 Geralmente, o caráter de recreação costuma dificultar a apresentação dos saberes. "Já feiras e exposições favorecem o foco no conhecimento e permitem ainda situações de comunicação oral formal, importante maneira de compartilhar o aprendizado"

PARA LER NA ÍNTEGRA LINK REVISTA NOVA ESCOLA


09/10/2015

ENSINANDO UMA CRIANÇA DE CADA VEZ



Educar crianças de famílias pobres é mais do que um jogo de números, afirma Shukla Bose.
Ela conta a história de sua pioneira Fundação Humanitária Parikrma, que leva esperança às favelas da Índia, olhando além das estatísticas desanimadoras e colocando o foco em tratar cada criança como um indivíduo.
Trabalhando com as famílias ela conseguiu construir várias escolas e até uma faculdade na Ìndia.

PARA LEGENDA CLIQUE EM SUBTITLES.





23/05/2015

UM ALUNO DE PESTALOZZI

Profunda esta descrição de um aluno de Pestalozzi que relata como eram as suas aulas...

"Para os primeiros elementos de Geografia éramos levados ao ar livre.
Começavam por conduzir nossos passos na direção de um vale afastado.
Devíamos olhar para esse vale como um todo em suas diversas partes, até que tivéssemos dele uma impressão exata e completa.
Então nos era dito, a cada um de nós, que devíamos cavar certa quantidade de barro, que havia em camadas de um lado do vale, e, com isso, enchíamos grandes folhas de papel trazidas para esse fim.

Quando chegávamos à escola, éramos postos ao redor de grandes mesas, que eram divididas, e cada criança devia, com o barro, construir, na parte que lhe fora destinada, um modelo do vale que havíamos recentemente observado...
Então, e somente então, olhávamos para o mapa, pois os agora havíamos adquirido a capacidade de interpretá-lo corretamente."

29/03/2015

O SISTEMA PREVENTIVO NA EDUCAÇÃO DOS JOVENS

TEXTO DE DOM BOSCO DO ANO DE 1877

Fui instado várias vezes a expressar, verbalmente ou por escrito, o meu pensamento sobre o chamado Sistema Preventivo, que se costuma praticar em nossas casas.
Por falta de tempo, não pude ainda satisfazer esse desejo.
Querendo agora imprimir o Regulamento, que até hoje tem sido usado sempre tradicionalmente entre nós, julgo oportuno expor aqui um rápido esboço. I
sso será como o índice de um opúsculo que estou elaborando, se Deus me der vida para levá-lo a termo. Move-me a isso apenas a vontade de colaborar na difícil arte da educação juvenil. Direi, portanto, em que consiste o Sistema Preventivo, e por que se deve preferir; sua aplicação prática e vantagens.


1. Em que consiste o Sistema Preventivo e por que se deve preferir

São dois os sistemas até hoje usados na educação da juventude: o Preventivo e o Repressivo. O Sistema Repressivo consiste em fazer que os súbditos conheçam a lei, e depois vigiar para saber os seus transgressores e infligir-lhes, quando necessário, o merecido castigo. Nesse sistema, as palavras e o semblante do superior devem constantemente ser severos e até ameaçadores, e ele próprio deve evitar toda a familiaridade com os dependentes. O diretor, para dar mais prestígio à sua autoridade, raro deverá achar-se entre os dependentes e quase unicamente quando se trata de ameaçar ou punir. Esse sistema é fácil, menos trabalhoso. Serve especialmente para soldados e, em geral, para pessoas adultas e sensatas, que devem, por si mesmas, estar em condições de saber e lembrar o que é conforme às leis e outras prescrições.

Diferente e, eu diria, oposto é o Sistema Preventivo. Consiste em tornar conhecidas as prescrições e as regras de uma instituição, e depois vigiar de modo que os alunos estejam sempre sob os olhares atentos do diretor ou dos assistentes. Estes, como pais carinhosos, falem, sirvam de gula em todas as circunstâncias, dêem conselhos e corrijam com bondade. Consiste, pois, em colocar os alunos na impossibilidade de cometerem faltas.

O sistema apóia-se todo inteiro na razão, na religião e na bondade. Exclui, por isso, todo o castigo violento, e procura evitar até as punições leves. Parece preferível pelas seguintes razões:

1. O aluno, previamente avisado, não fica abatido pelas faltas cometidas, como sucede quando são levadas ao conhecimento do superior. Não se irrita pela correção feita nem pelo castigo ameaçado, ou mesmo infligido, pois a punição contém em si um aviso amigável e preventivo que o leva a refletir e, as mais das vezes, consegue granjear-lhe o coração. Assim o aluno reconhece a necessidade do castigo e quase o deseja.

2. A razão mais essencial é a volubilidade do menino, que num instante esquece as regras disciplinares e o castigo que ameaçam. Por isso é que, amiúde, se torna um menino culpado e merecedor de uma pena em que nunca pensou, e de que absolutamente não se lembrava no momento da falta cometida, e que teria por certo evitado, se uma voz amiga o tivesse advertido.

3. O Sistema Repressivo pode impedir uma desordem, mas dificilmente melhorará os culpados. Diz a experiência que os jovens não esquecem os castigos recebidos, e geralmente conservam ressentimento acompanhado do desejo de sacudir o jugo e até de tirar vingança. Podem, às vezes, parecer indiferentes; mas quem lhes segue os passos sabe quão terríveis são as reminiscências da juventude. Esquecem facilmente os castigos que recebem dos pais; muito dificilmente, porém, os dos educadores. Há casos de alguns que na velhice se vingaram com brutalidade de castigos justos que receberam nos anos de sua educação. O Sistema Preventivo, pelo contrário, granjeia a amizade do menino, que vê no assistente um benfeitor que o adverte, quer fazê-lo bom, livrá-lo de dissabores, castigos e desonra.

4. O Sistema Preventivo predispõe e persuade de tal maneira o aluno, que o educador poderá em qualquer lance falar-lhe com a linguagem do coração, quer no tempo da educação, quer ao depois. Conquistado o ânimo do discípulo, poderá o educador exercer sobre ele grande influência, avisá-lo, aconselhá-lo, e também corrigi-lo, mesmo quando já colocado em qualquer trabalho ou empregos públicos, ou no comércio. Por essas e muitas outras razões, parece que o Sistema Preventivo deve preferir-se ao Repressivo.

2. Aplicação do Sistema Preventivo

A prática desse sistema baseia-se toda nas palavras de S. Paulo: “Charitas benigna est, patiens est; omnia suffert, omnia sperat, omnia sustinet”. A caridade é benigna e paciente; tudo sofre, mas espera tudo e suporta qualquer incômodo. Por isso, somente o cristão pode aplicar com êxito o Sistema Preventivo. Razão e Religião são os instrumentos de que o educador se deve servir; deve inculcá-los, praticá-los ele mesmo, se quiser ser obedecido e alcançar os resultados que deseja.

1. Deve, pois, o diretor consagrar-se totalmente aos seus educandos: jamais assuma compromissos que o afastem das suas funções, Pelo contrário, permaneça sempre com seus alunos, todas as vezes que não estiverem regularmente ocupados, salvo estejam por outros devidamente assistidos.


3. Dê-se ampla liberdade de correr, pular e gritar, à vontade. Os exercícios ginásticos e desportivos, a música, a declamação, o teatro, os passeios, são meios eficacíssimos para se alcançar a disciplina, favorecer a moralidade e conservar a saúde. Mas haja cuidado em que a matéria das diversões, as pessoas que tomam parte, as falas, não sejam repreensíveis.

5. Use-se a máxima vigilância para impedir que entrem no instituto companheiros, livros ou pessoas que tenham más conversas. A escolha de um bom porteiro é um tesouro para uma casa de educação.

6. Todas as noites, após as orações de costume e antes que os alunos se recolham, o diretor, ou quem por ele, dirija em público algumas afetuosas palavras, dando algum aviso ou conselho sobre o que convém fazer ou evitar. Tire-se a lição moral de acontecimentos do dia, sucedidos em casa ou fora; mas a sua alocução não deve passar de dois ou três minutos. Essa é a chave da moralidade, do bom andamento e do bom êxito da educação.

3. Utilidade do Sistema Preventivo

Dir-se-á que esse sistema é difícil na prática. Observo que da parte dos alunos torna-se bastante mais fácil, agradável e vantajoso. Para o educador, encerra alguma dificuldade que, porém, diminuirá se ele se entregar com zelo à sua missão. O educador é um indivíduo consagrado ao bem de seus alunos: por isso, deve estar pronto a enfrentar qualquer incômodo e canseira, para conseguir o fim que tem em vista: a formação cívica, moral e científica dos seus alunos.

4. Uma palavra sobre os castigos

Que norma seguir para dar castigos? — Por quanto possível, jamais se faça uso de castigos. Quando, porém, a necessidade o exige, observe-se quanto segue:

1. O educador entre os alunos procure fazer-se amar se quer fazer-se respeitar. Nesse caso, a subtração da benevolência é um castigo que desperta emulação, infunde coragem sem deprimir.

2. Entre os meninos é castigo o que se faz passar por castigo. Observou-se que um olhar não amável produz para alguns maior efeito que uma bofetada. O elogio quando uma ação é bem feita. a repreensão quando há desleixo, é já um prêmio ou castigo.

3. Salvo raríssimos casos, as correções, os castigos, nunca se dêem em público, mas em particular, longe dos companheiros, e empregue-se a máxima prudência e paciência para que o aluno compreenda a sua falta, à luz da razão e da religião.

4. Bater, de qualquer modo que seja, pôr de joelhos em posição dolorosa, puxar orelhas, e outros castigos semelhantes, devem-se absolutamente banir, porque são proibidos pelas leis civis, irritam sobremaneira os jovens e desmoralizam o educador.

5. Torne o diretor bem conhecidas as regras, os prêmios e os castigos sancionados pelas leis disciplinares, a fim de que o aluno não possa desculpar-se dizendo: “Eu não sabia que isso era mandado ou proibido”.

Se em nossas casas se puser em prática este sistema, creio poderemos alcançar grande resultado, sem recorrermos a pancadarias, nem a outros castigos violentos. Há quarenta anos, mais ou menos, que trato com a juventude, não me lembra ter usado castigo de espécie alguma. Com o auxílio de Deus, não só obtive sempre o que era de dever, mas ainda o que eu simplesmente desejava, e isso daqueles mesmos meninos dos quais se havia perdido a esperança de bom resultado.

P. Gio. Bosco.

17/10/2014

AS ESCOLAS DO FUTURO

As escolas do futuro
"O que você fez hoje na escola, meu filho?" "Transformei um carro normal num modelo super-econômico, papai." Esqueça as provas, a feira de ciências e a tabuada. Se a maior parte das escolas de hoje ainda é igualzinha à dos nossos pais, as do futuro serão muito diferentes. E algumas delas já estão funcionando.
por Reportagem: Marcos Ricardo dos Santos e André Gravatá Edição: Karin Hueck
A escola onde tudo é um jogo
MINDDRIVE
Onde fica - Kansas City, EUA
Número de alunos – 50
Tipo - Comunitária (ONG) e gratuita
Um grupo de alunos está reunido na sala de aulas no meio de um debate caloroso. Mas a lição aqui não é de matemática ou história - eles estão tentando adaptar um carro normal em um modelo ecológico e econômico. Essa é apenas uma das lições desta escola, chamada Minddrive, no Kansas, EUA. De fato, o maior feito dos alunos por lá é ter desenvolvido um veículo elétrico capaz de rodar 128 km com a energia equivalente à de 1 litro de combustível. Esta não é uma escola normal, claro. O Minddrive, na verdade, é um reforço escolar para adolescentes que não vão bem no ensino regular. Mas seu método educativo não é tão exótico assim. Ele é todo baseado nos jogos epistêmicos, uma espécie de RPG (role playing games), no qual os alunos simulam situações cotidianas e pensam em soluções para os problemas que vão surgindo. "Os desafios que as nossas escolas enfrentam hoje são importantes demais para ficarmos isolados. Precisamos preparar os alunos para o mundo real", diz David Shaffer, professor de pedagogia da Universidade de Wisconsin e chefe do projeto de jogos epistêmicos para uso na educação. A ideia básica do Minddrive é apresentar um grande desafio real aos alunos e, sob a orientação de um instrutor, fazer com que eles encontrem as soluções para este problema. O aprendizado viria naturalmente, como consequência do processo. De fato, depois de entrar no reforço, quase todos os adolescentes melhoraram seu desempenho na escola tradicional.



A escola verde
GREEN SCHOOL
Onde fica - Bali, Indonésia
Número de alunos - Cerca de 370
Tipo - Privada - custo aproximado de R$ 2 mil mensais

Nessa escola, tudo é natural: as estruturas são de bambu e as salas de aula, abertas, para que o calor e o vento balineses possam entrar. Criada pelo americano John Hardy, ela se baseia na metodologia do educador britânico Alan Wagstaff, que defende uma maneira de ensinar que conecta aspectos racionais, emocionais, fisicos e espirituais. Na prática, isso quer dizer que o conhecimento está dividido em temas, e não em matérias. Por exemplo, no ensino fundamental, crianças de sete anos aprendem "padrões de contagem" pulando corda. Em outra aula, o objetivo é relacionar sentimento a números e acontecimentos históricos. Assim, os alunos pensam em datas e cifras e as imaginam com as cores que quiserem. De acordo com o método de ensino, isso humaniza o conhecimento e, consequentemente, ajuda a memorizar os fatos. O discurso pode parecer meio hippie, mas Hardy garante que funciona. Até porque um dos objetivos da Green School é que seus alunos saiam de lá prontos para abrir seus próprios negócios - sustentáveis, de preferência. Ainda durante o ensino médio, eles simulam a criação de uma empresa. E muitas acabam saindo do papel. Rasa Milaknyte, que criou sua empresa no 11º ano (penúltimo do ensino médio), foi um desses casos. "Meu negócio é um serviço: ensino aikidô para crianças de cinco a 12 anos", diz.
A escola da coletividade
ESCOLA MUNICIPAL DESEMBARGADOR AMORIM LIMA
Onde fica - São Paulo, Brasil
Número de alunos – 700
Tipo - Pública e gratuita
Todo mundo pode participar de tudo na escola Desembargador Amorim Lima. Os pais organizam as festas, os alunos coordenam os debates, a diretora faz papel de tutora. Até a página do Facebook da escola é atualizada por pais. Há inclusive um conselho em que todos têm poder de decisão sobre rumos futuros. "A conquista do espaço público deve ser feita por todo mundo", diz a diretora Ana Elisa Siqueira. Os alunos estudam em grupos de diferentes faixas etárias, espalhados por grandes salões - no maior deles, cabem mais de 100 estudantes. Parte das paredes da escola foi literalmente arrancada: os espaços foram formados a partir da união das antigas salas de aula, já no final da década de 1990. A lousa continua por lá, mas sem uso: não há aulas expositivas nesses espaços - apenas as de inglês, português e matemática acontecem por perto do quadro-negro, em salas menores. Se você entra num dos salões, encontra vários pequenos aglomerados de estudantes, além de professores em pé, correndo de um lado para o outro para atender aos diversos chamados. Cada um dos jovens anda com um caderno de roteiros de pesquisa, cujo conteúdo carrega os temas que podem ser estudados durante o ano, como "consumismo", "comunicação e memória" e "sangue e excreção". E adivinhe quem escolhe por onde começar e por onde terminar? O próprio aluno, que é incentivado a ser independente.


A escola dos hyperlinks
POLITEIA
Onde fica - São Paulo, Brasil
úmero de alunos – 18
Tipo - Privada: custo aproximado de R$ 1,2 mil mensais

Um dos alunos desenvolveu um game interativo que acompanha a jornada de zumbis. Outro, uma pesquisa sobre Albert Einstein - durante uma apresentação, ele até explicou o que é o paradoxo dos gêmeos, um experimento mental sobre a relatividade. Outra das alunas começou uma pesquisa sobre cães e gatos abandonados, motivada pela sua paixão por animais. Todos eles são estudantes da Politeia, uma escola em São Paulo que deixa os alunos imergirem nos temas que lhes interessam. As pesquisas levam a caminhos inimagináveis. O exemplo de Joyce Dorea, a garota de 13 anos que decidiu pesquisar animais abandonados, é emblemático: ao se debruçar sobre o tema, ela descobriu que muitos animais não são apenas deixados na rua, mas são também deliberadamente maltratados. Ela então pesquisou mais o assunto e se deparou com a seguinte história: uma cadela russa chamada Laika foi lançada ao espaço numa nave, com um fim trágico, pois morreu durante a experiência. A garota ficou curiosíssima para entender o contexto histórico daquele fato e começou uma pesquisa sobre a corrida espacial. Esse assunto está diretamente conectado com a Guerra Fria e termos que até então ela não entendia muito bem, como "capitalismo" e "comunismo". Foi nesse momento que a garota encontrou as tirinhas da Mafalda e seus pensamentos impregnados de reflexões políticas - sim, a personagem virou o tema da última pesquisa da jovem. O percurso de Joyce é apenas um exemplo entre outros na Politeia. Ele mostra a lógica do hyperlink: de um ponto para outro e para outro, num percurso imprevisível, aprendendo no meio do caminho. O desenvolvimento das pesquisas é feito com a ajuda de tutores e professores. "Durante as pesquisas, o professor precisa entrar no papel de aprendiz, aceitando que não sabe tudo e aprendendo junto com o estudante", conta Yvan Dourado, um dos tutores.



A escola high tech

VITTRA
Onde fica – Suécia
Número de alunos - 8 500, em mais de 30 unidades
Tipo - Pública e gratuita

Quando você anda por uma das unidades da Vittra, vê crianças com computadores por todo lado. Ao se matricular, cada aluno recebe um notebook de última geração, desde os seis anos. Os aparelhos então são usados em atividades como o projeto Future City. Nele, cada aluno cria um avatar e escolhe características e habilidades que considera importantes para si. Juntos, os personagens criam uma cidade, desenhando a infraestrutura física e estabelecendo relações sociais, incluindo a criação de leis e a realização de eleições. As atividades em grupo misturam crianças de diferentes idades e níveis de conhecimento, e os alunos as escolhem a partir de seus interesses. Em uma aula sobre o corpo humano, por exemplo, são as crianças mais velhas que ensinam as mais jovens - e podem usar o que quiser para isso: livros, animações ou apresentações digitais. "Ensinar alguém é uma ótima forma de aprender", explica a professora Frida Monsén. "Observamos que os alunos dão o seu melhor quando sabem que o trabalho é para seus colegas e não apenas para o professor", diz.

A escola do YouTube

KHAN ACADEMY
Onde fica - Na internet
Número de alunos - 43 milhões
Tipo – Livre

Em 2004, nos EUA, um jovem americano chamado Salman Khan, filho de mãe indiana e pai de Bangladesh, queria ajudar sua prima, que morava na Índia, a estudar matemática. Como estava longe, gravou umas aulas em vídeo e as publicou no Youtube, para que a prima pudesse acessar suas explicações. Mas ele não esperava que suas aulas fossem virar hits. Khan começou a receber pedidos para que gravasse vídeos de outros assuntos. Assim surgiu a Khan Academy, hoje uma febre mundial. A Khan disponibiliza gratuitamente na internet mais de 3 200 aulas em vídeo e animação. Somados, eles já têm mais de 200 milhões de visualizações. Algumas escolas dos EUA (e do Brasil tambem!)utilizam os vídeos da Khan na sala de aula - o que aponta para uma sutil e gradual tendência de, aos poucos, substituir as tradicionais aulas com lousa e giz. "O velho modelo simplesmente não atende mais às necessidades das pessoas," diz Salman Khan. "É uma forma de aprender essencialmente passiva, mas o mundo requer uma maneira mais ativa de processar informação. E a tecnologia oferece isso."


A escola onde o aluno decide o que fazerSÃO TOMÉ DE NEGRELOS (conhecida como Escola da Ponte)
Onde fica - Vila das Aves, Portugal
Número de alunos – 220
Tipo – Pública
A escola tradicional se baseia na ideia de que o aprendizado segue um caminho mais ou menos igual para todos. Por isso, temos a divisão em turmas por idade, currículos padronizados e provas iguais para todos os alunos. Mas há quem discorde: algumas teorias da educação entendem que cada aluno é único e deve ter autonomia para aprender. Com base nessa ideia, surgiu em Portugal, em 1976, a Escola da Ponte, que fica numa vila a 30 km do Porto. A escola não tem salas de aula, não separa o conteúdo em disciplinas, não demarca horário para iniciar ou terminar uma atividade. Funciona assim: os professores apresentam aos alunos uma variedade de temas. Cada um escolhe um assunto que mais lhe interesse e diz se quer trabalhar sozinho ou em grupo. Todos dividem o espaço da escola, espalhados por grupos de mesas. Se preferirem, podem fazer as atividades ao ar livre. "Os alunos gerem, quase com total autonomia, os tempos e os espaços educativos. Escolhem o que querem estudar e com quem", explicou José Pacheco, fundador da escola, em palestra recente no Brasil. Ao final de cada dia, há uma espécie de assembleia geral, onde os alunos compartilham com os colegas o que aprenderam. Quando sentem que estão preparados para fazer uma prova, definem quando vão fazer o teste, individualizado para cada um, levando em conta a lista de conhecimentos adquiridos. Parece o paraíso na Terra, mas nem todos se adaptam ao modelo. Há aqueles que desistem, e acabam voltando ao sistema tradicional. Mas a metodologia da Escola da Ponte convenceu o governo português, que valida seu diploma como o de qualquer outra escola.


16/09/2014

COM ALEGRIA

Hoje, estarei recebendo pessoas muito queridas em meu blog. Quero homenageá-las dentre as 644.770 visitas que tive até hoje. (A cada um que visitou o blog, meu eterno carinho)
Falo das professoras da Escola EMEF Professor Francisco Salles Nogueira, local de meu trabalho, onde tenho exercitado a prática das teorias que aprendi no decurso de minha vida.

Companheiras amigas, sejam bem vindas!
Obrigado por me ajudarem a ver mais longe!




Se eu vi mais longe, 

foi por estar de pé 

sobre ombros 

de gigantes.

Isaac Newton

05/05/2014

DO LIMÃO A LIMONADA

Quantos não acreditam que a escola é apenas para ensino "cognitivo", como se alunos fossem apenas "anjos barroco" que só tem cabeça.



31/12/2013

MIL MANEIRAS DE ENSINAR, MIL MAMEIRAS DE APRENDER


Cada dia fica mais evidente que existem inúmeras formas de ensinar e inúmeras formas de aprender. 
Neste caso a aprendizagem parece ser de forma agradável em que ao "brincar" com jogos e desafios a aprendizagem ocorre mais prazerosa.

Uma escola pública dos Estados Unidos está revolucionando o velho sistema de estudo, que massifica e não prioriza as aptidões dos alunos.
Em vez de livros, aulas chatas e muita decoreba, o colégio Quest To Learn transformou todo o currículo em jogos!


Em vez de livros de história sobre a guerra civil americana, uma brincadeira transforma professores em soldados, donos de terra, políticos, comerciantes e escravos, falando sobre seus motivos para lutar entre si.
Em vez de física, alunos constroem um robô com peças de Lego, a partir de um desafio proposto pelos professores.
É assim que se ensina todo o conteúdo escolar para os 400 alunos da Quest to Learn.
É, nas palavras dos responsáveis pelo projeto, “a primeira escola do mundo a ter 100% de seu currículo baseado em jogos”.
A verdadeira revolução da Quest to Learn (Q2L) é levar esses conceitos de forma integral para as salas de aula.


A escola é a atual bicampeã da Olimpíada de Matemática do estado.
Ainda não existem bolsas ou critérios de renda para o ingresso na Q2L, que atende crianças de 8 a 12 anos.
Mais duas turmas devem ser criadas até 2014, elevando a idade máxima para 14.
A Q2L é uma das respostas à crise no modelo escolar tradicional americano.
Para ver toda a matéria SÓ BOA NOTICIA

10/12/2013

ESCOLA USA A ARTE CONTRA A VIOLÊNCIA

Do site Só Boa Notícia:

"O diretor de uma escola pública de ensino médio tomou uma decisão inusitada para acabar com a violência no colégio.
Em vez de contratar mais seguranças e expulsar os alunos suspeitos, ele demitiu seguranças e contratou mais professores de arte!
A escola Orchard Gardens foi considerada uma das cinco piores do estado americano de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos.
Eles chegaram ao ponto de proibir que os alunos levassem mochilas por medo de trazerem armas escondidas."
escola4


Em 2010, a escola entrou para o programa Turnaround Schools, uma iniciativa do Governo Federal para recuperar instituições em dificuldade.
O diretor Andrew Bott foi contratado e uma das suas primeiras ações foi muito corajosa: ele demitiu grande parte dos funcionários de segurança e, com o dinheiro, reinvestiu na contratação de professores de artes.
As paredes dos corredores viraram muros de exposição, os entulhos que se acumularam durante anos no estúdio deram espaço às aulas de dança e a orquestra voltou a tocar.
De acordo com Bott, o contato com as artes deixou os alunos mais motivados e com maior espírito empreendedor.
Grande mudança para uma escola que antes era conhecida como a “matadora de carreiras” dentro da rede estadual de Massachusetts.





Andrew Bott, o novo diretor, ainda usou a verba para fazer com que os alunos pudessem ficar mais tempo na escola – em vez de saírem as 14h30, eles passaram a ficar das 7h30 às 17h30.
Além das matérias obrigatórias, os cerca de 800 estudantes passaram a ter aulas de teatro, música, dança e artes plásticas.
O resultado veio rápido – depois de um período de 2 anos, a escola saiu do ranking das piores instituições de ensino público do estado para se colocar entre as melhores.
 A violência diminuiu drasticamente e o sucesso da nova gestão trouxe o reconhecimento para a Orchard Gardens.
 Um grupo de crianças até se apresentou para o presidente Obama, na Casa Branca.
Com informações do Hypeness.
Boa lição para as escolas brasileiras.

24/08/2013

ESPERANÇA DE UM BRASIL MELHOR


DA REVISTA PÁTIO

José Pacheco para mim é alguém além de nosso tempo. Visionário da Educação Ideal, meu ícone. Ao ler os seus textos sinto como se já tivéssemos conversado sobre assunto, pois é tudo o que acredito.



Entrevista // José Pacheco

Ele ficou famoso como idealizador do projeto da Escola da Ponte, que aposta na autonomia dos alunos para educar. Hoje compartilha o conhecimento adquirido em sua trajetória em Portugal com os brasileiros, acompanhando escolas, universidades e secretarias de educação em busca de novos caminhos na educação. “Há muitos países dentro do Brasil e muitas escolas, todas diferentes, mas tenho notícia de mais de uma centena delas e de milhares de professores que, cada qual a seu modo, melhoram as suas práticas”, afirma José Pacheco, mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Porto. Nesta entrevista, ele analisa a educação brasileira e propõe caminhos. “O Brasil tem em si tudo aquilo que precisa para fazer uma educação de excelência. Basta que sejam oferecidas as condições de mudança aos que querem mudar”, afirma. “O trabalho realizado por educadores, gestores, titulares de cargos públicos alimenta a minha secreta esperança de um Brasil melhor, mas suspeito que ainda haja escolas, universidades e secretarias distraídas...”
Na última década, O Brasil tem obtido significativos avanços no campo econômico e social, mas esses avanços não estão sendo acompanhados pela educação, conforme avaliações nacionais e internacionais. Como o senhor analisa essa situação?
Eis o drama educacional brasileiro: jovens do século XXI são ensinados por professores do século XX, com recurso a práticas do século XIX, em práticas desprovidas de fundamentação científica, responsáveis pela triste realidade de um Brasil que, sendo a sexta ou sétima economia do mundo, está nos últimos lugares dos rankings da educação. A tragédia dos 30 milhões de analfabetos que a velha escola produziu no Brasil constitui-se em incômoda evidência, em um dos graves efeitos da crença em um modelo epistemológico falido.
 
Que outros fatores contribuem para formar tal cenário?
Predomina nas escolas uma cultura assente no individualismo, na competição desenfreada, na ausência de trabalho em equipe, na ausência de verdadeiros projetos. Nas decisões de política educativa, prevalece o discurso de economistas, engenheiros, técnicos de informática, jornalistas, gestores, diretores de marketing, ex-ministros, empresários — todas elas pessoas de boa vontade, mas desprovidas de conhecimento pedagógico. A racionalidade técnico-instrumental pontifica nos eventos em que aqueles que a mídia classifica de “especialistas” produzem “aulas magnas” e os pedagogos são minoria quase ostracizada.
 
O que poderia ser feito para promover mudanças?
Talvez devamos apelar ao bom senso dos titulares do poder público, pedir-lhes que estejam atentos a excelentes práticas que muitos educadores brasileiros vêm produzindo, sem importação de modas pedagógicas, que são o contraponto da construção social “escola” que a modernidade nos deixou como herança. A velha escola há de parir uma nova educação, mas as dores do parto serão intensas, enquanto a tecnocracia e a burocracia continuarem a invadir domínios nos quais deveria prevalecer a pedagogia. 
  
A educação brasileira quase venceu o desafio de incluir todos aqueles em idade escolar. O que falta para avançar também na qualidade?
Ouso discordar, pois continuam “evadidos” (que estranho termo…) da escola cerca de quatro milhões de jovens. Conceitos concebidos originalmente no âmbito da educação com preocupações emancipatórias foram vulgarizados e reinterpretados em práticas com finalidades de teor tecnocrático. Expressões e conceitos como empowerment, cidadania, excelência acadêmica e qualidade da educação constituem-se em uma amálgama de difícil decifração. E a busca de uma escola que ofereça a melhor educação possível ainda hoje acontece imersa em equívocos. Talvez por ser um conceito polissêmico, o conceito de “qualidade” é objeto de múltiplas interpretações. Eu diria que educação de qualidade é aquela que produz seres mais sábios e pessoas mais felizes. Para melhorar a qualidade, talvez falte apenas cumprir a Lei de Diretrizes e Bases. Um projeto educacional é um projeto de sociedade, e todas as escolas dispõem de um projeto político-pedagógico (PPP) que lhes outorga o direito e a missão de educar. Contudo, os PPP parecem ser apenas políticos e pedagógicos na redação, porque, na prática, a teoria talvez seja outra.
 
Poderia dar um exemplo?
Se uma escola escreve em seu PPP a intenção de fazer dos seus alunos cidadãos autônomos, como poderá lograr atingir esse objetivo “dando aula”? Será possível desenvolver autonomia nos alunos se um professor não é autônomo e recorre a práticas geradoras de heteronomia? Um professor não ensina aquilo que diz; um professor transmite aquilo que é.
 
O poder público, especialmente o governo federal, tem promovido grandes investimentos na educação básica e superior, mas parece que isso ainda não tem sido suficiente para melhorar a qualidade da educação nacional. Como o senhor analisa esses esforços?
Já na primeira metade do século passado, Lourenço Filho viveu as agruras de tentar melhorar a educação do Ceará e de São Paulo. Dessa dura experiência concluiu que “a escola tradicional não serve o povo, porque está montada em uma concepção social já vencida”. Hoje é comum verificar que a utilização de quadros interativos e o recurso a tablets, por exemplo, são considerados indicadores de qualidade, quando apenas contribuem para reforçar práticas de mesmice, características de “uma concepção social já vencida”. É bem verdade que têm sido avultados os investimentos; porém, apesar das medidas apontadas e da profusão de tentativas de reforma, programas, projetos, congressos, cursos e afins, não se logrou melhorar a qualidade da educação nacional. Nem esse desiderato será alcançado enquanto as escolas continuarem cativas de um modelo educacional obsoleto e de uma gestão burocratizada, na qual os critérios de natureza administrativa se sobrepõem aos critérios de natureza pedagógica.
 
O senhor aponta alguma ação positiva?
Um bom exemplo de iniciativa ministerial é o programa Mais Educação; contudo, a interpretação prática de uma proposta de elevado potencial redundou, em muitas escolas, na criação de “contraturnos” feitos de atividades desconexas, transformando o turno integral em uma dose dupla de tédio. O desvirtuamento da proposta também passou por preencher o tempo de desculpabilização curricular, com “aulas de reforço”, ou outros sucedâneos e aberrações decorrentes de um modelo de escola hegemônico, verdadeiro obstáculo ao desenvolvimento humano. 
 
Há várias décadas, a sociedade brasileira tem tomado para si a responsabilidade de contribuir mais efetivamente para a educação. Como analisar esses movimentos e seu papel na melhoria da educação?
É bem verdade que ONGs, institutos e fundações desenvolvem programas educacionais de grande valia. O que surpreende é o fato de essas instituições servirem para colmatar erros de medidas de política educativa. Não creio que o papel das ONGs deva ser o de mitigar, mas sim o de mostrar alternativas a políticas públicas produtoras de Idebs miseráveis, marcadas por denúncias de corrupção na merenda escolar, no transporte escolar, e pelo despudor de se desperdiçarem, em cada ano letivo, cerca de 56 bilhões de reais.  
 
Comparada a outros países emergentes, especialmente os asiáticos, sobressai ainda mais a defasagem educacional brasileira. O Brasil deveria prestar mais atenção a esses modelos? 
Não creio que um português possa elencar modelos que possam contribuir para a redução ou mesmo a eliminação de tal defasagem. As suas causas são múltiplas e complexas. Não sei se deveremos prestar mais atenção aos modelos que vêm de países emergentes, nem sequer àqueles que vêm do norte. Lamento que se continuem a estudar teorias fósseis e a importar modelos europeus e norte-americanos, ou que não haja nas bibliotecas das faculdades de pedagogia livros de autores brasileiros, como Lauro de Oliveira Lima. Estejamos atentos ao aviso que nos legou Fernando Azevedo: nem tudo aquilo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. Temo que o Brasil da educação deixe-se seduzir por modelos alheios. Temo, por exemplo, que as novas tecnologias sirvam para congelar aulas em computadores, aulas que os alunos “skinerianamente” consumam, sem resquícios de cooperação com o aluno vizinho, dependentes de vínculos afetivos precários, estabelecidos com identidades virtuais. Qualquer que seja o “modelo”, evitemos replicar aulas congeladas no YouTube e em tablets. Usemos o digital a serviço da humanização da escola. 
 
Uma das questões em evidência é a falta de qualificação dos profissionais para o trabalho. Isso demonstra a inadequação da escola à realidade? 
É deveras preocupante que titulares de diploma de Direito não consigam aprovação no exame da Ordem dos Advogados, ou que engenheiros estrangeiros ocupem postos de trabalho para os quais os brasileiros manifestam total inaptidão. Talvez sejam “evidências” da inadequação do modelo de escola que ainda temos.
 
Como a escola deve reorganizar-se para acompanhar a evolução da sociedade?
Talvez a escola possa reorganizar-se operando uma definitiva ruptura com o velho paradigma, eliminando erros do modelo de formação. Não duvido que as universidades disponham de excelentes professores, mas a formação docente continua imersa em equívocos. Ainda há quem creia que a teoria pode preceder a prática e encha a cabeça do formando de tralha cognitiva, ingenuamente acreditando que ele irá “aplicá-la” na sala de aula. Ainda há formadores que adestram formandos no planejamento de aula, quando deveriam prescindir dessa inútil herança de práticas sociais do século XIX. Ainda há quem considere o formando como objeto de formação, quando deveria ser tomado como sujeito em transformação. 
 
Algumas escolas estão aumentando a carga horária de língua portuguesa e matemática em função do péssimo desempenho em avaliações nessas disciplinas. Tal medida pode contribuir para a melhoria da qualidade da educação no Brasil?
É evidente que tais medidas em nada contribuem para a melhoria da qualidade da educação no Brasil. Os seus autores terão lido conclusões de pesquisas? Terão um mínimo de conhecimento teórico? Duvido. Medidas como o aumento de carga horária ou do número de dias letivos, a introdução de mais provas e exames, a colocação de um segundo professor na sala de aula, a atribuição de bônus a professores são habilidades avulsas, sem fundamento na ciência, nem sequer no bom senso. Está na moda o “destaque” da Finlândia, mas não se diz que as escolas finlandesas têm a autonomia que as do Brasil não têm. Enquanto o Ministério da Educação do Brasil alberga muitos milhares de funcionários, na Finlândia eles se contam por poucas dezenas. E, na Finlândia, não há exames, nem vestibular… 
 
O que deveria ser feito nesse caso?
Seria útil rever currículos. As ditas “grades” de língua portuguesa, por exemplo, são amontoa­dos de conteúdos inúteis. Para que serve decorar termos como “dígrafo” ou expressões como “sujeito nulo subentendido”? O leitor saberá o que são “plantas epífitas” ou em que consiste um “ato ilocutório diretivo”? Nem eu sei! Mas os alunos são receptáculos de uma acumulação cognitiva que nem mil horas de “carga” poderiam contemplar. Quando aluno, fiz decoreba dos afluentes da margem esquerda de rios africanos e outras lenga-lengas que me ocupam a memória de longo prazo e que não me fizeram mais sábio nem mais feliz.
 
Nessa revisão de currículos, o que se deveria priorizar?
Sabemos que o desenvolvimento estético anda a par do desenvolvimento cognitivo, já que eles são mutuamente influenciados. No entanto, sofremos da fragmentação dos saberes e da perda do sentido da totalidade. É preocupante, por exemplo, assistir ao aumento da “carga” de disciplinas “nobres”, enquanto se reduz a “carga” da formação estética quando se considera que a formação artística é mero entretenimento. Fico deveras preocupado com o desperdício de oportunidades. Sempre que a mídia alerta para qualquer mazela do sistema, a reação top-down é a de lançar mais um programa, mais um pacto, que raramente será avaliado e terá o mesmo inglório destino: o insucesso.
 
É possível acreditar que, em um futuro próximo, o Brasil será destaque não apenas no noticiário econômico, mas também educacional?  
São muitas as escolas brasileiras que agem em coerência com os seus PPP, concretizando uma educação integral, em uma escola integrada, em tempo integral. Já são visíveis os excelentes efeitos alcançados, o alcance da excelência acadêmica, além da garantia da inclusão social. Temos razões para acreditar que o Brasil pode ser “destaque”. Escutemos os mestres Agostinho, Anísio, Azevedo, Nilde, Darcy, Florestan, Lourenço, Lauro e tantos outros que continuam à espera de ser lidos e compreendidos. Quando comunidades de aprendizagem estiverem consolidadas em redes de aprendizagem colaborativa e as escolas forem lócus de desenvolvimento sustentável, serão interpeladas as políticas públicas e negociados termos de autonomia, que confiram aos protagonistas dos projetos a dignidade de decidir e ser responsáveis. E, se alguém pensa que toda essa arenga é utopia, direi que já está a acontecer… no Brasil.

BOA ALIMENTAÇÃO

Eu prefiro os caminhos que a Educação pode oferecer, mas enquanto agimos sem consciência, que venha a proibição.



Coxinhas de frango, joelhos e pastéis podem estar com os dias contados nas cantinas de escolas. 
Um projeto de lei recém-aprovado pelo Senado Federal proíbe terminantemente a venda de alimentos não saudáveis em instituições públicas e privadas do ensino básico. O
 texto ainda precisa ser votado pela Câmara dos Deputados, mas já está gerando discussão na sociedade. 
Enquanto nutricionistas e parte dos educadores defendem a ideia, há quem antecipe dificuldades na adequação dos colégios.
Para ler toda a matéria O GLOBO

19/05/2013

A EDUCAÇÃO DE MEUS SONHOS

Experiências educativas nacionais estão buscando em elementos como autonomia, liberdade, afetividade, felicidade, artes, diversão e bons educadores o segredo para mudar o modelo tradicional de ensino no país. 

Com a proposta de ajudar professores, especialmente de escolas mais conservadoras, a pensarem em alternativas e novas maneiras de ensinar, três jovens decidiram pesquisar e registrar iniciativas educacionais que seguem essas ideias. 

O mapeamento deu origem ao documentário independente Quando Sinto Que Já Sei, que será lançado no segundo semestre deste ano.

O filme conta com cerca de 50 entrevistas com crianças e jovens que estudam em escolas com modelos inovadores, e também com conversas entre pais, educadores, professores, diretores e especialistas de sete projetos educativos que estão apontando novos caminhos para a educação brasileira.

DO SITE PORVIR

18/03/2013

A EDUCAÇÃO EM REGGIO EMILIA

A equipe da Univesp TV viajou até Reggio Emilia, cidade de 170 mil habitantes que fica no norte da Itália e é conhecida no mundo todo por sua excelência na educação infantil. 
A reportagem conta como as dificuldades do pós-guerra fizeram surgir na comunidade o desejo de iniciar um novo tempo para todos, começando com a formação das crianças pequenas. 
A visita a uma escola ligada à prefeitura de Reggio Emilia mostra como é a rotina de professores, alunos e pais.

05/02/2013

FAMÍLIA E ESCOLA, EDUCAM E ENSINAM.

Dedico àqueles que acham que o papel da Escola é só o de ensinar.
Para quem acha que Família educa, Escola Ensina.

Terminada a última guerra mundial foi encontrada, num campo de concentração nazista, a seguinte mensagem dirigida aos professores:

"Prezado Professor,
Sou sobrevivente de um campo de concentração.
Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver.

Câmaras de gás construídas por engenheiros formados.
Crianças envenenadas por médicos diplomados.
Recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas.
Mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de
colégios e universidades.
Assim, tenho minhas suspeitas sobre a Educação.
Meu pedido é: ajude seus alunos a tornarem-se humanos.
Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou
psicopatas hábeis.
Ler, escrever e aritmética só são importantes
Para fazer nossas crianças mais humanas."
Autor desconhecido


26/01/2013

RIO INAUGURA ESCOLA SEM SALAS, TURMAS OU SÉRIES

 "O Rio de Janeiro começa, nas próximas semanas, a experimentar um novo tipo de escola. 
Nada de séries, salas de aula com carteiras enfileiradas e crianças ordenadamente caminhando pelo espaço comum. 
A aposta para dar a 180 crianças e jovens da Rocinha uma educação mais alinhada com o que o século 21 é o Gente, acrônimo para Ginásio Experimental de Novas Tecnologias, na escola Municipal André Urani. 
O espaço, que acaba de ser totalmente reformulado para comportar a nova proposta, perdeu paredes, lousas, mesas individuais e professores tradicionais e ganhou grandes salões, tablets, “famílias”, times e mentores."
PARALER TODA A MATÉRIA
Rio inaugura escola sem salas, turmas ou séries | PORVIR:


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